Apresentação
Qualquer assunto relacionado à educação nunca se esgota. Sempre haverá
aspecto ou ponto a ser considerado e temas a serem discutidos. Alguns,
porém, são urgentes e de extrema importância, para o bom desenvolvimento do
ensino, o atingimento de seus objetivos e o alcance de resultados imediatos.
Nestes se enquadram as questões referentes às dificuldades de aprendizagem,
tão bem escolhidas e eleboradas pela eminente pedagoga, Professora Aldry.O
assunto é atual, pertinente e oportuno.
As páginas que se seguem foram ricamente elaboras com um conteúdo
substâncioso e prático, para servir de subsídio para todo profissional que
se embrenhar pelo caminho da pedagogia. Ensinar é mais que uma arte, é uma
missão sagrada, no sentido de que tem, como finalidade continuar a
construção do ser humano em sua trajetória existencial e histórica, em seu
desenvolvimento intelectual teórico e prático e em sua desenvoltura
profissional competente, enquanto durar sua existência consciente neste
mundo.
A construção do saber é tão importante e necessária como são as funções
vitais do organismo biológico. Alimentar a inteligência, talvez seja tão
eterno, quanto eterno é o espírito humano. E, mais que isso, o
presente livro ensina os caminhos corretos de como o educador pode sanar as
dificuldades que o educando tem em descobrir o correto caminho para
alimentar-se intelectual, cultural e espiritualmente. Quem iniciar sua
leitura verá que é um manual que ensina ensinar a aprender melhor. é uma
leitura necessária e indispensável para todo educador comprometido com sua
sagrada missão.
Amani Spachinski de Oliveira
Filósofo, Escritor e Poeta
Qualquer assunto relacionado à educação nunca se esgota. Sempre haverá
aspecto ou ponto a ser considerado e temas a serem discutidos. Alguns,
porém, são urgentes e de extrema importância, para o bom desenvolvimento do
ensino, o atingimento de seus objetivos e o alcance de resultados imediatos.
Nestes se enquadram as questões referentes às dificuldades de aprendizagem,
tão bem escolhidas e eleboradas pela eminente pedagoga, Professora Aldry.O
assunto é atual, pertinente e oportuno.
As páginas que se seguem foram ricamente elaboras com um conteúdo
substâncioso e prático, para servir de subsídio para todo profissional que
se embrenhar pelo caminho da pedagogia. Ensinar é mais que uma arte, é uma
missão sagrada, no sentido de que tem, como finalidade continuar a
construção do ser humano em sua trajetória existencial e histórica, em seu
desenvolvimento intelectual teórico e prático e em sua desenvoltura
profissional competente, enquanto durar sua existência consciente neste
mundo.
A construção do saber é tão importante e necessária como são as funções
vitais do organismo biológico. Alimentar a inteligência, talvez seja tão
eterno, quanto eterno é o espírito humano. E, mais que isso, o
presente livro ensina os caminhos corretos de como o educador pode sanar as
dificuldades que o educando tem em descobrir o correto caminho para
alimentar-se intelectual, cultural e espiritualmente. Quem iniciar sua
leitura verá que é um manual que ensina ensinar a aprender melhor. é uma
leitura necessária e indispensável para todo educador comprometido com sua
sagrada missão.
Amani Spachinski de Oliveira
Filósofo, Escritor e Poeta
DIFICULDADES
E DISTÚRBIOS NA APRENDIZAGEM
SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO....................................................................................................................05
I -ASPECTOS GERAIS DAS
DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM .............................06
II- DISTÚRBIOS APRESENTADOS
......................................................................................09
II.1 - DISTÚRBIOS DA FALA
........................................................................................09
A -Dislalia
A
–1 -Dislalia Fisiológica ou de Evolução
A
–2 -Dislalia Funcional
A
–3 -Dislalia Social ou cultural
A
–4 -Dislalia Audiogena
A
–5 -Dislalia Orgânica
B -Disfemia
B
–1 -Disfemia Fisiológica
B
–2 -Disfemia Funcional
B
–3 -Disfemia Orgânica
C -Disartria
II.2 - DISTÚRBIOS DA ARTICULAÇÃO
......................................................................18
A -Sigmatismo
B -Deglutição
Atípica
C -Projeção
Lingual
D -Interposição
Lingual
E -Respiração
II.3 - DISTÚRBIOS DA LINGUAGEM
..........................................................................24
A -Pré-dislexia
B -Dislexia
B-1 -Disortografia
B-2 -Leitura
Prejudicada
B-3 -Disfunção
Cerebral Mínima
B-4 -Prejuizos
da Domancia Lateral
B-5 -Comprometimentos
Psicopedagogicos- Discalculia
C -
Atraso na Linguagem
C-1 -Atraso
Severo de Linguagem
D -Afasia
E -Deficiência
Auditiva
II.4 -DISTÚRBIOS DA
VOZ............................................................................................50
A - Problemas de
fonação
B - Distúrbios de ritmo
C - Gagueira
D - Origem da gagueira
E - Fases da gagueira
F - Como lidar com uma criança gaga
II.5 -DISTÚRBIOS PSICOMOTORES- Hiperatividade ................................................60
A - Disgrafia
III- INDISCIPLINA EM SALA DE AULA
E NA ESCOLA ..................................................71
3.1 - Rumores dos professores
3.2 - Dificuldades
3.3 –
Pausa para reflexão (Limites e Possibilidades)
3.4 –
Sinopse da realidade
3.4.1
– Tentando compreender o que está
acontecendo
3.4.2
– Alteração de Sentidos
3.4.3
– Alterações dos Limites
3.4.4
– Obstáculos epistemológicos
3.4.5
– Espera da “fada madrinha”
3.4.6
– Planejamento das Alternativas
3.4.7
– Sensação de “não-Poder”
3.4.8
– Resgate do Professor
3.4
9 – O que fizeram conosco
3.4.10
– O que vamos fazer com o que fizeram conosco
3.4.11
– Respeito e Exigência
3.4.12
– Responsabilidade
3.4
13 - Perspectivas de Ação
3.4.14
- Plasticidade do Discurso X Rigidez da Prática
3.4.15
– Sentido e Exigências
3.4.16
- Resgate do Sentido
3.4.17
– Sentido para o Estudo
3.4.18
– Resgate das Exigências
3.4.19
– Questão do Respeito
3.4.20
– Postura do Professor da Interação Pedagógica
3.4.21
– Necessidade de Autoridade
3.4.22
– Superar a “síndrome de Encaminhamento”
3.4.23
– Papel da Equipe Diretiva
IV- PRECONCEITOS SOBRE OS
EDUCANDOS .................................................................99
4.1 – O Preconceito...
4.2 – A Previsibilidade do não
aprender...
4.3 – Como os alunos aprendem – “
O estalo”
4.4 – Alunos doentes não
aprendem...
4.5 – Alunos com “problemas
emocionais” não aprendem...
4.6 – Alunos não aprendem porque
são imaturos...
4.7 – Alunos não aprendem porque
as famílias não colaboram...
4.8 – Avaliar para ensinar melhor
4.9 - Síntese
V - ORIENTAÇÃO AOS EDUCADORES
...........................................................................109
VI - AS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS
.............................................................................111
VII –
CONCLUSÃO...............................................................................................................115
VIII - REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
..............................................................................118
APRESENTAÇÃO
A ideia de elaborar esta missiva obra foi
pela necessidade dos alunos do curso CND (Curso Normal Descentralizado)
desenvolverem um Relatório de Estágio com o tema de TEORIAS DA APRENDIZAGEM –
Onde os alunos estarão observando na sala de aula as dificuldades de
aprendizagem das crianças, depois de diagnosticada as dificuldades, irão
pesquisar, levantando dados e justificando-os com base em seus estudos e
pesquisas. Para o IESDE a justificativa do aluno é muito importante neste
módulo. Onde observarão o:
I –POR QUE UMA CRIANÇA NÃO APRENDE?
II – COMO O ALUNO APRENDE?.
E estarão elaborando seu relatório por meio de pesquisas sobre as Teorias
da Aprendizagem.
Muitos dados das videoaulas
poderão ser aproveitados, assim como pesquisas em Bibliotecas, livros de
História da Educação, Revista Nova Escola , etc....
E como Tutora pesquisei, acrescentei, conforme a necessidade de minha
turma, elaborando esta apostila para tomarem com base a relação de sua
pesquisa, funcionando mais como um manual instrutivo e explicativo sobre os
vários distúrbios existentes em seu âmbito geral, mais não se encontra detalhado.
Para os futuros e atuais educadores, este manual poderá servir de ajuda e
apoio em suas investigações e analises e algumas instruções para os referidos
pais, pois para ficar mais esclarecido somente um “ex-pert” da cadeira
fonoaudiológica, pois sou uma mera pesquisadora.
Mas lembrando que é necessário o acompanhamento de um especialista, pois
é ele quem sabe dar o diagnóstico final, porque muitas vezes o que nos parece -
não é de verdade, experiência própria com meu filho de 7 anos.
E minha pesquisa foi complementada através de curso que tive o privilegio
de participar no Paraná com a fonoaudióloga Drª Regina Barbalho Drummond e o
Drº Carlos de Mattos, fornecido pela OMEP/PR (Organização Mundial de Educadores
da Pré-Escola) e as apostilas e livros que enriqueceram minhas informações no
curso de Pedagogia que fiz na FIU em Pereira Barreto - São Paulo, para maior
desenvolvimento de minhas aulas.
Meu objetivo é divulgar algumas informações e receber outras tantas para
que esta relação de troca surja um trabalho crescente, direcionado a uma
educação que possibilite a criança estar apta a interferir em seu meio, de uma
forma mais concreta e consciente.
I - ASPECTOS GERAIS DAS
DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM
INTRODUÇÃO
A dificuldade em aprender refere-se às situações difíceis encontradas
pela criança, adolescentes ou adultos na aprendizagem.
Essas dificuldades de aprendizagem são consideradas “os sintomas”, e é
pela intensidade com que se apresentam esses sintomas e comportamentos e pela
duração que eles têm na vida escolar que se faz necessária a busca das
possíveis causas dos sintomas apresentados.
Existem vários fatores que podem desencadear uma dificuldade no processo
de aprender.
Os fundamentais são:
-
OS FATORES ORGÂNICOS: saúde física, falta de integridade
neurológica, alimentação inadequada, etc.
-
OS FATORES PSICOLÓGICOS: inibição, fantasia, ansiedade,
angústia, inadequação à realidade, sentimento generalizado de rejeição, etc.
-
OS FATORES
AMBIENTAIS: o tipo de educação
familiar, o grau de estimulação que a criança recebeu desde os primeiros dias
de vida, a influência dos meios de comunicação, etc.
Podemos ainda incluir os fatores pedagógicos, assim como os funcionais.
Os pedagogos se referem ao método de
ensino e à defasagens de séries anteriores. Entre os funcionais seria
identificar a maneira como a criança, age, a maneira, um jeito próprio de
dirigir, que às vezes pode ser prejudicial de alguma maneira.
Detectar a causa que interfere no desempenho escolar, principalmente da
criança, é fundamental para o seu bom rendimento escolar, desde que as causas
sejam trabalhadas.
A educação não é apenas o ato mediante o qual o homem
informa o outro alguma coisa. Ela é sobretudo um sistema de troca mediante o qual, através da
compreensão, se atinge o consenso.
Íris B. Goulart
|
Este trabalho esta desenvolvido através
de capítulos:
·
no
primeiro capítulo esta os aspectos gerais das dificuldades de aprendizagem.
·
no
segundo capítulo encontram-se os distúrbios: da fala, da articulação, da
linguagem, da voz, psicomotores (hiperatividade).
·
o terceiro capítulo, a indisciplina em sala de
aula e na escola.
·
no quarto capítulo, preconceitos sobre os
educandos.
·
o quinto capítulo, orientação aos educadores.
·
o sexto capítulo, as inteligências múltiplas.
·
no sétimo capítulo, a conclusão.
·
e no oitavo e último capítulo as referências
bibliográficas.
ATUAÇÃO DO PROFESSOR:
Professor, sendo você um dos primeiros elos no processo
ensino-aprendizagem sistemático, é importante que exista uma preocupação em
reconhecer aqueles alunos com dificuldades de aprendizagem, geralmente são
crianças rotuladas como:lentas, preguiçosas, incompetentes, etc. Esse fato pode
torna-las distantes, arredias, rebeldes, agressivas, inclusive, motivo de
causas da evasão escolar. Além dessa preocupação em reconhecer, é preciso
admitir que é possível fazer algo que possa ajudar o aluno. Existem diversos
fatores que podem desencadear as dificuldades na aprendizagem, como já vimos
acima, porém alguns são considerados fundamentais: falta de estimulação nas habilidades
básicas(conceitos básicos, lateralidade), métodos de ensino; fatores
emocionais; diferenças culturais; sociais; dificuldades sensoriais(audição e
visão); deficiência mental; síndromes; hiperatividade; dificuldade de atenção;
dificuldades na linguagem (dislexia, disgrafia, Disortografia, discalculia),
oral e escrita, e na matemática(dificuldade no raciocínio lógico), sendo que na
maioria dos casos uma se apresenta comprometida com os demais.
Existem várias maneiras para se constatar uma dificuldade da criança em
aprender, mas o ponto de partida é o próprio desempenho do aluno. Estar atento
para os comportamentos que a criança manifesta par o funcionamento da visão e
audição, assim como orientar e direcionar a família para um encaminhamento que
se faça necessário é de suma importância para a vida escolar do aluno.
As dificuldades de aprendizagem podem estar relacionadas ao funcionamento
cognitivo sendo o mais freqüente a ausência de esquemas para a realização de
tarefas, pois, segundo PIAGET, ninguém aprende além do que sua estrutura
cognitiva permitir.
Vamos imaginar uma situação de ensino que envolva características do
pensamento operatório formal para uma criança que só dispunha do pensamento
operatório concreto, neste caso, o aluno não dispõe dos recursos cognitivos de
que precisa para aprender, e quando o aluno tem esses recursos precisa saber
fazer uso deles, neste caso é como se o aluno tivesse um instrumento e não
soubesse o que fazer com ele, ou fizesse um uso inadequado.
A escola tem seu lugar garantido no desenvolvimento infantil, podendo a
relação professor – aluno oferecer oportunidades riquíssimas de crescimento, e
os conflitos que possa surgir exercem um importante papel, não só no
desenvolvimento infantil, como no processo de aprendizagem como um todo. É fundamental criar um vínculo positivo nesta
relação, sendo que o professor deve estabelecer limites e normas que sejam
válidas para todo o grupo.
Vejamos aqui o que algumas pesquisas, de um modo bastante sucinto,
definem como “causas” das dificuldades de aprendizagem.
LINGUAGEM
A linguagem é o elemento fundamental na construção
daquilo que chamamos de civilização, sem a qual seria impossível alcançar o
estágio de elaboração e organização simbólica que o homem atingiu em nossos
tempos, permitindo um avanço infinito no campo de todas as ciências.
Partindo do enfoque, a linguagem humana compreende o
estudo de seus instrumentos fundamentais de comunicação como: a voz, a fala, a
audição, a escrita, a leitura e as atividades motoras, consideradas e avaliadas
numa estrutura integral, de maneira unificada a fim de permitir uma visão ampla
do indivíduo como um todo, associando sempre ao seu meio sócio-cultural.
II DISTÚRBIOS
APRESENTADOS
DISTÚRBIOS DA FALA
A - DISLALIA
Dislalia é um transtorno da articulação caracterizado por trocas,
omissões, distorções, acréscimos e inversões de fonemas. Estas alterações tem
caráter continuo e sistematizado, produzindo-se todas as vezes que o indivíduo
pronúncia o fonema alterado.
*omissão – não pronuncia sons –“omei”
= “tomei”;
*substituição – troca alguns sons por outros – “telo” = “quero”;
* acréscimo – introduz mais um som – “Atelântico” =
“atlântico”.(CND, Curitiba, Paraná, 2003)
As dislalia podem ser classificadas em:
A-1 - DISLALIA FISIOLOGICA OU DE EVOLUÇÃO
A dislalia fisiológica obedece a uma evolução fonética relacionada com a maturação
e a idade evolutiva da criança.
O processo de aquisição da linguagem apresenta
etapas, que podem estacionar ou ser, parcialmente, vencidas em decorrência de
problemas emocionais, familiares, ambientais, sociais, e culturais.
Freqüentemente, encontramos uma fala infantilizada
que perdura na criança cuja necessidade de manter a postura de proteção faz com
que ela não se esforce para ser compreendida, mas sim que o mundo a veja como
um bebe, ou seja, a criança nega-se a crescer.
Ao entrar em contato com a escola, o problema se
agrava e comumente poderá traumatizar a criança que num ambiente escolar não é
reforçada como em casa e recebe um
tratamento diferente, chegando a não ser compreendida pela sua maneira de
falar.
Evolutivamente, a criança apresenta dislalias
provenientes de uma incompleta estruturação lingüística,mas conhecida como TATI
BITATI, que ultrapassando a faixa etária dos 4 anos, deve ser considerada como
um atraso de evolução de fala, conseqüentemente, patológica.
Logo, excluindo o ato motor da fala poderemos
encontrar falhas das funções intelectivas que deverão ser avaliadas e
trabalhadas para que complementem um saudável processo de comunicação.
A - 2 - DISLALIA
FUNCIONAL
É
um transtorno na articulação dos fonemas por alterações funcionais dos órgãos
periféricos da fala.
CAUSAS:
·
Conservação de movimentos defeituosos dos
músculos articuladores na primeira infância (dislalia fisiológica);
·
Percepção prejudicada, causando impressões
incompletas a criança. A criança apresenta problemas de articulação;
·
Inabilidade funcional e pouca elasticidade dos
órgãos que intervem na emissão da palavra como hipotonia labial, lingual, etc;
·
Problemas emocionais, tais como: desajustes
familiares, escolares, etc;
·
Bilingüismo. É a situação vivenciada por uma
criança que durante o processo de aquisição da linguagem manteve uma relação
direta e dependente de duas ou mais culturas com línguas distintas.
A -3 - DISLALIA SOCIAL OU
CULTURAL
A dislalia social ou cultural é
caracterizada pelas trocas ou omissões Assistemáticas de Fonemas e Sistemáticas das Palavras.
CAUSAS:
·
Meio sócio-cultural carente de informações e
conhecimentos;
·
Regionalismos.
As dislalias sociais ou culturais (conhecidas vulgarmente como vícios de
linguagem) são adquiridas pelos
indivíduos através do discurso verbal de determinadas comunidades e
reproduzidas sistematicamente num encadeamento lingüístico cujo feed-back acústico-articulatório
reforça a expressão oral divergente do
padrão fonético da cultura dominante,
reproduzindo também na fala as relações de poder de uma sociedade.
Portanto, é fundamental que esses “vícios de linguagem” sejam corrigidos
a partir da própria escola, onde
encontramos muitas professoras que se expressam indevidamente ( como um produto
social) e reforçam o “falar mal”. Nota-se, também, a dificuldade de um
alfabetizado em ter de escrever palavras que não estão integradas a sua
realidade e conhecimentos (vivencias), já que no processo da escrita há a
necessidade de nos expressarmos corretamente.
Lembramos de que é expressamente
difícil mudarmos hábitos comunitários e familiares, porém caberá ao
profissional iniciar um trabalho social, mostrando a necessidade de transformar
expressões erradas a partir da própria criança.
Por outro lado, há casos de
regionalismos que assimilaram de tal
modo certas expressões que mesmo em meios sócio-culturais com um maior nível de
informação, encontramos variantes incorretas de expressão verbal.
Com isto,não estamos querendo interferir nos “dialetos” ou “falares
regionais” de forma a pensarem que nosso enfoque seja evolucionista ou
etnocentrista, pois não pretendemos mudar as características culturais de
expressão verbal de variadas regiões do País, mas sim, fazer com que a
linguagem, como um todo, seja um instrumento mais eficaz de comunicação humana.
A - 4 -DISLALIA AUDIOGENA
É a dislalia proveniente de uma
audição deficiente ( hipoacusia).No desenvolvimento da linguagem da criança, é
fundamental que haja uma boa audição para que a fala evolua num processo
natural de aprendizagem.
A criança hipoacusia geralmente apresenta dificuldades na aprendizagem
escolar: atraso de fala, atraso de linguagem e comportamento social alterado.
A dislalia audiogena varia sua grande severidade com a relativa perda auditiva da criança.
Logo, é importante detectarmos o mais cedo possível essa perda auditiva
para que, com o uso da prótese, a criança possa vir a ter oportunidade de
manter o mesmo desenvolvimento psicolingüístico de uma criança normal.
A -5 -DISLALIA ORGÂNICA
É um transtorno na articulação dos fonemas por alterações orgânicas dos
órgãos periféricos da fala.
CAUSAS:
§
Más-formações congênitas;
§
Distúrbios de crescimento;
§
Traumatismos;
§
Má-formação da arcada dentária.
Más-formações congênitas:
·
Fissura labial
uni ou bilateral;
·
Fissura palatina completa – as que ultrapassam o
formação incisivo e atingem a arcada alveolar;
·
Fissura palatina incompleta – são as posteriores
ao formarem incisivo;
·
Fissura submucosa –não existe união muscular na
linha média do palato mole.
Estas
transformações saem na disposição do tecido embriológico mole e denso do lábio
superior, boca, faringe, base do crânio e vértebra cervical.Há normalmente,
deslocamentos das estruturas adjacentes a linha onde a união não for feita.
Aparecem então distúrbios que não poderíamos deixar de citar tais como:
hipernasalidade (excesso de nasalização nas vogais), hiponasalidade (falta de
ressonância nos sons nasais), distúrbios associados poderão aparecer em
crianças portadoras destas lesões, assim como: dificuldades nas áreas
perceptivas, distúrbios neurológicos, dificuldades de aprendizagem, problemas
emocionais, psíquicos e sociais.
ü
Úvula Bilida – é uma anomalia que não possui
importância funcional. Pode, entretanto ser sinal patognomomico de um palato curto e /ou fissura submucosa
que devem ser diagnosticados e tratados.
ü
Macroglossia – língua excessivamente grande.
ü
Microglossia – língua pequena.
ü
Freio lingual e labial – hipertrofiado ou
prejudicado – comprometendo a motilidade dos mesmos.
ü
Más-oclusões dentárias, problemas articulatórios
(disglossias ou palatolias).
ü
Mau funcionamento das estruturas orofaciais,
disfunções velo-faringeas, dificuldades na emissão do sopro nasal,presão
intra-oral, esterognosia oral prejudicada, retardados ou atrasos no
desenvolvimento da fala, disfonias caracterizadas por voz aspirada e rouquidão:
sigmatismo e outros problemas articulatórios ligados aos problemas de
ma-oclusão dentária, trejeitos nasais e faciais ocasionando mecanismos
compensatórios.
Alertamos,
em especial, as patologias do palato para a seguinte conduta:
Idade própria para cirurgia – 24 meses (dois anos),
pois o paciente apresenta um relativo desenvolvimento do terço médio da face e
o deslocamento dos retalhos mucoperiosteos não acarretarão hipoplasias
importantes a este nível. Em contra partida, o processo da fala ainda em fase
de iniciação proporcionará um aprendizado com o véu paladar já recomposto,
evitando o escape nasal exagerado (rinolalia aberta) e outros possíveis vícios
na fala, o que facilitará o trabalho fonoaudiológico.
A pataloplastia deve ser complementada sempre que
possível com um alongamento do palato mole, pois em geral os pacientes
portadores de fissura palatina apresentam palato curto.
O Alongamento tem a finalidade de se obter um melhor
fechamento do anel velo-faringeano, que será conseqüentemente mais competente.
Em crianças, somos favoráveis a utilização dos
pilares amigdalinos posteriores (músculos palatofaríngeos) para conseguirmos
tal alongamento.
Para as cirurgias de lábio, aconselhamos após os
quatro meses de idade, época em que a criança já apresenta condições físicas
para a cirurgia e um encontro de lábio ideal
Distúrbios de crescimento:
São caracterizados pela hipertrofia de adenóides e
amigdalas , pelo excessivo crescimento da mandíbula, por vícios na articulação
de fonemas, etc.
Traumatismos:
Causas traumáticas que levaram a
criança a perda precoce de dentes, defeitos na língua, nos lábios, palato e
outros órgãos responsáveis pela fonação.
Má-formação da arcada dentária:
É importante ressaltar que a dentição temporária ou
decídua ( 0 a 6 anos) tem como finalidade eliminar hábitos que podem estar
estimulando posições indesejáveis dos dentes e que futuramente poderão se
instalar como definitivas, se não forem observadas com atenção.
Odontopediatra pode ajudar em alguns casos, como
perda precoce de dentes, mordida cruzada posterior, etc.
B- DISFEMIA
Disfemia (dys, mal-fheme, fala) é o termo pelo qual
designamos as interrupções que se processam na fala.
Muito se tem dito e estudado a respeito das
disfemias. Suas linhas teóricas percalçam caminhos distintos e contraditórios,
fazendo com que a relação de choque seja muito mais freqüente do que a
integração.
Segundo a escola européia, a disfemia é causada pelas dificuldades do indivíduo em
coordenar o pensamento com os meios para traduzi-lo, enquanto as escolas
americanas defendem pontos de vista mais mecaniscistas com fort e influência
das teorias cibernéticas e behavioristas.
Logo, não pretendemos discutir as possíveis causas
da gagueira, visto que não há comprovação científica universalmente reconhecida
a respeito destas causas.
Entretanto, queremos deixar bem claro que os fatores
emocionais estão diretamente relacionados com as influências de expressão
verbal, e que de um enfoque genérico podemos assegurar eu todos os indivíduos
apresentam disfluências em maior ou menor grau.
As disfemias podem ser classificadas em:
B-1 - DISFEMIA FISIOLÓGICA OU DE EVOLUÇÃO
É a disfluência apresentada pela criança, durante o
estágio de aquisição da linguagem. Geralmente esta associada a anciedade pela
necessidade de se fazer ouvir.
Pode durar até os cinco ou seis anos de idade e
desaparecer sem necessidade de uma terapia fonoaudiológica, contudo, como a
disfemia fisiológica é quase idêntica a disfemia funcional infantil, a criança
que persistir após os quatro anos de idade deve ser encaminhada a uma terapia
para um acompanhamento adequado e orientação a seus pais e professores, cujas
infuências podem ser decisivas na manutenção e persistência de tal estágio.
Ao final do capítulo das disfemias apresetamos uma
lista de atividades e cuidados que e devem ser tomados por pais e professores,
com a criança disfemica (gaga)
B - 2 -DISFEMIA
FUNCIONAL
1-
Disfluência Normal
A disfluência normal ocorre no dia-a-dia de todo
indivíduo. São as causas de memória, Atos falhos verbalizados, prolongamentos
de sons para ligar uma idéia a outra, repetições sistemáticas de
palavras com entonação interrogativa, etc. Geralmente aparecem com maior
freqüência , quando o individuo é centro das atenções de um determinado grupo e
nos estados de cansaço mental por excesso de trabalho ou de problemas
emocionais
2-
Gagueira
Gagueira é a disfluência acentuada, caracterizada por: repetições
sistemáticas e continuas de fonemas e/ ou sílabas e/ou palavras; prolongamentos
e/ou pausas; ecolalias (repetição de som final), tensão nos músculos
articulatóriso; esforço motor generalizado com torções corporais, etc.
A vanguarda fonoaudiológica do estudo
da gagueira deixa de lado a rigidez dos métodos tradicionais de terapia para
enfocar diretamente o gago, dentro do seu meio sócio-cultural e das suas
possibilidades de participação com um ser aditivo no processo de transformação
do homem.
Rompeu-se
com a linha experimental a preocupação excessiva em utilizar técnicas que nada adiantam para dinamizar a
sua postura mediante o mundo.
A respeito das características acima descritas,
resguardamo-nos de apresentar as emocionais, visto serem bastante subjetivas e
questionáveis sob a relação de causas e efeitos, cabendo ao fonoaudiólogo
analisar cada tipo de variantes emocionais, contribuindo assim, para que o gago
adulto se assuma como tal e descubra as suas próprias possibilidades.
3- Taquilalia
É
uma aceleração no ritmo da fala
prejudicando a
compreensão do que esta sendo
Transmitido.
Muito se discute a respeito das causas da taquilalia
chegando alguns a discordarem sobre alguma disfunção no sistema nervoso
central.
Do nosso ponto de vista, a taquilalia é uma disfemia
funcional, encontrada geralmente em pessoas cujo grau de ansiedade é
elevadíssimo e que leva a distúrbios associados como a respiração bucal e
dependendo da idade em que é instalada,
pode levar a deformação da arcada.
B -3 - DISFEMIA
ORGÂNICA
A Disfemia orgânica é encontrada sob a forma de
disprosodia associada a problemas neurológicos. O ritmo da fala geralmente esta
alterado com o indivíduo apresentando um bradilalia (lentificação no
ritmo) e a entonação prejudicada.
A disfemia orgânica é encontrada nos indivíduos
afásicos, disartricos, esquisofrênicos e no parquinsonismo, sendo que essas
patologias são mais freqüentes em adultos.
Aconselhamos
aos pais e professores:
v Nunca
chame a criança de gaga;
v Nunca
peça par que ele se exiba em público (fulano, declamando, etc.);
v Nunca
ensine truques ou crendices absurdas para que ela fale sem bloqueios;
v Nunca
deixe que a criança perceba que você esta preocupada com a sua fala;
v Nunca
peça a criança para relaxar;
v Nunca
antecipe suas palavras nem limite o seu tempo de fala;
v Olhe
sempre para a criança quando ela estiver falando; dando uma demonstração de
interesse pelo que ela diz e pela sua forma
de falar;
v Mostrar
sempre que puder, que quando as pessoas estão cansadas, ansiosas, com medo,
etc, sua fala poderá ser prejudicada;
v Dar oportunidade de fala em situações de
igualdade para todas as crianças que convivem juntas;
v Lembrar
sempre a criança gaga, por seus componentes emocionais provenientes das
dificuldades de expressão, é muito mais suscetível a sentir-se agredida e
exposta. Por isso, trate como as outras
crianças, mas seja cuidadoso com os excessos neuróticos que os adultos
costumam descarregar sobre as crianças.
Seguindo as instruções acima, o adulto além de
satisfazer a necessidade vital da criança gaga, que é ser ouvida com
tranqüilidade, estará exercitando o maior e mais poderoso instrumento da
sabedoria humana: saber ouvir.
C-
DISARTRIA
É a alteração da fala devido a transtorno do tônus e do movimento dos músculos da
Fonação,
respiração, articulação, ressonância ou prosódia, em conseqüência de leões em zonas do sistema nervoso,
responsáveis pelo comando destes mecanismos,” sendo um problema de articulação
que se manifesta através de uma dificuldade que o indivíduo tem para realizar
os movimentos necessários à emissão verbal. Esta dificuldade na fala pode se
originar de uma lesão no sistema nervoso ou de uma perturbação nos músculos que
intervêm na produção de sons lingüísticos” (CND, Curitiba, Paraná, 2003) .
A disartria não engloba nenhuma perturbação da
construção e do emprego das palavras, sendo a formulação verbal simbólica normal, porque somente esta afetado o
mecanismo de produção dos sons verbais.
Clinicamente, as disartrias de origem cerebral não
se manifestam isoladamente, pois sempre estão associadas a outras alterações.
Há uma incoordenação de movimentos, resultante do problema motor.Os tipos mais
leves de disartria se limitam a afetar as palavras fluentes. Os transtornos da
coordenação na execução dos padrões motores fonéticos provocam sons inexatos, falhas na dicção e perda da
entonação. A respiração não se sincroniza com a fala e podemos encontrar até
uma bradilalia ou taquilalia.
II-2 -DISTÚRBIOS DE ARTICULAÇÃO
São dificuldades ligadas a articulação onde existem comprometimentos dos
músculos, arcada dentária e outros órgãos responsáveis pela emissão de fonemas
e deglutição.
Classificamos os distúrbios de articulação em três grupos:
Articulação propriamente dita, deglutição e respiração.
A – SIGMATISMO
São dificuldades apresentadas na pronúncia do /s/ e /z/, caracterizadas
por uma disfunção mecânica dos órgãos articulatórios que denominamos de
sigmatismo.
Os sigmatismos de origem maxilo-mandibulares se dividem conforme sua
origem:
- Sigmatismo Lábio Dental
Caracterizado pelo /s/ soprado entre os incisivos superiores e o lábio
inferior. É comum encontrarmos nas prognatias mandibulares (classe III) e nas
protusões maxilares (classe II).
- Sigmatismo Interdentário ou Central
Evidencia-se pelo avanço do ápice da língua sobre os incisivos superiores
e inferiores. É observado em crianças com problemas ligados a raquitismo com
má-formação e em crianças com protusão da arcada dentaria superior,
principalmente quando tem hábitos viciosos, mordida aberta anterior e quase
sempre diastema.
-Sigmatismo Lateral
Encontra-se quando a língua apóia-se isoladamente de um lado e levanta-se
do outro, tomando assim, contato com outros dentes.
Aparece normalmente nas prognatias e nas vestibularizações de maxilares
que apresentam atresia.
-Sigmatismo Estridente
É produzido pela dispersão de ar que
se processa sobre os incisivos superiores que se encontram mal posicionados.
B-
DEGLUTIÇÃO
É um ato continuo de transportar substâncias liquidas, gasosas e sólidas
da boca até o estômago.
Encontra-se em três fases:
FASE
1:
Voluntária, começa quando o bolo alimentar é empurrado para trás, num
plano inclinado, formado pela calha da língua, cola-se palato abaixando a base.
O bolo alimentar desliza até a faringe lubrificada pela saliva.
FASE 2 :
Faringeana ou involuntária, é a chamada deglutinação reflexa não
consciente. O bolo alimentar vai despertar no faríngeo uma série de reflexos
que irão se contrair para impedir a volta do alimento para a boca, fossas
nasais e vias aéreas inferiores empurrando o alimento para o esôfago .
FASE 3 :
Esofageana e involuntária é o ato reflexo que ocasiona a passagem do
alimento para o estômago.
B-1 - DEGLUTIÇÃO ATÍPICA
É a forma incorreta pela qual os alimentos são transportados desde a
cavidade oral até o estômago. Consideramos deglutição atípica quando nas duas primeiras fases da deglutição
encontramos uma total desarmonia que se desencadeia em situações constantes de
anormalidades trazendo assim inúmeros prejuízos aos órgãos articulatórios que
em função da dificuldade poderão ficar bastante prejudicados. É importante
citar que a deglutição de forma incorreta poderá trazer inúmeros transtornos
para a arcada dentária.
As principais causas da deglutição atípica são:
§
Quebra de
reflexo de sucção:
§
Sucção de
dedo e artefatos de borracha
§
Amigdalites constantes;
§
Respiração bucal;
§
Anadontias;
§
Macroglossia.
Devemos estar sempre atentos a observação da criança com respeito a:
§
Hábitos de dormir;
§
Tipo de respiração;
§
Tipo de alimentação;
§
Postura da língua;
§
Tipo de mastigação;
§
Modificações na arcada dentária;
§
Dificuldades da motricidade facial;
§
Tonicidade da língua.
C- PROJEÇÃO
LINGUAL
É um distúrbio da articulação ligado diretamente ao
funcionamento da língua, associada aos órgãos articulatórios. A projeção
lingual ocorre de forma constante, sempre que a criança emite os fonemas /t/ ,
/d/ , /n/.
Principais causas:
v
Mau posicionamento da língua causado por vícios
e maus hábitos;
v
Desequilíbrio muscular e tonicidade da língua
prejudicado;
v
Distúrbios emocionais.
A Projeção lingual poderá
contribuir para a má-formação da arcada dentária e para aumentar os problemas
emocionais, caso já existam.
É muito comum ao observarmos uma criança que proteja a língua ao falar
salivar em excesso. Partindo daí, a família, os amigos e a professora tendem a
sempre chamar a atenção da criança com repressões que poderão trazer conflitos
emocionais para a criança.
Observações como:
v
“Bota a língua para dentro”;
v
“Cuidado par não cuspir na hora de falar”;
Não devem ser feitas,pois independe da criança o ato de faze-lo. As perdas prematuras dos
incisivos centrais inferiores e superiores poderão trazer para a criança vícios
de projeção da língua. É importante, quando dificuldades como estas aparecer,
consultarmos e pedirmos orientação ao odontopediatra que caberá indicar a
conduta correta.
D- INTERPOSIÇÃO
LINGUAL
É interposição lingual observamos
um mau posicionamento da
língua que se dispõe entre os incisivos superiores e inferiores.
Com freqüência encontramos a língua mantendo contato a partir do primeiro
e do segundo molar.
As principais causas da interposição lingual são:
v
Respiração bucal;
v
Massa lingual volumosa;
v
Má-formação das estruturas orais da criança;
v
Hábitos
viciosos;
v
Pouca mobilidade e tonicidade da língua;
Nossa experiência estabelece uma
relação entre respiração bucal, deglutição
atípica, projeção lingual, sigmatismo e interposição lingual.
Isto não impede que a criança
possa ter um único problema isoladamente.
A preocupação em prevenir no
pré-escolar, interferindo com a correção da interposição lingual, caso ela
ocorra, é para que futuramente não seja necessária uma correção ortodôntica
para a má-oclusão dentária, causada pela língua interposta.
A relação criança, fonoaudiólogo, deve ser estreita e constante, pois a
finalidade principal deste tratamento é evitar a correção ortodôntica
E-
RESPIRAÇÃO
A respiração é de máxima importância na articulação. A finalidade
da respiração é
através da expiração restituir a
energia armazenada por todas as
contrações musculares determinadas pela inspiração, portanto a elasticidade dos
pulmões distendidos pela inspiração, a energia acumulada durante o movimento de
afastamento e de tensão das costelas, da volta da musculatura abdominal que
retoma a posição normal, seguindo o diafragma que se descontrai.
Na inspiração, o músculo de maior importância é o diafragma. Quando ele
se contrai o volume da porção inferior da caixa torácica leva os pulmões a expandirem-se na mesma direção.
Na expiração, o diafragma deixa de pressionar o ventre por que o eleva.
Há um movimento espontâneo da parte superior do abdômen para voltar a sua
posição de repouso.
Pela contração conjugada desses músculos, as costelas se deslocam para
cima e para fora e em conseqüência desse movimento, na inspiração há um aumento
do diâmetro transverso e na expiração, o movimento é contrário.
Na respiração normal, ao inspirar enquanto o ar desce, o diafragma
aplana-se, o gradil costal inferior eleva-se, o superior movimenta-se muito
pouco para frente e o ventre dilata-se. Ao expirar, o diagragma se relaxa e
volta a adquirir o feitio de cúpula; o gradil costal inferior baixa e os
músculos abdominais se contraem.
Portanto a respiração fisiologicamente correta é aquela em que predomina
funcionalmente a atuação da região costo-diafragmática.
Assim sendo, todo indivíduo que inspira ou expira com predominância da
região costal superior esta indo contra a fisiologia do organismo prejudicando,
portanto a fala, sua voz, sua digestão, sua arcada dentária, sua postura, seu
perfil facial, os órgãos orofaríngeos, etc.
E importante citarmos as anomalias respiratórias:
o
Respiração lenta;
o
Respiração acelerada;
o
Dificuldade na respiração;
o
Respiração rápida e profunda;
o
Respiração bucal.
Na criança há grande predominância da respiração bucal, onde ela usa a
cavidade oral para inspirar e expirar.
CAUSAS:
q Obstruções
respiratórias altas;
q Distúrbios
respiratórios localizados acima da laringe;
q Hipertrofia
de amigdalas significantes;
q Hipertrofia
de adenóides;
q Desvio
de septo;
q Anomalias
congênitas em nível do nariz;
q Infecções
repetidas;
q Processos
alérgicos (rinites alérgicas);
q Pólipos
(é raro aparecer em crianças de 0 a 6 anos);
q Tumores
(é raro aparecer em crianças de 0 a 6 anos);
q Cornetos
inflamados.
Estas
causas podem levar sérios transtornos para uma criança, como lesões
respiratórias altas; sinusites, insuficiências respiratórias e infecções sérias
e sistemáticas. É importante não afastar as doenças respiratórias baixas, como
as bronquites, bronquealites e até asma bronquealites e até asma brônquica.
É fácil observar para se detectar o respirador bucal. Ele apresenta
fácies atípicas (chamadas de fácies adenoideanas). É a criança que sempre que
não se encontra falando, esta com a boca aberta. A criança que tem um
hiperdesenvolvimento da mandíbula, que poderá leva-la a uma futura má-oclusão
dentária e a um perfil prejudicado, pode até se
apresentar com um tórax diferente (chamado peito de pombo), é comum uma
distensão abdominal, principalmente nas crianças de baixa idade cronológica e
até em conseqüência desta distensão uma lordose (encurvamento da coluna
vertebral par diante).
Justifica-se que para a criança é mais fácil respirar pela boca do que
pelo nariz, pois a boca esta mais próxima do pulmão. Isto resulta em menor
resistência e maior probalidade de infecções, pois quando a criança respira
pelo nariz, o ar, sofre filtragem, aquecimento e purificação, fazendo com que
ele chegue aquecido e bastante purificado nas vias respiratórias inferiores e
assim não traga conseqüências para essa região.
A criança em franco e bom desenvolvimento deve ser tratada das causas
precocemente para que a dificuldade não se instale e torne mais difícil
corrigi-las. O otorrino eliminara a causa, porém o mau hábito de respirar pela
boca perdurará até que seja tratado pelo fonoaudiólogo, que com avaliações
técnica e terapêuticas irá reabilita-lo.
CONCLUSÕES:
Por ser a boca uma zona de extrema sensibilidade, cuja significação
psicológica tem sido muito estudada por psicólogos, fonoaudiólogos,
odontopediatras, pediatras, etc.
Ao nascer, a criança usa sua
cavidade oral para alimentar-se e comunicar-se com o mundo que a rodeia.
Partindo daí, surge a nossa preocupação com todas as disfunções
miofuncionais (distúrbios de articulação) já citados.
É necessário uma avaliação cuidadosa e detalhada para uma perfeita
integração de procedimentos, técnicas e tratamentos para se reeducar padrões
musculares inadequados que se interligam e causam diversas disfunções
miofuncionais e/ou distúrbios da articulação.
II.3 – DISTÚRBIOS DA LINGUAGEM
Preocupação é o termo exato para definir nossa postura
quando apresentamos ou discutimos a temática dos distúrbios da linguagem,
principalmente porque os estudos realizados nesse campo são enfocados quase
sempre de uma maneira unilateral, do ponto de vista médico, pedagógico ou
psicológico, sendo poucos aqueles que se aventuram a integrar enfoques a fim de
permitir uma posição mais clara perante os quadros enfocados.
A leitura existente sobre distúrbios
da linguagem é, sem duvida, riquíssima sob o ponto de vista em que cada autor
se apóia. Muito se tem estudado a respeito e, com eficiência, mas o que nos
leva a questionar é justamente a
objetividade no plano concreto, de como bem caracterizar os distúrbios de linguagem,
tais como: afasia, dislexia, mutismo, etc... , sem que haja uma necessidade de
rotular as crianças com alguns sintomas desse quadro, levando-as, assim, a
persistirem no quadro por reforço externo da sua incapacidade ou por
tratamentos parciais e/ou inadequados.
Conseqüentemente, tornou-se muito
difícil definir, classificar e apresentar esses distúrbios de forma
superficial, pois seria necessária uma análise muito mais profunda que só
caberá, em efeito, num livro ou em palestras específicas para determinadas
patologias, onde poderemos nos situar, claramente, de qual é nossa postura
mediante tanta parafenalia de rótulos, teorias, métodos, etc... , que nos
agridem profundamente como terapeutas e, as vezes chegam a nos confundir como
cientistas dos distúrbios da comunicação.
Quando citamos a literatura
existente e excluímos o fonoaudiólogo é porque não conhecemos nenhum trabalho
editado em nossa área que não estivesse profundamente embasado em medicina,
pedagogia ou psicologia fugindo sempre de uma visão fonoaudilogica mais
concreta.
É exatamente por isto que nosso
método terapêutico é estruturado a partir de um estudo global e profundo de
cada caso, tendo como base o potencial e o resultado positivo de alguns métodos
adotados; portanto, seguimos uma linha experimental calçada em constantes observações
de cada criança e de trocas com profissionais de todas as áreas que englobam a
criança como um todo.
A – PRÉ-DISLEXIA
É um distúrbio da linguagem que normalmente se apresenta
quando não há prontidão para a alfabetização em nível suficiente sob
determinados aspectos para que se inicie o processo da função simbólica, que é
a leitura e a sua transposição gráfica, que é a escrita.
O processo de aprendizagem, em
geral, depende de uma complexa integração dos processos neurológicos,
sócio-cultural e harmoniosa evolução das funções motoras e intelectivas.
Do ponto de vista fonoaudiologico é
fundamental que a criança saiba pronunciar corretamente todos os fonemas, antes
de ser iniciada a alfabetização, pois a criança fará uma transposição gráfica
que transcendera as suas limitações, chegando, em algumas vezes, a transpor
graficamente a sua fala que poderá não estar correta.
Verificar-se-á então substituições,
omissões e acréscimos de fonemas na escrita. Logo, é necessário deixar bem
claro que uma dislalia pode levar a uma pré-dislexia e até a uma disortografia.
Através das áreas intelectivas e
motoras, o educador poderá observar se a criança apresenta um desempenho
compatível com o desenvolvimento do grupo em que se encontra.
As áreas intelectivas e motoras
estão integradas ao mecanismo de recepção, elaboração e expressão, logo
qualquer falha nas áreas relacionadas nos mostrará “ uma não prontidão para a
alfabetização”.
- Imagem, controle e conceito corporal;
- Orientação
espacial e temporal;
- Percepção visual, auditiva e tátil;
- Compreensão e raciocínio;
- Associação de idéias;
- Memória.
Qualquer falha no processo integrativo ou falta de condições de
treinamento necessário, provocarão desarmonias ou poderão resultar em
dificuldades maiores e/ou menores proporções no contexto geral do aprendizado
da leitura e da escrita.
B-DISLEXIA
Dislexia é uma síndrome caracterizada por um severo
distúrbio de aprendizagem que atua diretamente na escrita e na leitura
acompanhada, ocasionalmente de distúrbios psicomotores, intelectivos,
emocionais, que levam a criança a um baixo rendimento escolar. Tais
comprometimentos geralmente ocorrem por conta de uma disfunção cerebral mínima.
“Dislexia é uma dificuldade da leitura e,
conseqüentemente, na escrita, ou seja, a criança não identifica símbolos
gráficos (letras e/ou números), o que acarreta fracasso em áreas que dependam
da leitura e da escrita. Apesar de não ler é uma criança bastante inteligente”.
Normalmente a criança
dislexia é considerada desatenta e preguiçosa, trazendo conseqüências graves no
nível emocional. Necessitam de auxílio especializado e principalmente da ajuda
do professor.
Podemos reconhecer se
as dificuldades são devidas à dislexia, respondendo-se as perguntas que se
seguem:
SE A CRIANÇA TEM CERCA DE OITO ANOS E MEIO:
o
Ela ainda tem dificuldades de leitura?
o
Ela ainda apresenta dificuldades para
soletrar?
o
Isso nos surpreende?
o
Temos a impressão de que em atividades
não relacionadas com leitura e soletração ela é uma criança esperta e
inteligente?
o
Inverte “B” no lugar de “D”?
o
Necessita usar blocos ou dedos para
fazer cálculos?
o
Apresenta dificuldade incomum em lembrar
a tabuada?
o
Demora em responder o que lhe é
solicitado?
o
Confunde direita e esquerda?
o
É desajeitada?
o
Tem dificuldade em pegar ou chutar bola?
o
Apresenta dificuldade em atar os
sapatos, fazer nó, vestir-se ou trocar a roupa?
SE
A CRIANÇA TIVER 8 A 12 ANOS:
o
Ainda comete erros negligentes na
leitura?
o
Ainda comete erros esquisitos na
soletração?
o
Omite algumas letras nas palavras?
o
Não tem bom senso de direção,
confundindo às vezes direita com esquerda?
o
Ás vezes confunde “B” com “P”?
o
Ainda tem dificuldade na tabuada?
o
Utiliza os dedos das mãos, dos pés,
sinais no papel para fazer cálculos?
o
A compreensão de leitura é mais lenta do
que a esperada para sua faixa etária?
o
Leva mais tempo do que a média para
fazer trabalhos escritos?
o
O tempo de que necessita para fazer as
quatro operações, parecem mais lentas do que o esperado?
o
Demonstra insegurança e baixa apreciação
sobre si mesmo ? (CND, Curitiba- Paraná , 2003
Entretanto, deixando patente a nossa
preocupação e conduta em rotular uma criança de dislexia, pois o quadro é
bastante complexo e deve ser cuidadosamente analisado para que não seja
confundido com outros distúrbios de aprendizagem, que não apresentam em sua
sintomatologia tamanho grau de comprometimento.
Características da Dislexia
As características descritas estão
associadas a leitura e escrita, sem a obrigatória necessidade de estarem todas
presentes:
·
Disortografia;
·
Disgrafia (abordada em distúrbios psicomotores);
·
Leitura prejudicada;
·
Disfunção cerebral mínima;
·
Prejuízo na dominância lateral;
·
Comprometimento psicopedagógico.
Lembramos que o diagóstico de dislexia não devera ser feito apenas
através dos comprometimentos da leitura e da escrita. Esses sintomas associados
por dificuldades perceptuais e motoras e acompanhados de uma D.C.M. ,
permitirão a afirmação do quadro de dislexia.
B-DISORTOGRAFIA
É a dificuldade que o sujeito apresenta para transcrever
corretamente a linguagem oral, havendo
confusão de letras e trocas ortográficas. Exemplo:
- Confusão de letras com trocas auditivamente
semelhantes: f/v; p/b; ch/j;
- Confusão de sílabas com tonicidade
semelhante:falaram/falarão;
- Confusão de palavras com configurações semelhantes:
mapa/capa;
- Uso de palavras com um mesmo som para várias
letras: asa/aza; casar/cazar;
- Dificuldade em recordar a seqüência dos sons das
palavras, por exemplo: junções: doque / do que;
- fragmentações: es cola/escola; a contece/ acontece;
- inversões: prota/porta;
- adições: palalavra/palavra;
- omissões: tesora/tesoura; boeca/boneca.
Quando falamos
em disortografia devemos considerar o nível de escolaridade da criança e a
freqüência de seus erros. (CND, Curitiba- Paraná, 2003)
# Substituição
de letras, silabas ou palavras de sons semelhantes:
am X ão – foram X forão
pompo X pombo
Tedu X teto
Oche esta chovendo X hoje está
chovendo
# Omissão de
letras, silabas ou palavras:
plata X planta
meni X menina
vovo vê sacola X vove vê a sacola
# Inversão de
letras dentro de uma palavra:
pombo X bompo
pato X tapo
# Acréscimo de
letras, silabas ou palavras:
dorr X dor
cafefe X café
a menina toma o café café com pão
#
Inversão(espelhamento)
p X q
b X d
# Fragmentação
de palavras ( dissociação)
em bora X embora
a inda X ainda
# Confusão de
diversos tipos de letras ( cursiva misturada com impresa, script misturada com
impresa, etc...)
CABeça
MacacA
# Mistua de
letras maiúsculas com minúsculas, mostrando uma desorganização sem um sentido
ideal, podem ocorrer em palavras ou em frases:
banaNa
a casa de talita é Bonita.
# Agregação de
palavras:
japescou X já pescou
# Confusão entre
letras de formas vizinhas no alfabeto:
ch X x – chave X chave
r X r – caro X carro
lh X li – velia X velha
s X z - caza X casa
# Trocas entre
letras simétricas, ( de forma visual)
u X v
n X m
n X h
o X a
# Repetição de
palavras:
fui a praia praia ontem
# Troca e omissões na escrita dos dígrafos:
ceijo X queijo
As disortografia podem ocorrer
isoladamente formando um quadro específico ou como um dos componentes da
dislexia.
Logo, deve haver uma preocupação em
avaliar e diagnosticar o quadro isolado da disortografia, que tem prognóstico
favoráveis em seu tratamento.
Características das Disortografias
Dificuldades de discriminação visual
ocasionadas por problemas oftalmológicos tais como:
Ametropias
– (miopia, hipermetropia e astigmatismo) causando defeitos na leitura e na
escrita a ponto de serem observados na escola pela professora e em casa pela
família. Estes distúrbios são caracterizados pela necessidade que a criança tem
de copiar do colega do lado ao invés de faze-lo diretamente do quadro.Existem
trocas de letras simétricas, há um enorme desinteresse da criança em ler e
escrever, seus olhos podem lacrimejar e sentir-se até sonolenta.
Distúrbios de
Motilidade – É responsável pelo desinteresse e desatenção na leitura e escrita, levando a criança a omitir
letras, silabas, palavras e linhas ocasionando diplopias ( imagens duplas)
cefaléia e sonolência pelo cansaço dos músculos oculares externos que fazem o
movimento incessante de convergência e divergência.
Falhas na discriminação visual
ocasionadas por dificuldades de visualização tais como:
Posição no
espaço – Por uma estruturação da
imagem, do conceito ou do controle
corporal. Para a criança tudo esta distorcido, tem dificuldade de
perceber um objeto em relação ao observador, seus movimentos são desajeitados e
apresenta dificuldades nos conceitos: dentro/fora, acima/ abaixo, direita/
esquerda. É comum apresentar falhas no inicio da aprendizagem sistemática,
confundindo números, letras e frases.
Relação
especial – dificuldades do observador em perceber dois ou mais objetos em
relação a ele e aos outros; caracterizada na escrita e na leitura pela
deficiência em perceber corretamente a seqüência das letras em uma palavra, de
palavra numa frase, dificuldade em lembrar a seqüência dos processos envolvidos
em problemas matemáticos.
Coordenação
viso-motora – É a presença de um movimento das mãos ou do corpo em reposta
a um estímulo, em perfeita consonância e harmonia com o mesmo. A criança com
distúrbios nesta área apresenta dificuldades para recortar, colar e traçar
linhas com trajetórias determinadas, distração e atenção que ocasionam perda de
continuidade nas letras e suas
associações e dificuldades em ler da esquerda para a direita e controlar o
gesto para uma escrita legível e ordenada.
Constancia de
percepção – É a incapacidade de identificação de um objeto em situações
diferentes, independentemente do seu tamanho, forma, posição e cor, acarretando
uma dificuldade em identificar figuras iguais, dispostas na mesma posição ou
invertidas, identificar o tamanho real abstraindo a dimensão do desenho,
identificar determinadas cores em suas varias tonalidades, identificar número
ou palavras que já conhece ao encontra-los num texto diferente ( na cor, no
tamanho, e no estilo de expressão).
Figura –
fundo – É a dificuldade de destacar uma determinada figura isoladamente,
dentro de um conjunto sem que outros elementos intervenha, acarretando dificuldades
em manter a atenção em determinadas atividades, dificuldades de localizar uma
frase numa pagina, uma palavra no dicionário e resolver exercícios quando
escritos em páginas muito extensas.
Dificuldades na discriminação
auditiva, ocasionadas por:
Atenção
auditiva – É a associação imediata dos sons a sua fonte produtora.
Percepção
auditiva – É o sentimento do som exato com suas diferentes características
de freqüência e intensidade.
Memória
auditiva – É a habilidade de lembrar seqüências de sons, fonemas, palavras,
números e frases.
B.2- LEITURA PREJUDICADA
Leitura é um processo de
recodificação dos símbolos escritos eu são transformados e integrados em
idéias.
A criança pode apresentar falhas
neste processo, caracterizadas da seguinte forma:
Pronto Reconhecimento dos
significantes
-As falhas
apresentadas são as substituições de letras( por simetria visual, ou não), as
omissões de letras ou sílabas, as repetições de letras, fragmentação,
contaminação e inversão.
Fluência da Leitura
-Poderá estar
comprometida por omissões ou repetições de palavras, linhas ou parágrafos e por
inadequada pontuação. Como causas da fluência da leitura podemos considerar os
distúrbios psicomotores, falhas nas áreas cognitivas (visualização, atenção,
percepção e evocações de símbolos visuais e auditivos) e falhas no processo de
aquisição dos mecanismos básicos da leitura.
Leitura Silenciosa
-Um dos aspectos
significativos na avaliação da dislexia e observar que a criança apresenta
dificuldades em ler silenciosamente, usando recursos auxiliares, tais como os
movimentos lábias que poderão estar ou não acompanhados de sons, movimentos de
apoio com o dedo, lápis ou régua.
Leitura compreensiva
-Na área
pedagógica, a leitura compreensiva pode ser feita sob formas de leitura oral e
silenciosa.
O processo compreensivo esta a nível
literal do texto que domina o mecanismo da leitura em níveis literal do texto
que domina o mecanismo da leitura em níveis de significante, interpretação de
texto (compreensão em termo de significado), de forma a estar apto a colaborar
e responder ao que esta sendo proposto, sendo capaz de escrever ou verbalizar o que captou.
As crianças com essas dificuldades
apresentam incapacidade para reproduzir totalmente o que leram; em nível de
interpretação poderá ocorrer uma inabilidade de determinar a idéia principal.
As causas dessas dificuldades
relacionam-se com a estruturação temporo-espacial, comprometendo memorização, raciocínio, generalização e
imaginação. Em nível de linguagem há uma má estruturação na linguagem receptiva
e expressiva (significado).
B.3- DISFUNÇÃO CEREBRAL MÍNIMA
Ao nosso ver compete ao
neurologista normalmente tomar
conhecimento de uma forma ou de outra, das crianças com suspeita de D.C.M.. É
de sua competência o diagnóstico clínico desta síndrome.
É da responsabilidade de uma equipe
terapêutica levar a termo o tratamento da criança portadora de D.C.M.
Do ponto de vista médico, os
progressos sobre a D.C.M. são recentes. Suas causas ainda não estão aprovadas,
apesar de se considerar que o fator genético é relevante visto a freqüência com
que se verifica em uma família e segundo alguns autores neurolingüistas a
D.C.M. é o resultado de sinapses incompletas, interferindo assim nos processos
elétricos e motores que estariam relacionados com alterações metabólicas em
mediadores químicos neuronais.
As crianças portadoras de D.C.M.
terão prognósticos tanto favoráveis quanto mais cedo for detectada a disfunção.
A nossa experiência tem mostrado
que em quase todos os nossos pacientes
com comprometimentos fonoaudiologicos ligados a linguagem tem sido demonstrada
esta síndrome. Temos observado que quase todas as crianças que nos são
encaminhadas por escolas, psicólogos e médicos são portadoras de
sintomatologias que nos fazem suspeitar de D.C.M. :
o
Inteligência próxima da média, média ou superior
a média;
o
Defeitos de percepção, atenção, conceituação,
linguagem, memória, controle da atenção e dos impulsos ou da função motora;
o
Distúrbios de aprendizagem, os mais variados
possíveis, levando geralmente a um quadro de dislexia;
o
Incoordenação motora (dispraxias) podendo ser
considerada como fruto de imatura sinergia de músculos agonistas e antagonistas
participantes da motricidade voluntária;
o
Hiperatividade: a atividade motora na D.C.M. se
apresenta exageradamente intensa, tornando os pacientes incômodos e exaustivos
para seus circunstantes;
o
Hipoatividade: também pode estar presente em
certas crianças.Nossa experiência de trabalho nos mostra crianças paradas para
atividades diversas fazendo assim oscilações de hiperatividade e hipoatividade;
o
Sincinesias: são movimentos secundários
associados a um movimento qualquer realizado pelo corpo, embora possam ser
considerados fisiológicos traduzindo maturação cerebral até os 7 anos de idade,
que também podem ser encontradas na D.C.M.;
o
Distúrbios de comportamento e conduta de grau
leve ou severo: o compotamento do D.C.M. e trabalhado em relação ao
comportamento das pessoas que o rodeiam, transmitindo segurança ou insegurança
mediante a flexibilidade do seu quadro que pode apresentar flutuação de
sentimentos de insegurança, de ansiedade, inabilidade para prática de esportes,
mau rendimento escolar, exibicionismo, destruidade de brinquedos, mitomania,
podem ser negativistas ou então prepotentes, intolerantes a frustações e
irreverentes.
É importante realçar que existem
dois pólos de reações neste quadro:observam-se crianças dependentes, tristes,
retraídas, introvertidas, não agressivas e outras menos sensíveis e
desanimadas.
Levando em conta os problemas citados,
sugerimos que crianças portadoras destes
distúrbios ou semelhantes sejam sempre que possível encaminhadas ao
neurologistas que através do exame neurológico evolutivo solicitara os exames
complementares que julgue necessário e encaminhara a criança para a equipe
adequada evitando dessa forma que certas crianças fiquem sendo tratadas
inadequadamente.
Lembramos ainda a título de
esclarecimento que a I.M. normal ou
anormal assim com E.E.G. normal ou anormal não mostram isoladamente dados
significantes para detectação de um quadro de D.C.M.
Em síntese, achamos que toda criança
com suspeita de D.C.M. deve ser encaminhada ao neurologista, o que não
significa dizer que a mesma deva ser tratada. Descartar ou elucidar o
diagnóstico sim. Porém tratar só quando necessário. O neurologista, é claro,
usando o bom senso aliando a sua experiência pessoal Dara desfecho ao caso
juntamente com o grupo de tratamento integrado ao qual já nos referimos levando
em consideração sempre o bem-estar da criança.
B.4 – PREJUÍZOS
DA DOMINANCIA LATERAL
Muito se diz e é especulado a
respeito da importância de uma lateralidade definida, homolateral e não
contariada para um bom desenvolvimento motor e intelectivo.
Do ponto de vista, partimos da
premissa que lateralidade cruzada não é responsável por distúrbio qualquer de
aprendizagem.
Muitos fonoaudiólogos utilizam este
termo (cruzado) para definir a criança que apresenta lateralidade de pé, mão,
olho e ouvido, com dominância diferente.
No campo oftalmológico, somente é
valorizado o olho dominante como aquele que tem melhor visão e que nem sempre é
o mesmo a apresentar resposta ao hemisfério dominante.
A dominância visual para o
oftalmologista é importante somente nos casos de estrabismo, pois a dominância
se apresenta ora num olho, ora no outro (estrabismo alternantes), que ao exame
oftamológico de dominância visual associado ao grau de estrabismo determinará
os músculos que terão interveniência no ato cirúrgico.
Além disso, a lateralidade e
funcional e relativa. Não há destros absolutos nem sinistros totais e sempre há
uma lateralidade complementar que se coordena com a dominante.
Quanto às mãos, temos de considerar
que através de seus movimentos ativos, praticamente definimos o indivíduo de
destro ou sinistro.
Os pés, os olhos e ouvidos têm
ambos, na maioria das vezes, funções simétricas não lateralizadas.
Então, devemos considerar que para a
fonoaudiologia e de vital importância detectar, sem precipitação e indução, a
mão dominante da criança. Alguns problemas relacionados a não importância ao
que citamos levara a criança a distúrbios de esquemas corporal, orientação
espacial e temporal e das percepções, pois é baseada na sua preferência natural
que os esquemas foram adquiridos, integrados e interiorizados pela criança. É
importante citar que a avaliação e observação da criança sobre o posicionamento
de sua lateralidade só deve ser feita a partir de 4 anos de idade quando
supomos que já esteja estabelecida sua preferência manual.
Mencionamos e reforçamos os danos
que uma lateralidade contrariada sempre ocasiona em crianças de qualquer idade,
pois comprovamos que uma atividade não esclarecida por parte dos pais e
professores, que trazem conceitos tradicionais de destreza, só acarretam em
comprometimentos irreversíveis, em diversas áreas da linguagem.
Contudo, não são só pais e
educadores responsáveis pela preferência manual; sabemos e conhecemos
materiais e objetos feitos somente para
aqueles que melhor se desempenham com a mão direita. Como exemplo de pré-escolar
conhecemos escolas que possuem em sua arquitetura ambiental a funcionalidade
destra; citamos como exemplo as pias de banheiro que tem a torneira localizado
do lado direito, sem dar oportunidade da criança escolhera a mão que usara,
pois se ela for sinistra o esforço para manusear esta torneira estar
contribuindo para violenta-la.
Sabemos que uma única pia com uma
torneira mal localizada não será responsável
pela contrariedade do ato manual, mas infelizmente outros equipamentos seguem a mesma linha de habilidades.
Aconselhamos e pedimos uma atenção
especial para que educadores, principalmente os que estão ligados a creches
comecem a modificar esses conceitos de
equipamentos e materiais errôneos.
Há pouco tempo, tomamos conhecimento
que em São Paulo já existe uma firma que pensa no individuo como sinistro. Mas
só o vê como adulto, esquecendo que seus conflitos com o mundo “direito”,
“destro”, surge desde o seu nascimento.
É complexo para todos nos avaliarmos
quando a criança nasce qual será a sua preferência de lateralidade, mas é importante que a deixemos optar e
desenvolver-se dentro das limitações que o mundo destro já lhe impõe.
Definir lateralidade, par anos é
muito sério, pois nos preocupamos com aqueles que só pensam em adestrar.
B.5 – COMPROMETIMENTOS PSICOPEDAGÓGICOS
Os comprometimentos
psicopedagógicos têm como resultado um mau rendimento escolar acompanhado de um
desfavorável desempenho da criança na escola.
Normalmente, este
comprometimento esta ligado a falhas por inaptidão para a aprendizagem, imaturidade,
distúrbio psicomotor, dificuldades emocionais e conflitos ligados a criança, a
escola e a família.
Nossa experiência com crianças
pré-escolares mostra qual há maior freqüência desses distúrbios no último
período de jardim de infância (período preparatório) e em classes
alfabetizadoras.
Citaremos relatos de pacientes
de nossa vivência:
ü
mau relacionamento da criança com a escola e/ou
professora;
ü
mau relacionamento da criança com seus amigos;
ü
mudanças constantes de escolas e residências que
levam a síndrome da migração;
ü
influências do bilingüismo;
ü
excesso e ma dosagem de atividades paralelas a
escola que traz para a criança manipulações por diversas pessoas e técnicas
diferentes (inglês, ballet, judô, natação, ginástica olímpica e etc...);
ü
choque por uma não integração escola/família;
ü
métodos inadequados para atender a
individualidade de cada criança;
ü
pouca importância ao processo criativo;
ü
excesso de preocupação em exercícios e cadernos
de prontidão que as vezes atendem mais as necessidades da família do que as da
própria criança;
ü
desvalorização das atividades criativas não
colaborando para a evolução do grafismo;
ü
métodos ultrapassados;
ü
repressões e castigos (embora amenizados, são
perceptíveis pela criança);
ü
discriminação e desinteresse pela criança lenta,
pela que não acompanha o grupo e pela introjetda;
ü
preferência individual pela criança mais meiga e
carinhosa;
ü
excesso de valorização para as crianças que se
desempenham melhor, deixando assim frustações nas demais;
ü
Conceitos, notas e gratificações escritas nos
trabalhos das crianças, (muito bem, excelente; parabéns);
ü
Conceitos, notas e observações até bem
intencionadas que trazem conflitos para as crianças (você precisa melhorar,
vamos estudar, etc...);
ü
Falta de material(que pode até significar
pobreza criativa do educador em não usar material de sucata) trazendo falta de
interesse na criança por sempre usar o mesmo material que passa a não
motiva-la;
ü
Distribuição inadequada de tarefas usando todas
as crianças em critério de rodízio, etc...
ü
Acrescento neste
item a discalculia que nada mas é do uma dificuldade na compreensão e
nos processos matemáticos, sendo que as causas podem ser pedagógicas,
capacidade intelectual limitada ou uma disfunção do sistema nervoso central. Os
distúrbios do raciocínio lógico podem ser encontrados em crianças que
apresentam incapacidade para:
Estabelecer
correspondência um a um, ou termo a termo;
Associar
símbolos auditivos e visuais, (faz contagem oral mas não identifica o número
visualmente);
Aprender a
contagem através dos números cardinais e ordinais;
Visualizar
conjunto de objetos dentro de um conjunto maior;
Compreender o
princípio de conservação de quantidade;
Compreender o
significado dos sinais das quatro operações (audição, subtração, multiplicação
e divisão);
Compreender os
princípios da medida;
Obedecer e
recordar os passos das operações;
Escolher os
princípios (somar, subtrair, multiplicar, dividir) para solucionar problemas.
(CND, Curitiba – Paraná, 2003)
Como
educadores, sabemos o quanto é difícil não falhar, mas tentaremos chegar sempre
o mais próximo do quase ideal, pensando sempre que promover crianças de turmas
e etapas sem que ela apresente uma prontidão para tal, só nos trará prejuízo,
pois é sempre mais fácil trabalhar as áreas prejudicadas, embora com um pequeno
atraso, do que para satisfazer a pais e até mesmo a escola, promove-las,
deixando lacunas que as prejudicarão no resto da sua escolaridade.
O bom senso, a observação, a avaliação e os critérios
adotados devem ser cuidadosamente vistos e revistos para que se diminua o
número de crianças na primeira série com etapas falhas que não foram bem
trabalhadas na época ideal.
Ressaltamos que com nossa experiência profissional
consideramos como fator essencial para uma boa aprendizagem que a criança
esteja bem com ela mesma e com o mundo que a rodeia.
D - ATRASO NA LINGUAGEM
Linguagem é o processo pelo qual
se desenvolve a cultura humana. O atraso
de linguagem na sua função expressiva
pode estar presente mediante transtornos em suas funções internas (simbolizações) eu/ou receptivas
(decodificações).
Constatamos atraso de
linguagem em crianças com retardo mental(PC) podendo estar afetadas as suas
três funções devido a um déficit intelectual, tornando-se muito difícil para
ela uma simbolização de acordo com a da sua cultura. Contudo, os atrasos de
linguagem que espomos neste capítulo são os atrasos por problemas maturacionais
ou psicológicos.
Através do
desenvolvimento da linguagem podemos observar a maturação e o processo de
simbolização da criança.
Quando houver um atraso mais fonético do que
lingüístico, podemos considerar um atraso simples da fala e quando houver um
atraso homogêneo de todas as funções da linguagem, tanto fonético quanto
lingüisticamente podemos considerar um atraso simples de linguagem.
O atraso simples da fala é decorrente de problemas
maturacionais e de simboliza simbolização.
Podemos considerar como um atraso simples de fala ou
de linguagem, quando a criança não atinge o estágio de comunicação verbal
relativo a sua idade cronológica.
Para efeito de orientação descrevemos a ontogenia da
linguagem, na fase pré-escolar:
1 – Fase
Pré-linguística
#Balbucio: São
as primeiras manifestações vocais consideradas como um ato reflexo, automático
e instintivo. Surge por volta dos três meses.
# Linguagem
Gesticulatória : São manifestações de exteriorização de alguns desejos através
de gestos e mímica facial. Surge por volta dos 6 mese.
2 – Fase
Compreensiva
#Vocalização: É
o estágio em que a criança emite sons sem articulação com gritos intencionais
ou experimentando a voz em fonemas vocálicos. Surge por volta dos 9 meses.
# Palavra
–frase: É o período monovocabular onde surgem as primeiras tentativas de
articular a voz e pronunciar as primeiras palavras para expressar seu
pensamento. Surge por volta dos 12 mese.
# Linguagem
Telegráfica: É um período de estilo telegráfico, pois a criança já fala algumas
palavras (inclusive nome de pessoas e objetos conhecidos) de forma substantiva,
formando orações rudimentares. Surge por volta dos 15 meses.
3 - Fase da Organização do Pensamento Concreto
# Linguagem
Designativa: É o estágio em que a criança refere-se a si mesma pelo próprio
nome, emprega a conjunção “e” e o progressivo “meu”, aprendendo a noção de que
cada coisa tem seu nome. Nesta etapa a palavra serve para traduzir necessidades
(fase do egocentrismo) e começam as perguntas insistentes. Surge aos 18 meses.
4 – Fase da
Interioriazação
# Linguagem
Oracional: Neste estágio podemos considerar o início da solicitação da criança
que já começa a usar orações mais complexas do ponto de vista gramatical (
substantivo, adjetivo, advérbio) embora de forma restrita a começa a usar o
pronome eu referindo-se a si mesma. Surge por volta dos 3 anos.
# Linguagem
Melonatica:Nesta etapa a criança descobre
o futuro e intensificam-se as perguntas. O vocabulário esta por volta de 500 palavras e já integrou
a terceira pessoa do verbo, utilizando também o possessivo “seu”. Surge aos 4
anos e vai até os 5 anos,quando as percepções já estão integradas, apresentando
um enriquecimento progressivo do vocabulário com maior facilidade de abstração.
Aos 6 anos, o pensamento não se dá mais por analogias, tornando-se lógico e concreto.
A respeito das causas dos atrasos
simples de linguagem, devemos considerar as condições sócio-culturais, as
alterações das funções intelectivas, a baixa estimulação externa para seu
desenvolvimento psicolingüístico, problemas emocionais decorrentes do
relacionamento familiar, bilinguistico e imaturidade neurológica. Quanto aos
atrasos simples da fala, encontramos as hipoacusias , baixa estimulação externa
para o seu desenvolvimento psicolingüístico, problemas emocionais decorrentes
do relacionamento familiar, bilingüismo e imaturidade neurológica .
C.1 – ATRASO
SEVERO DE LINGUAGEM
É um distúrbio emocional resultando
numa desordem da organização do “eu” e da relação da criança com o mundo que a
cerca.
Encontramos alterações de linguagem
como destruição, redução, e neoformação.
A destruição significa perda da
ordem, da organização e do funcionamento da linguagem. Verificamos o
desaparecimento da estruturação presa ao diálogo que se desintegra e desaparece
em formas mais complexas até mesmo gramaticais. A função é vista como se
desaparecesse as noções que foram adquiridas por últimos na evolução da
criança, portanto, perde-se e desaparece
a função simbólica, chegando a casos de total desaparecimento(funcional)
da linguagem, ficando a criança a nível de emissão de uma série de sons sem
conteúdo semântico a que chamamos de linguagem de linguagem motora.
Quando o paciente encontra-se neste
nível, apresenta uma ecolalia que
representa seu nível de destruição. A ecolalia é para ele o que ele ouve dos
outros e as vezes o que até acaba de ouvir minutos antes, podendo também
apresentar repetição de sons ouvidos em outras situações que se repetem automaticamente. A ausência da identificação
pessoal é a troca da primeira pela
terceira pessoa, é a desordem da organização do seu Eu, referindo-se a sim
próprio como “ele” e não como “eu”.
A redução e a expressão do vazio, da
desagregação do paciente. A linguagem se reduz e os períodos são substituídos
por frases isoladas, chegando até a palavra frase. Chama-se de linguagem
telegráfica . Esta redução poderá evoluir até o mutismo total.
A neoformação e neologismo de início
lingüístico que muitas vezes pode redundar em uma nova linguagem, aparecendo as
vezes total recusa do paciente em se expressar convencionalmente. Normalmente
esses distúrbios podem vir acompanhados de alterações do timbre e da intensidade
da voz que estão relacionadas com o
processo de atraso severo de fala que
tem origem central, não tendo nada a ver com os órgãos da articulação.
As causas da fragilidade das
estruturas dessas crianças ainda são
discutíveis, pensa-se em cargas genéticas que passam de geração e que dentro da
relação familiar e necessário se eleger alguém que é a mãe e, por acaso,
pensa-se e suspeita-se de hereditariedade, fatores bioquímicos, fatores
emocionais graves, papel da mãe desde a fase que foi gerada até o desmame.
As características ainda não estão
definidas, citaremos algumas:
- Crianças que
não organizam seu pensamento e apresentam total desinteresse diante de um
brinquedo ou trocam de brinquedos sem estilo e muitas vezes são agressivas com
esses brinquedos podendo até
destruí-los. Observamos que a medida em que o pensamento começa a se
organizar as brincadeiras e os brinquedos também o fazem, fazendo com que essas
crianças brinquem por todo tempo indefinidas, mostrando-se totalmente
desligadas do ambiente e os que as rodeiam.
-
- Irritabilidade quando tentamos desliga-las de sua
brincadeira podendo chegar a uma hiperatividade de insistirmos.
- Apresentam um
prejuízo no grafismo, negando-se as vezes a desenhar quando solicitadas,
apresentando-se quase sempre na fase da rabiscação e/ou com desenhos estranhos.
- A linguagem
apresenta-se bastante prejudicada preferindo sempre o uso do ele através de
molongos simples.
- As crianças as
vezes ainda não iniciaram nada, ainda não começaram.
- Atitude da
ansiedade, mostrando-se quase sempre assustadas.
- Não
compreensão da ansiedade, mostrando-se quase sempre assustadas.
- Não
compreensão intencional de comunicações verbais, mesmo que se use gestos ou
sinais.
- As vezes observa-se nenhuma tentativa de imitação gráfica.
- Fixação a
figura materna nem sempre demostrada.
- Ritmo de
procura sem encontro principalmente no que diz respeito aos brinquedos.
- Pegam-nos e
largam-nos, podendo até nem se interessar em pega-los.
- Há uma grande
dificuldade de relacionamento, principalmente, quando é com mais de dois.
- Pouca
receptividade da mãe com o filho.
De nosso
trabalho, podemos dizer que a terapia fonoaudiológica deve ser complementada com a atuação de uma
equipe multiprofissional, que será incorporada a criança lentamente.
- Observamos que
a criança com severo atraso de linguagem luta para se manter isolada, parecendo
não querer se comunicar. Cabe-nos persistência, tranqüilidade e paciência para
trata-la.
Em alerta a
educadora, lembramos que estas crianças são muito sensíveis a pessoas “novas e
estranhas” e principalmente quando elas são tratadas por uma “equipe”.
Aconselhamos que mudanças de
terapeutas devem sob qualquer hipótese
ser evitadas pois elas reagem a modificações que logo observamos pela mudança
de seu comportamento. Levando até a casos de regressão terapeutica. Nossa
experiência tem mostrado êxitos na terapia fonoaudilogica que não tem por
finalidade específica fazer com que a criança fale. É importante para nos um
desenvolvimento mais amplo de sua fase oral que sempre se apresenta carente.
Nos preocupamos com seu desenvolvimento
psicomotor, com sua criatividade e com especificamente a sua linguagem seja ela
de que forma for. Na estimulação dessa linguagem expressiva, assim como de
todas as áreas em que a criança e carente, é utilizada terapia de forma lúdica,
usamos música e um instrumento como direção desta.
Finalizamos dizendo que em nossa
experiência altamente positiva com
pacientes portadores de severo atraso na fala, a família é de real importância,
principalmente a mãe, que tem de ser trabalhada paralelamente para aceitar e
ajudar seu filho.
Nossa conduta terapêutica e de que a
criança seja mantida em escola de crianças normais(principalmente os
pré-escolares) e que o elo escola,
terapeutas, família seja uma constante.
A terapia que empregamos não é
programada e sim conduzida conforme o estado emocional e sua disponibilidade
naquele momento e contato terapêutico.
Reintegra-lo, dar fala ao seu “eu”
consiste o básico para nos neste distúrbio tão grave.
D- AFASIA
É um termo que não é coerente com o
distúrbio que representa porque tem todo afásico apresenta ausência de fala,
mas sim transtornos de linguagem interferindo na fala (disfasia), podendo
chegar até ausência de fala (afasia).
”Entretanto
afasia está associada à pertubação da linguagem decorrente de distúrbios no
funcionamento cerebral. Caracteriza-se por falhas na compreensão e na expressão verbal.
Podemos observar
a afasia em uma criança que:
o Ouve
a palavra mas não consegue interioriza-la com significado;
o Apresenta
gestos inadequados e deficientes;
o Demora
em compreender o que lhe é solicitado;
o Confunde
frases ou palavras com outras similares;
o Apresenta
dificuldade de evocação, exteriorizada por ausência de respostas ou tentativa
incompleta para achar a expressão ou emissão que a substituem.” (CND, Curitiba-
Paraná, 2003)
Algumas vezes, a
dificuldade de evocação manifesta-se com substituições do tipo descritivo, como
coisa de comer em lugar de colher,
em outras, é parafrásica : garfo em lugar de colher.
Nos casos mais graves de afasia, a
recepção oral está sempre prejudicada, ou seja:
a criança é incapaz de compreender o que ouve.
Quanto a inteligência, as crianças
afásicas não apresentam deficiência em
testes não-verbais.
O aluno que manifesta
características afásicas deve ser encaminhado ao foniatra, que se encarregará
da terapia, fazendo a correção de seu gesto, criando um significado e iniciando
a linguagem.(Distúrbios da fala. Fiu- Pereira Barreto)
Mas, para não criarmos grandes controvérsias, momentaneamente
consideramos o termo afasia, levando em conta que esta nossa abordagem será em
crianças fisiopatologicamente diferentes de uma afasia em adultos, visto a
ilogicidade em comparar a integração e a organização funcional do encéfalo são
adulto com o da criança pequena.
Geralmente, a designação de afasia
infantil é um rótulo sintomático diagnosticado pelo fonoaudiologo para
caracterizar os distúrbios de linguagem de origem neurológica , excluídas as
alterações sensoriais, intelectuais ou psíquicas que possam se apresentar por
ausência de linguagem.
A nossa classificação das afasias
infantis foi baseada em ORLANDO SCHRAGER:
Afasia Sensorial
Infantil
1)
afasoidismo – caracterizado por uma perturbação
compreensivo-expressiva.
2)
Surdez troncular integrativa – caracterizada por uma
pertubação severa devido a falta de conexão entre os diferentes níveis do SNC
para a formação verbal e proprioceptivo-cinestésica.
3)
Agnosia auditiva – caracterizada por uma pertubação
severa onde os sons puros não adquirem significado.
Afasia mista
infantil
1)
síndrome cortico-sub-corticais caracterizada por um
transtorno misto de compreensão e expressão, de grau variável.
Afasia Motora
Infantil
1)
Apractognosia infantil – caracterizada por atraso na
aquisição da fala, com falhas do esquecimento corporal, proprioceptividade,
percepção e potencialidade corporal, com nível de compreensão relativamente
bom.
2)
Desorganização proprioceptiva – vestibular
caracterizada por apraxia, dispraxia para a linguagem falada por não estruturação
do esquema corporal a alterações posturais, do equilíbrio do tronco muscular
que impedem o desenvolvimento da potencialidade corporal e conseqüentemente, o
aprendizado.
Levando em conta que o diagnóstico diferencial da afasia deve ser feito
por uma equipe médica e terapêutica, descrevemos aspectos genéricos que são
observados em crianças afásicas e que servem de orientação para pais e
educadores, em geral:
·
dificuldade em comunicar-se;
·
isolamento;
·
audição variável;
·
difícil reconhecimento de sua imagem corporal;
·
dominância lateral não definida;
·
falhas no desenho do corpo humano;
·
falhas de percepção visual;
·
falhas de atenção e memorial;
·
a
inteligência pode estar próxima do normal, dependendo da lesão;
·
linguagem
interior pobre e mal integrada;
·
compreensão pobre e nula;
·
expressão pobre ou nula.
Atualmente, usamos o
atendimento precoce a criança que não consegue seguir as etapas de linguagem,
com orientações a família que será a
nossa grande colaboradora para o processo de estimulação nas A . V. D.,
contribuindo assim para um desenvolvimento mais rápido da criança.
Convém esclarecer que
independentemente dos processos citados, existem patologias neurológicas e
neurocirúrgicas bem definidas, tais como: hemorragias cerebrais, isquemias e
tumores que podem levar, conseqüentemente a uma afasia adquirida que após o
tratamento neurológico será encaminhada a equipe terapêutica para a reabilitação. Lembramos também, de que
a afasia adquirida na criança difere da do adulto, na sua reabilitação,em
virtude da própria estrutura cerebral ainda estar num processo de
amadurecimento, ao passo que no adulto, o seu sistema nervoso já esta
estruturado.
Finalizando, é importante
diagnosticar o mais precocemente possível a afasia infantil porque o atraso em
seu tratamento adia as possibilidades de melhorar o completo sistema de
inter-comunicação para associar a linguagem com as experiências vividas.
E – DEFICIÊNCIA AUDITIVA
O desenvolvimento da função
auditiva é todo um processo que o individuo passa desde o momento em que nasce
até a habilidade plena de ouvir reconhecer e interpretar os sons através do que
ouve.
- Classificação dos distúrbios
auditivos:
# hipoacusia leve – è a diminuição da audição ou seja a incapacidade de
ouvir a voz normal além de uma distância de 3 metros.
# hipoacusia moderna – é a dificuldade de ouvir conversa normal a pequena
distância ou seja 1 metro.
# hipoacusia grave – o paciente não pode ouvir conversação a não ser em
voz alta ou com o uso de próteses.
- Causas:
- Podem ser adquiridas (otites comuns na infância,
tampões ceruminosos, etc...) e podem ser congênitas ou
hereditarias-microtia e melotia (atresia do meato acústico externo)
membrana do tímpano rudimentar ou ausente, etc. Na hipoacusia grave a
rebeola e a principal causa
adquirida pela mãe no terceiro mês de gestação, e a sífilis.
-
Quanto a localização do fator etiológico:
Disacusia de transmissão ou condução:
# Características – lesões situadas no
aparelho transmissor da onda sonora, que é formada pelo ouvido externo e ouvido médio.
# Causas –
ouvido externo – tampão ceruminoso, otite externa, corpo estranho, traumatismo,
etc...
ouvido médio – modificações
na membrana do tímpano:
- otoesclerore;
- retração;
- espessamento;
- processo inflamatórios do ouvido médio;
- traumatismo, etc.
Disacusia de
Percepção ou Neuro-sensorial:
Características
– o elemento lesivo se localiza no órgão de corti e/ou num nervo acústico ou
nas vias auditivas centrais, da cóclea e retrococlea (tronco cerebral e lobo
temporal).
Causas – ouvido
interno – problemas vasculares, problemas traumáticos, processo inflamatórios e
infeccionsos, trauma acústico, alguns medicamentos específicos.
Disacusia Mista:
Características
– comprometimento simultâneo da patologia
que lesa o ouvido externo, o médio e o interno, na transmissão e
percepção. Como exemplo podemos citar os casos de otoesclerose em estados
avançados, otites crônicas e etc...
-
Problemas audiológicos na criança e os distúrbios de
linguagem.
Um estudo médico e terapêutico complexo e essencial para o início do
trabalho com o deficiente auditivo.
Esperamos desse resultado condutas para analisar a
linguagem da criança, sua capacidade mental, seu estado psicológico(estudo do
seu comportamento e seu desenvolvimento afetivo) e uma posição psicosocial.
A nível fonoaudilógico observamos uma linguagem muito rudimentar às vezes
inexistente, presença da linguagem mínima gestual aonde vamos através de
atividades lúdicas(jogos e etc...) observar possibilidade de comunicação da
criança.
Partindo do princípio de que existe linguagem
propriamente dita, trabalharemos a evolução de seu nível de expressão verbal,
de elementos da palavra, onde encontraremos na articulação, na voz, etc...
E importante avaliar e comparar a compreensão e a
realização do ato da linguagem expressiva como nível auditivo mental e
emocional que se encontra na criança. Assim podemos julgar a linguagem e como
ela mesma pode e deve estar atuando e servindo de meio de comunicação para a
criança.
E importante citar que após a avaliação fonoaudiológica,
deve-se encaminhar o paciente para um otorrino que avaliará a criança visando
um estudo de audição através de um registro que graficamente nos fornece as
perdas auditiva. Esse registro gráfico chama-se audiograma, que de acordo com as respostas aos sons puros de
diversas freqüências nos da uma resposta aos sons e uma medida objetiva da
função auditiva. Esse exame tem a denominação de audiometria.
A equipe que avaliou e reeducará a criança, deverá
orientar o otorrino a prescrever o uso
de prótese auditiva que e primordialmente médica, já que caberá a este
diagnosticar a patologia auditiva do paciente e ver se há ou não indicação.
A difícil tarefa do otorrrino é a seleção do aparelho
adequado para cada criança. Sabemos que
em princípio e em alguns casos a prótese poderá ser uma alternativa no
tratamento e o paciente em alguns casos poderá escolher entre uma cirurgia ou
uma prótese. Em outras situações a prótese poderá ser complementar a cirurgia.
Citar os casos de pacientes que precisam de prótese, é
para a equipe muito difícil, pois sentimos que a prótese auditiva esta ligada
ao meio sócio-cultural do paciente.
A utilização de prótese otofonicas nas crianças cria
as vezes problemas especiais. Atualmente adaptamos a prótese o mais cedo
possível. Alguns médicos aconselham sua utilização aos 18 meses de idade. Nos
particularmente aconselhamos o médico a medir a idade mental da criança para
que sua adaptação seja ideal e não tão precoce, a nível de haver rejeição ou
inadequação. Sentimo-nos responsáveis pela criança, pois ela necessita ser ouvida e entendida para que se
estruture para a expressão.
Aconselhamentos de atividades especificas que
facilitarão o desenvolvimento da criança com problemas auditivos (consciência
auditiva, científicação auditiva, discriminação auditiva, seguência auditiva,
memória e ritmo “percepção auditiva”, rimas e brincadeiras auditivas).
Pensamos sempre que nunca precisaremos ensinar a
criança os “sons do mundo”, e sim fazer com o decorrer do tempo que ela vá
adquirindo sua linguagem dentro de suas limitações e de nossos conhecimentos
para ajuda-la.
Lembramos ainda que o ouvido humano é composto de
mecanismo de defesa para os sons produzidos pela natureza. Logo, não estamos
capacitados auditivamente para agüentar os sons que o homem vem produzindo
crescentemente sem limites que acabam trazendo danos severos e até
irreversíveis para a audição.
II.4 –
DISTÚRBIOS DA VOZ
Voz é a emissão de sons
manifestada no ser humano em resposta aos estímulos auditivos sócio-culturais,
atuando integradamente num processo articulatório (fala) e simbólico(linguagem)
responsáveis pelo ato de comunicação
humana.
Os distúrbios de voz que possam
alterar qualquer qualidade vocal (sonoridade, projeção, clareza, audibilidade,
ritmo, timbre, colorido e dicção) são chamados de disfonias.
As disfonias são classificadas, de
uma forma geral, em funcionais e orgânicas.
As funcionais são as disfonias
decorrentes de alterações da voz sem que haja alterações estruturais dos órgãos
vocais, enquanto as orgânicas estão associadas a presença destas alterações.
A respeito das disfonias,
abordaremos as que estão relacionadas com a faixa etária do pré-escolar, ou
seja, as disfonias infantis que geralmente estão enquadradas numa classificação
funcional podendo, contudo, apresentar causas orgânicas.
As disfonias funcionais infantis
resultam de um mau uso da emissão vocal, geralmente provocado por uma má
coordenação fono-respiratória é um abuso vocal desencadeado pelos seguintes
fatores:
#distúrbios
emocionais da criança gerando uma necessidade de ser ouvida, refletindo um
quadro de ansiedade e agressividade liberadas na emissão vocal. Esta criança
apresenta freqüentemente,um quadro de hiperatividade resultando numa disfonia
funcional hipercinética,.Esta disfonia hipercinética apresenta um distúrbio anatômico provocado por um
transtorno da função, que poderá produzir nódulos vocais, ou mais
especificamente o “nódulo do grito” (típico da criança), que com o passar do
tempo poderá tornar-se um nódulo duro, que não mais desaparecerá.
Por outro lado, podemos encontrar a
criança com uma disfonia funcional hipocinética que e a apresentada pela
criança hipoativa e introjeitada.
Em ambos os casos e importante o papel da família perante esta
criança, assim como o seu perfil psicológico, pois é fundamental a sua
participação no processo terapêutico, através de conduta modificada a partir de
uma orientação harmoniosa do psicólogo e do fonoaudiólogo.
# Condições ambientais devido a uma possível convivência com ruídos excessivos
(poluição sonora) e contatos freqüentes com portadores de deficiência auditiva.
# Respiração bucal proveniente de obstrução das vias respiratórias
acarretando uma diminuição da resistência da laringe.
É importante deixar bem claro que a criança submetida a uma cirurgia de extirpação de nódulo vocal, seja submetida
a um tratamento fonoaudioógico, para não haver
recidivas.
As disfonias orgânicas podem ser
conseqüentes a disfonias funcionais que não foram tratadas e evoluíram para um
quadro com alteração estrutural dos órgãos vocais. Além desse fator, as
disfonias orgânicas infantis podem ser causadas por:
#anomalias
congênitas tais como: intercordais, laringo-malacia, displasias laringicas,
etc...
#doenças
adquiridas como por exemplo, os papilomas.
Finalmente, devemos considerar que a
criança que grita muito, fala bastante alto e apresenta outras alterações na
qualidade de sua voz, não o faz por exibicionismo, mas sim em resposta a um
meio social que não permite que ela seja ouvida.
A – PROBLEMAS DE FONAÇÃO
A voz é um instrumento que o homem maneja à vontade.
Pequenas mudanças em suas características (cadência, inflexão, intensidade,
timbre ou tom) são suficientes para exprimir desejos, sentimentos e
necessidades.
Em certas circunstâncias, porém,
esse domínio quase absoluto pode ser abalado, afetando todo o mecanismo de
produção de sons e impedindo, portanto, que a expressão verbal se manifeste de forma adequada.
O problema de fonação ou disfonias,
(são considerados os órgãos periféricos). Se houver comprometimento do sistema
nervoso central, o distúrbio será orgânico.
A criança, a disfonia funcional
geralmente é conseqüência de falta de harmonia e segurança no lar (fator
psicológico): as que gritam muito têm a
voz alta e rouca; as que são manhosas e mimadas têm a voz anasalada; é soprosa a voz da criança tímida;
infantilizada a voz da criança que imita o irmão menor ou tem incentivo dos
pais para falar dessa maneira.
A chamada voz em falsete
é um distúrbio de fonação dos mais comuns. Caracteriza-se pelo timbre elevado,
às vezes com um certo tom de choro. Costuma acontecer com os meninos, na época
da adolescência , quando iniciam a mudança de voz.
A causa dessa disfonia é a contração exagerada do músculo cricotireóideo
“ ou a diminuição de tensão do músculo tireoaritnóide”, ambos da laringe. Se
for bastante acentuada na adolescência, a voz em falsete gera muita ansiedade.
Quando não é corrigida a tempo, pode perdurar por muitos anos.
Já a afonia é um problema de
voz que em geral acontece com as meninas e
a começar com uma rouquidão e evoluir até chegar o desaparecimento total
da voz, mas a articulação permanece inalterada. Esse distúrbio também se grava
na adolescência e pode manter-se indefinidamente.
Os problemas de fonação podem
apresentar-se acompanhadas de pronúncia defeituosa de alguns sons, como M em
vez de b, n em vez de d. No caso de
haver anomalias no céu da boca, os sons sibilantes sempre são prejudicados.
A chamada voz monótona
é uma disfonia de origem orgânica, causada por doenças no sistema
nervoso central. Caracteriza-se pela incapacidade de reflexão e pode surgir
Junto com um enfraquecimento da capacidade auditiva costuma acontecer também em
crianças que imitam um adulto, por acaso
portador da anomalia.
Na escola, o professor deve lidar
com os problemas de fonação através de métodos simples, que proporcionem à criança oportunidades de
dominar situações, e, dessa forma, adquirir maior segurança em si mesma. Nesses
casos,os jogos recreativos e atividades artísticas são bastante eficientes.
B -
DISTÚRBIOS DE RITMO
Os distúrbios de ritmo (ou
disfluências), segundo Spinelli, “referem-se à fala produzida com repetições de
sílabas, palavras ou conjunto de palavras, prolongamentos de sons, hesitações e
bloqueios – dificuldades para prosseguir a emissão de sons, mantendo-se
contração muscular inicial”. Mas os desvios de assunto em uma conversa e a
desorganização de relatos também podem ser agregados as disfluências.
Os distúrbios de ritmo às vezes são
identificados como gagueira, principalmente por leigos. Na verdade, existem
diversos tipos de alteração de fluência, sendo a gagueira apenas um deles
(alguns gagos, inclusive, não apresentam disfluência).
Muitas crianças, durante o
desenvolvimento da fala, apresentam repetições e hesitações sem que haja
consciência do fato, nem manifestações sugestivas de dificuldades congênitas
para a linguagem. Tais casos são
considerados fisiológicos e costumam ocorrer entre 2 e 4 anos.
As disfluências patológicas
acontecem por dificuldades perceptivomotoras ou por falhas lingüísticas,
presentes em casos de disfunção cerebral mínima, paralisia cerebral e
deficiência mental. Aparecem em determinada etapa do desenvolvimento da
linguagem, quando a extensão das emissões se amplia.
As disfluências de origem emocional
estão ligadas a distúrbios de personalidade e a conflitos nas relações
afetivas. As que resultam de fortes traumas ocorrem em crianças e adultos,
enquanto que as de instalação abrupta são quase que exclusivas de faixas
etárias abaixo de 8 anos.
C – GAGUEIRA
A gagueira ou tartamudez é uma
das principais formas de disfluência cujo inicio mais freqüente entre os
estágios da puberdade.
Como quase todos os outros
distúrbios da linguagem, ela atinge mais o sexo masculino que o feminino: para
cada dois meninos gagos, há apenas uma menina afetada pelo distúrbio. Entre os
adultos à proporção é de dez homens para cada duas mulheres.
Na opinião de alguns autores,
deveria haver uma diferenciação entre gaguejar, balbuciar e atropelar palavras;
mas a maioria não faz tal discriminação.
Todos concordam, no entanto, que a
gagueira consiste num distúrbio do fluxo e do ritmo normal da fala que envolve
bloqueios, hesitações, prolongamentos e repetições de sons, sílabas, palavras,
ou frases. Faz-se acompanhar freqüentemente por tensão muscular, rápido piscar
de olhos, irregularidades respiratórias e caretas.
A repetição de sílabas e palavras –
“ ma, mamãe, mamãe” – costuma acontecer na época do início da fala. Sentindo
dificuldade para achar o que vai ser dito, as crianças, principalmente quando
excitadas, acabam repetindo palavras até encontrar uma saída. Mas essa
característica desaparece à medida que sua linguagem evolui e elas se acostumam
à verbalização. Nesse caso, o problema é quase sempre passageiro, considerado
uma ocorrência normal do aprendizado.
A gagueira é patológica, quando se
observam emissões do tipo “m – m – mãe, ma – ma – mãe “, em que há repetição,
prolongamento ou interrupção dos sons que iniciam a palavra.
No momento em que se dá a pronúncia,
ocorrem contrações no aparelho fonador e na musculatura de diversos setores do
corpo. Em conseqüência, o rosto se contrai, os lábios ficam esticados e, ao
tentar se expressar, a criança repete os sons. Em alguns casos, ela intercala
entre uma palavra e outra expressões curtas – “é, ah” – que não têm significado
algum na frase, mas ajudam a ganhar tempo.
A gagueira pode ser contínua ou
surgir apenas em determinadas situações que sensibilizam bastante a criança.
Muitos gagos falam com fluência quando estão sozinhos ou quando cantam. Outros
também ficam livres do distúrbio ao adotar determinada postura, fazendo até um
verdadeiro ritual: colocam a mão no bolso, apertam alguma parte do corpo
(orelha, cabeça), esfregam as mãos ou inclinam a cabeça.
Os erros típicos da gagueira são
freqüentemente acompanhados por sintomas secundários, tais como: caretas,
sapateado, arquejo, pesadelos e outras atitudes estranhas que nada têm a ver
com a produção da fala. Esses sintomas aparecem à medida que aumenta a gravidade
do distúrbio. De acordo com as
pesquisas, isto nada mais é que o medo de gaguejar. Assim, o gaguejar é
reforçado por si mesmo.
Existem diferentes maneiras de
classificarmos a gagueira:
#Quanto aos movimentos:
# Quanto à pronúncia:
# Quanto ao aparecimento:
# Quando a emoção:
D - ORIGEM
DA GAGUEIRA
Esse distúrbio de ritmo não apresenta
uma origem bem definida. Há
várias teorias a respeito, cada uma tentando isolar um ou alguns fatores
como causas.
As concepções mais antigas salientavam os fatores orgânicos, como a hereditariedade e a falta de preponderância
de um hemisfério cerebral; mas atualmente, o distúrbio já é definido como uma
anomalia de causas múltiplas, que predispõem, determinam, desencadeiam ou
agravam o quadro clínico.
Os tipos de prova apresentadas em apoio à etiologia orgânica da gagueira
são:
- A incidência do distúrbio em família de gagos é
muito maior do que nas famílias de não gagos, sugerindo uma acessível base
genética.
- A gagueira é mais freqüente entre pessoas que usam
a mão esquerda e entre pessoas também canhotas mas que mudaram sua
preferência original ( prova usada para apoiar a concepção da ausência de
hemisfério cerebral dominante como causa da gagueira).
- Tem numerosos componentes ou concomitantes
fisiológicos.
- Está associada a nascimentos múltiplos
(gêmeos) e a prematuridade.
- Entre os gagos há uma incidência maior de
distúrbios do sistema nervoso central.
Ainda no aspecto orgânico, várias
teorias afirmam que a gagueira é causada por perturbações locais do aparelho
fonador. As mais recentes supõem que o freio da língua muito curto ou muito
longo seja o responsável pelo distúrbio.
As teorias neurológicas
destacam, como possíveis causadores da gagueira, os traumas de nascimento
(acidentes de fórceps), as infecções por ancefalites ou moléstias infecciosas,
como a meningite, e as epilepsias.
A teoria glandular salienta
que o distúrbio provém do aumento ou diminuição da função das glândulas sexuais
e da supra-renal.
Mas a gagueira também pode ser
atribuída a causas funcionais. Dentre elas destacamos:
O problema varia
em função de fatores situacionais, como a perda de um ente querido, um acidente
ou quando a pessoa é severamente repreendida.
A gagueira tem
profundos componentes emocionais.
Na maioria das vezes,
desenvolve-se nos períodos em que a criança sofre considerável pressão social
(quando aprende a falar, quando entra na escola, na adolescência).
Os pais de
pessoas gagas em geral manifestam um padrão característico:
Perfeccionismo e
altos níveis de aspirações para seus filhos.
As teorias psicológicas
afirmam que, em quase todos os casos , o elemento desencadeador seria um
distúrbio emocional, quer como um conflito atual (stress ou crise), quer como
ansiedade em evolução, causada por conflitos progressivos.
E – FASES DA GAGUEIRA
Costuma-se distinguir duas fases
da gagueira: a primária e a secundária.
Na fase
primária, a criança ainda não está cônscia
de suas dificuldades de fala, apesar de manifestar bloqueios, hesitações
e repetições de sons ou palavras. Ocorre, na maioria das vezes, com crianças de
2 a 4 anos de idade, pois todas elas experimentam um certo grau de
não-fluência, já que estão aprendendo a falar. Elas gaguejam mas não sentem os
sintomas secundários de crescente tensão muscular, medo e esforço, que
caracterizam a fase secundária da gagueira.
As medidas que devem ser tomadas por
pais, professores e outros adultos, nessa fase da gagueira,devem ser indiretas,
sem manifestar preocupação com o desvio da fala em si. Deve-se procurar manter
a criança em boas condições físicas, proporcionando-lhe uma agradável e repousante atmosfera familiar, com bons modelos de fala.
É importante também tentar desenvolver nela sentimentos de adequação e
autoconfiança, ressaltando suas aptidões positivas e minimizando as suas
deficiências.
As crianças com não-fluências devem
ser reconhecidas, mas aceitas como normais. Deve-se evitar dar-lhe a impressão
de que as outras pessoas ficam preocupadas ou ansiosas por causa disso. E mais
do que tudo não se pode humilhar, criticar ou castigar a criança quando ela
gagueja. Movimentando perto de cem músculos para pronunciar uma palavra, ela
não toma consciência da origem do erro.
Sendo ridicularizado, fica nervosa e gagueja mais ainda.
Nos primeiros anos, pode-se tentar
corrigir a gagueira obedecendo-se às seguintes normas:
Não criticar a
criança por sua dificuldade em falar.
Conversar mais
baixo e mais devagar com ela.
Matriculá-la
numa escola pré-primária, para que possa jogar, brincar, pintar, etc.
Na fase secundária, o indivíduo já
foi classificado por si mesmo e pelos outros como gago. Sente ansiedade ao
falar certas palavras e teme gaguejar,
temor que aumenta ainda mais a possibilidade de que ele gagueje.
Nesta fase é necessário ensinar ao
gago técnicas de respiração para
controle do ritmo da fala e da articulação de frases
O tratamento destinado a
possibilitar à pessoa que fale sem gaguejar consiste em ensina-la a articular
apropriadamente as sílabas e palavras e a construir gradualmente a sua
fluência. O procedimento corretivo tem a finalidade de desenvolver a tolerância
da gagueira, a dessensibilização emocional, a redução da ansiedade e a fala
controlada.
Acreditamos que a gagueira é mais um problema emocional do que da fala.
Assim sendo, seu tratamento é orientado mais no sentido da descoberta do
conflito que o gerou. Normalmente a criança gaga é sensível, emotiva e
insegura, necessitando de uma orientação especial no seu relacionamento.
Estímulos que
diminuem a gagueira
|
|
Auditivos
(quedas-d’água,
trem em movimento, música)
|
# impedem que a pessoa escute sua própria
boz, reduzindo a ansiedade;
# provocam o aumento de intensidade da voz,
fazendo com que a pessoa altere sua maneira de falar;
# “distraem” a pessoa de sua gagueira;
# fazem com que o gago fale mais devagar.
|
Rítmicos
|
# ajudam a regularizar a respiração;
# absorvem a atenção da pessoa fazendo com
que ela fale sob o efeito da distração ( ela só se preocupa em seguir o
ritmo)
# facilitam a sincronização dos movimentos
da fala, permitindo ao gago programar melhor as seqüências articulatórias.
|
Canto
|
# atenua a vocalização da consoante, foco de
maior dificuldade do gago;
# tem efeito rítmico;
# provoca mudança de tonalidade;
# altera a intensidade da voz;
# tem efeito relaxante.
|
Murmúrio
|
# simplifica e
coordena a respiração e a articulação, o que facilita a fluência pois o
problema do gago é falar e respirar ao mesmo tempo.
|
Mudança de
tonalidade
Baixar a
intensidade
|
# pode fazer com que a pessoa se esqueça da
gagueira porque fica absorvida em manter seu novo tom de voz.
# facilita a fluência e a pessoa pode
aprender a falar em tons sussurrantes
|
F – COMO LIDAR COM UMA CRIANÇA
GAGA
Os métodos de tratamento da gagueira variam desde os
exercícios respiratórios até a psicoterapia e a hipnose. No entanto, o objetivo
de todos é comum: fazer com que a pessoa fale de modo aceitável, em qualquer
situação em que o ato de se comunicar seja necessário.
Para a criança gaga, o papel dos
pais é muito importante, mesmo depois que entra na escola, pois nesse período
ela ainda está fortemente identificada com o lar. Sua ambientação escolar,
porém, dependerá muito da atitude do professor, que servirá de modelo para as
reações de outras crianças às manifestações do distúrbio, tanto na sala de aula
como no recreio.
Na classe, há varias formas de lidar
com um aluno gago:
II.5 – DISTÚRBIOS
PSICOMOTORES
Psicomotricidade é a integração
diacrônica das funções motoras com as funções intelectivas que, sendo
adquiridas, através das maturações orgânicas e experiências neuro-motoras, de
uma forma harmoniosa e em condições psicológicas consideravelmente sadias
resultarão num processo dinâmico de capacitação global para a aprendizagem,
como um todo.
Os distúrbios psicomotores
surgem em conseguência de
alterações na estrutura dos
elementos responsáveis pelo desenvolvimento
psicomotor, que podem ser descritos da seguinte forma:
1-
Organização do esquema corporal
É o processo fundamental do conhecimento e
representação de seu próprio corpo, numa estruturação interna, que vai permitir a inter-relação de
suas partes e a sua relação com o mundo exterior; a organização do esquema
corporal é o fator básico do desenvolvimento de todas as manifestações motoras
da criança.
Para a boa organização do esquema corporal é
necessário que seus três níveis estejam integrados:
# imagem ou percepção corporal
É a consciência
e o conhecimento da criança em relação ao seu próprio corpo; basia-se nas suas
experiências corporais levando-a gradualmente, a perceber os diferentes
elementos que formam o seu corpo, associando-os de uma forma cada vez mais
coordenada e complexa.
# Controle corporal
É a
possibilidade de controlar os movimentos de seu corpo para alcançar,
gradualmente, a independência dos mesmos e as necessidades corporais para uma
completa ação motora.
#Conceito corporal
É a possibilidade
de verbalizar os conceitos corporais,
tais como designar seus nomes e descrever suas funções.
Outro fator que concorre para uma
boa organização do esquema corporal é a necessidade de que as diversas
estruturas anatomo-funcionais que formam os melhores mecanismos de interação
que regulam os impulsos gerados pelos receptores periféricos e as respostas
neuro-musculares, através de complexos circuitos de retro-alimentação, estejam
em perfeita sincronização, pois são os responsáveis pelo sistema postural.
O sistema postural é que determina
as possibilidades de realizar corretamente alguma ação de utilidade em uma
posição determinada(equilíbrio), assim como a sua potencialidade corporal,
ambas responsáveis pela manutenção das relações do corpo no espaço a fim de
procurar posições que permitam uma atividade definida e útil.
Logo, as primeiras manifestações do
sistema postural são fundamentais para a configuração do desenvolvimento
psicomotor, tais como a posição da cabeça(seu papel no equilíbrio é fundamental)
e sua sustentação, os quadris, as mãos e os pés e seus respectivos padrões de
arrastar, engatinhar, sentar, erguer-se com apoio e ficar em pé liberando os
movimentos de seus membros superiores.
Contribuindo para o quadro de
organização do esquema corporal encontramos a relação das primeiras informações
recebidas pela criança e que são chamadas viceroptividade (impressões
viscerais), proprieceptividade( impressões dos músculos, articulações e
tendões) extereoceptividade( mpressões através da pele e de outros órgãos
sensoriais).
A visceroptividade,
proprioceptividade e extereoceptividade são os sistemas que permitem a criança
uma conexão consigo mesma e com seu meio externo, levando o seu sistema nervoso
a receber informações sobre o próprio corpo.
De certa forma podemos afirmar que
estes três sistemas estão compreendidos na formação da imagem corporal.
Finalmente, ressaltamos que é necessária uma evolução afetiva harmoniosa,
com contatos bem sucedidos e aceitação integral da criança pelo meio, para que
ela possa vir a organizar de uma forma adequada seu sistema corporal.
2 – Práticas Motoras de Base
Para que
uma criança adquira uma estruturação nas suas condutas motoras de base é
necessário que seu equilíbrio esteja muito bem trabalhado, pois dele dependem a
coordenação dinâmica gera e as ações diferenciadas dos membros superiores.
Uma criança que apresenta um padrão
de equilíbrio defeituoso terá um desgaste muito grande para executar suas
funções motoras e até intelectuais, levando-a a um quadro de fadiga, geralmente
responsável por distúrbios de atenção e de concentração.
As alterações dos padrões de
equilíbrio podem ser decorrentes dos estados psíquicos de ansiedade ou
insegurança que afetam o desenvolvimento do tônus muscular.
A coordenação dinâmica geral é uma
conduta motora de base responsável pela ação simultânea de grupos musculares
diferentes com vistas a execução de movimentos voluntários mais ou menos
complexos.
Podemos considerar como movimentos
inferiores ou em simultaneidade com os membros superiores tais como: correr,
saltar, trepar, marchar,arremessar, etc...
Ainda nas condutas motoras de base,
encontramos a coordenação dinâmico-manual, que é responsável pela precisão,
rapidez e força muscular dos movimentos de membros superiores especialmente das
mãos, trazendo implicitamente uma prévia coordenação visomotora.
A coordenação visomotora e o
movimento manual corretamente realizado em resposta a um determinado estímulo.
Como causa de uma má coordenação visomotora podemos considerar a precária
coordenação da dinâmico-manual, que por sua vez depende de capacidade de
dissociação de movimentos, de um controle inibitório e da coordenação olho/mão.
Logo, é necessário que fique bem
claro que a má coordenação visomotora pode ser em função de um retardo na
maturação sinergia interferindo no ato motor da mão ou do mau controle das
sinergias pela visão, ou até nas duas funções.
3 – Pràticas
Neuro-Motoras
Dentro do quadro das condutas
neuro-motoras classificamos as crianças que apresentam dificuldades na
dissociação e inibição dos movimentos necessários a um determinado ato motor.
Encontramos,pois, as
sincinesias que são manifestações da
organização anômala da motricidade.
As sincinesias podem ser:
# Global – quando ao realizar um esforço em qualquer parte do corpo
aumenta globalmente hipertonia;
# De imitação ou de reprodução – quando o transtorno motor só afeta
metade do corpo fazendo com que a parte enferma reproduza os movimentos da
parte Sá.
# De coordenação tônicas – quando há uma impossibilidade de contrair
isoladamente um músculo, sem que apareça a contração de outros músculos. As
sincinesias tônicas traduzem uma
incapacidade na organização motora.
A paratonia
também considerada como distúrbio neuro-muscular e caracterizada pela persistência
de uma certa rigidez muscular proveniente de uma incapacidade de inibição
voluntária.
Os prejuízos da dominância lateral,
apesar de estarem classificados nos distúrbios de linguagem.
4 – Práticas
Percepto-Motoras
Dentro do quadro de atividades percepto-motoras
encontramos a organização espacial, a orientação temporal e o ritmo.
A organização espacial é formada
pela relação espacial e a posição no espaço.
Orientação temporal – é a
incapacidade de apreensão da duração da colocação no tempo, de situar o
presente em relação a um antes e um depois, de distinguir o rápido do lento,o
sucessivo e o simultâneo, a ordem das aparições e o princípio e o fim das
experiências.
Para compreender o “tempo” é
necessário compreender que cada indivíduo possui um tempo próprio e biológico,
e um tempo externo ao qual deve adaptar-se. O tempo próprio é resultante de
características e pode variar de uma pessoa para outra sem implicar em
anormalidades. O tempo externo é assimilado através de impressões de uma certa
seqüência em sua vida diária
(acomodando-se reflexamente a um determinado ritmo).
Aos três anos de idade a criança já
adquiriu as noções tempo-espaciais, apesar de ainda não denominar os
acontecimentos e diferenciar o amanhã de ontem ou manhã de tarde. Aos 6 anos
essas primeiras noções já estão fixadas.
A criança com distúrbios de
orientação temporal pode apresentar dificuldades em perceber e reproduzir
estruturas rítmicas, relembrar a seqüência de fatos, empregar corretamente
tempos verbais.
O ritmo se desenvolve
proprioceptivamente desde os primeiros passos que eram descompassados até a
aquisição de uma maneira com metria e ritmo. Na área da linguagem, o ritmo é
estruturado a partir das manifestações orais, que com um feed-back de seu meio
ambiente vai sendo desenvolvido aos poucos.
5 – Conhecimento e
Expressão
Nesse quadro podemos classificar as
crianças que já operam as funções de representação simbólica utilizando o
significado e o significante.
É justamente neste estágio em que a
memória encontra-se desenvolvida em toda as suas formas a base de todas as
aquisições neuro-psicomotoras já estruturaram-se de tal forma que permitem a
criança diferenciar, associar e transmitir, ou seja estar apta a participar do
processo de comunicação através da fala e da escrita.
Dentro de um quadro clínico em que a
criança apresenta inteligência normal, classificamos os distúrbios psicomotores
em:
# Instabilidade
Psicomotora – cuja característica principal é a atividade muscular continua e
incessante, podendo ate permanecer durante o sono; além disso a instabilidade
atinge as funções intelectuais, apesar da criança apresentar inteligência elevada; geralmente
encontramos alterações na sua coordenação geral, hiperatividade, dificuldade de
ajustamento ao meio e distúrbios de
aprendizagem, entre outros.
o
INDISCIPLINADO OU HIPERATIVO? (como identificar os alunos que sofrem do
distúrbio de atenção e ajuda-lo a continuar aprendendo) “Paola Gentile”
Na sala de aula ele é o “pestinha”: arranca os brinquedos dos colegas,
anda de um lado para o outro, não fica mais de dois minutos sentados no mesmo
lugar. Nunca termina as tarefas solicitadas e sai da sala várias vezes sem
pedir licença. Em algumas ocasiões, chega a ser agressivo. Esse comportamento,
geralmente confundido com indisciplina, é característico de um distúrbio de
atenção que atinge cerca de 5% das crianças e adolescentes de todo o mundo: a
hiperatividade. Conhecer os sintomas e aprender a lidar com esse problema é uma
obrigação de qualquer professor que não queira causar danos a seus alunos.
Afinal, a demora em diagnosticar o caso pode trazer conseqüências sérias para o
desenvolvimento da criança.
Alan Akel, de 12 anos, sofria nas aulas e teve de atrasar seu aprendizado
(hoje está numa classe intermediária entre a 3° e a 4° série) porque a direção
da escola que freqüentava, em São Paulo, não identificou que havia algo de
errado em seu comportamento. Os pais foram obrigados a retira-lo do
estabelecimento e só descobriram que o filho era hiperativo quando a direção de
outro colégio os orientou a procurar um médico.
Embora prejudique a capacidade de concentração e atenção, a hiperatividade é facilmente tratável. Além
da medicação, a reorientação pedagógica
na escola ajuda o aluno a não perder rendimento. Alan, por exemplo,
apresentou melhoras assim que passou a ter um atendimento especial. “Ele é
inteligente e consciente de seu problema, o que faz com que controle melhor a instabilidade
emocional”, afirma Egle Mazzocchi de Souza, coordenadora pedagógica da Essência
Equipe de Ensino, onde ele estuda numa turma com apenas seis crianças e dois
professores.
Professor, observe!!
Segundo o psiquiatra Ênio Roberto de Andrade, coordenador do Ambulatório
de Transtornos de Deficiência de Atenção do Hospital das Clínicas, de São
Paulo, a hiperatividade só fica preciso
aumentar o nível de concentração para aprender. “O diagnóstico clínico, no
entanto, deve ser feito com base no histórico da criança”, explica. “por isso,
a observação de pais e professores é fundamental”.
Geralmente, os hiperativos se
mexem muito durante o sono quando bebês. São muitos mais estabanados assim que
começam a andar. Ás vezes, apresenta retardo na fala, trocando as letras por um
período mais prolongado que o normal. Em casa, esses sintomas nem sempre são
suficientes par definir o quadro. Na escola, porém, eles são determinantes.
O distúrbio ainda não tem uma
causa única comprovada. Sabe-se que a origem é genética e que seus portadores
produzem menos dopamina,um neurotransmissor responsável pelo controle motor e
pelo poder de concentração, que atua com maior intensidade nos gânglios
frontais do cérebro. Isso explica o fato de os hiperativos não se concentrarem
e esquecerem facilmente o que lhes é pedido. Pela alta incidência em meninos –
cerca de 80% dos casos - , acredita-se que o problema possa estar relacionado
também ao hormônio masculino testosterona .
Paciência e disponibilidade.
Três fatores principais ajudam a distinguir o hiperativo da criança que
tem apenas um distúrbio de atenção mais leve e daquela que busca apenas chamar
a atenção: a continua agitação motora, a impulsividade e a impossibilidade de
se concentrar, seja em brincadeiras ou em atividades pedagógicas. Essas
atitudes devem ser constantes durante pelo menos seis meses seguidos (leia no
quadro ao lado outros sintomas típicos)
“Os professores que têm alunos hiperativos precisam de paciência e
disponibilidade, pois eles exirgem tratamento diferente, mais atenção e uma
rotina especialmente estimulante”, afirma Regina Borella, orientadora pedagógica
do Colégio Pueri Domus, de São Paulo. Ela viveu essa situação quando Vicente,
de 5 anos, foi matriculado no Pueri. Os pais chegaram avisando que o filho
precisava de limites claros, pois era “desobediente e mal-educado”
Bastaram dois meses para a
educadora suspeitar de hiperatividade. A escola, então, sugeriu aos pais uma
consulta com um psiquiatra ou neurologista para confirmar o diagnóstico e,
simultaneamente, passou a trabalhar de forma diferenciada com o garoto. Ele era
colocado junto de alunos mais tranqüilos, para que sua agitação não encontrasse
seguidores, e nas atividades de roda a professora estava sempre ao seu lado.
Regina chegou a criar uma regra contra
as “fugas” da sala: todas as manhãs, Vicente faz três riscos com um giz no quadro-negro. É o número de
vezes que pode sair. Sempre que se levanta, ele apaga uma das marcas. O limite
funcionou. Hoje, o menino se controla mais antes de deixar a classe.
Trabalho com os pais
Nem sempre os pais admitem que o filho é hiperativo. “muitos acham que a
criança é esperta demais e, por isso, está sempre interessada em novidades”,
afirma Helena Sâmara, diretora da Escola móbile, de São Paulo. “Além disso,
eles acreditam que o tratamento com medicamentos pode tirar a espontaneidade do
pequeno”.Helena tem dois alunos nessa situação matriculados sem suas turmas .
Para um deles, a escola desenvolve sozinho um trabalho pedagógico intensivo,
pois os pais não aceitam o diagnóstico.
“Em casos leves, o distúrbio pode ser tratado apenas com terapia e
reorientação pedagógica”, diz o psiquiatra Ênio de Andrade. ‘”Os casos graves
necessitam de tratamento com medicamentos.” O tratamento é feito por um período
mínimo de dois anos, mas deve durar até a adolescência , quando os sintomas diminuem
ou desaparecem, graças ao amadurecimento do cérebro, que equilibra a produção
da dopamina.
Baixa auto-estima
Para a psicóloga Mônica Duchesne, da Associação Brasileira do Déficit de
Atenção, outra conseqüência da hiperatividade é a baixa auto-estima das
crianças, que surge quando elas notam que são diferentes das demais – em alguns
casos, são as únicas a não concluir o dever. “Isso pode criar um estigma que
traz repercussõesd sociais”, analisa.
O aluno Matheus, da Móbile, cujos pais também refutam o diagnóstico de
hiperatividade, sofreu essas conseqüências. Ele se sentia inferior porque era
repreendido por seu comportamento agressivo. As professoras, então , começaram
a elogiar o que ele produzia. Seis meses depois, Helena Sâmara notou diferença:
“Ele está afável com os amigos e
já´relata em casa o que faz na escola, sinal de que sua percepção aumentou”.
Para Mônica, se a hiperatividade não for adequadamente tratada na
infância, pode deixar seqüelas na fase adulta, como desorganização para
executar tarefas e rotinas di´rias, distração
excessiva, sonolência diurna e cansaço mental. Além disso, a pessoa corre o
risco de se tornar hipersensível a críticas e irritadiça, aprensentar aparente
falta de motivação e rancor exagerado, bem como problemas de memorização.
Como lidar com a agitação dos alunos:
Ø
Crianças hiperativas podem apresentar melhoras
consideráveis sem eu comportamento e desenvolvimento pedagógico se algumas
regras forem consideradas. Aí vão as sugestões da psicóloga Mônica Duchesne e
do psiquiatra Ênio Roberto de Andrade:
Ø
Trabalhe com pequenos grupos, sem isolar as
crianças hiperativas;
Ø
Dê tarefas curtas ou intercaladas, para que
elas possam concluí-la antes de se dispersar;
Ø
Elogie sempre os resultados;
Ø
Use jogos e desafio para motiva-los;
Ø
Valorize a rotina, pois ela deixa as crianças
mais seguras, mas mantenha sempre elevado o nível de estímulo, através de
novidades no material pedagógico;
Ø
Permita que elas compensem os erros:
sutilmente, faça-as pedir desculpas quando ofenderem os colegas ou
convença-as a arrumar a bagunça em classe;
Ø
Repita individualmente todo comando que for
dado ao grupo e faça-o de forma breve e usando sentenças fáceis de entender;
Ø
Peça a elas que repitam o comando, para ter
certeza de que escutaram e
compreenderam o que você quer;
Ø
Dê uma função oficial às crianças, como a de
ajudante do professor, isso pode melhorar o rendimento delas com os colegas e
abrir espaço para que elas se movimentem mais;
Ø
Mostre os limites de forma segura e tranqüila,
sem entrar em atrito;
Ø
Oriente os pais a procurar um psiquiatra, um
neurologista ou um psicólogo.
|
Teste pode ajudar no diagnóstico
O site da Associação Brasileira
do Déficit de Atenção (ABDA) divulga um teste para auxiliar no diagnóstico da
hiperatividade. Para o teste ter validade, os sintomas devem aparecer antes dos 7 anos de idade e
persistir por pelo menos seis meses, sem que
criança se dê conta deles, e em grau incompatível com o nível de desenvolvimento
dela. Há um módulo específico para hiperativos, aquelas crianças que
apresentam com freqüência pelo menos seis dos
dez sintomas descritos a
seguir. O teste serve como auxílio para professores e orientadores na escola,
mas é preciso ter em mente que o diagnóstico final deve ser feito sempre por
um médico. Por isso, oriente os pais a pedir ajuda especializada quando a
criança:
q Agita
mãos ou pés ou se remexe na cadeira;
q Abandona
sua cadeira sem sala de aula ou outras situações nas quais se espera que
permaneça sentada;
q Corre
ou escala em demasia em situações impróprias;
q Tem
dificuldade para brincar ou se envolver silenciosamente em atividades de
lazer;
q Está
sempre “ a todo o vapor”;
q Fala
demais;
q É
impulsiva;
q Dá
respostas precipitadas, antes de ouvir a pergunta inteira;
q Tem
dificuldade de aguardar sua vez;
q Se
intromete na conversa dos outros ou a interrompe;
q Tem
dificuldade para seguir instruções;
q Perde
objetos com freqüência;
q Enfrenta
os perigos sem avaliar os riscos.(Revista Nova Escola, n° 132 – Maio de 2000,
pg. 30 à 32.)
|
“Hiperatividade – é um distúrbio de
atenção que atinge cerca de cinco por cento das crianças e adolescentes de todo
o mundo. Embora prejudique a capacidade de concentração e atenção,a
hiperatividade é facilmente tratável.
Além de medicamentos, a reorientação
pedagógica na escola quando é necessárip aumentar o nível de concentração para
aprender, embora o diagnóstico deva ser feito com base na história da criança.
A origem do distúrbio pode ser de
origem genética, segundo algumas pesquisas, e
os seus portadores produzem menso dopamina, um neurotransmissor
responsável pelo controle motor e pelo poder de concentração.” (CND- Curitiba –
Paraná, 2003)
“Se uma
criança não pode aprender da maneira que é ensinada, é melhor ensina-la da
maneira que ela pode aprender”. ( Marion Weichmann)
|
# Debilidade Psicomotora
– cuja característica principal é a presença de paratonia e sincinesias; além
disso a debilidade atinge a socioabilidade que esta prejudicada por isolamento,
geralmene encontramos hipoatividade e distúrbios de aprendizagem, entre outros.
Finalizando este capítulo,
descreveremos um distúrbio da escrita que é classificado como um distúrbio
psicomotor.
A – DISGRAFIA
É um distúrbio que se apresenta por dificuldade no controle de movimentos
para a escrita. Classificamos disgrafia dentro de distúrbio psicomotor, por ser
a coordenação de um sistema de movimentos eu determinam, comandam e dominam os
atos motores, incluindo a escrita.
“Na disgrafia a criança apresenta dificuldade em passar para a escrita o
estímulo visual da palavra impressa, é o que chamamos de “letra feia”.
Podemos caracterizar a disgrafia também pela lentidão no traçado das
letras. As principais características da
disgrafia:
q Apresentação
desordenada de um texto;
q Inexistência
ou dificuldade em fazer margens;
q Espaço
irregular entre as palavras, linhas;
q Traçado
de má qualidade;
q Distorção
da escrita oscilando para cima e para baixo;
q Separação
inadequada das letras;
q Ligações
defeituosas de letras.” (CND- Curitiba – Paraná, 2003)
Classificamos
disgrafia dentro de distúrbios psicomotor, por ser a coordenação de um sistema
de movimentos que determinam, comandam e dominam os atos motores, incluindo a
escrita.
Causas:
·
Distúrbios psicomotores;
·
Dominância manual contrariada;
·
Problemas emocionais;
·
Portadores de D.C.M;
·
Falhas de ordem pedagógica, caracterizadas pelo
desconhecimento do movimento da letra;
·
Nível de exigência, por parte de pais e
educadores, que inibindo o processo de grafismo natural, exijam coloridos
dentro de limites, cobrir linhas pontilhadas, etc.;
·
Nível de exigência e cobrança para que a criança
copie seu nome com perfeição (pré-escola);exigência através de “cadernos
especiais” para “melhorar a letra” e “cadernos de pauta dupla” que , para nos,
atrapalham e inibem um processo normal e natural que muito influi na expressão
do pensamento através da escrita;
·
Perseverança de exercícios gráficos ligados a
copias de palavras frases e textos exaustivos;
·
Falhas na estruturação do esquema corporal;
·
Áreas de percepção visual prejudicadas (figuras
– fundo), coordenação viso-motora, constância de percepção, relação espacial e
posição espacial.
Características:
·
Letra excessivamente feia ou ilegível;
·
Micrografia (letra muito pequena);
·
Macrografia ( letra excessivamente grande);
·
Dificuldade em seguir o movimento da letra, da
palavra, da frase e do texto, num espaço determinado e até mesmo ilimitado e
livre;
·
Repassamentos.
Convém lembrar
que os amplos movimentos são comandados por uma pequena área cerebral, ao passo
que os pequenos ou finos movimentos são executados por uma grande área
cerebral.
Sendo assim, para nós, torna-se mais fácil
reabilitar partindo de uma pequena área, conseqüentemente, dos grandes
movimentos afetados para chegar até as grandes áreas cerebrais que comandam a
multiplicidade dos grandes movimentos.
Nosso pensamento esta voltado
para as individualidade de cada pessoa
dentro deste conceito, não nos cabe rotular de disgráficos apenas os que apresentam letra feia, pois não
podemos, não devemos e não queremos
modificar o traçado gráfico da criança que passa da idade pré-escolar. Cabe-nos respeitar e
aceitar suas limitações e até as imposições de sua forma de expressão gráfica.
Nosso aconselhamento aos
educadores e pais é que pesquisem, cuidadosamente, as causas para depois
trata-las de forma terapêutica adequada
e não através de exercícios inadequados, tradicionais, cansativos e até
repressores que só tendem a agravar o quadro.
Os exercícios indicados, entre
outras atividades específicas, são os de coordenação global dinâmica,
equilíbrio e coordenação viso-motora, além do uso adequado de materiais
específicos, como as borrachas adaptáveis aos lápis, que proporcionam melhor
acomodação dos dedos facilitando o apoio motor para a escrita.
De nossa parte, procuramos
reabilita as disgrafias numa sintonia com a criança e suas limitações, a escola
e a família, para que o resultado seja alcançado em menor espaço de tempo e sem
violentar a criança.
III – INDISCIPLINA EM
SALA DE AULA E NA ESCOLA
É um grande desafio que os
educadores têm encontrado em relação à indisciplina em sala de aula e na
escola, tanto na pública como também na particular, todavia com manifestações
diversas. Sabemos também que não se
trata de um problema apenas brasileiro, apesar das pecularidades encontradas
aqui; temos relatos por exemplo, de gangues estudantis que têm batido nos
professores na França,São Paulo até em Barbosa... do alto número de mortes públicas
(brasileiras e americanas) fruto da violência, das conseqüências nefastas da
rígida disciplina japonesa, levando ao suicídio e à falta de criatividade.
Esta questão tem
ocupado um espaço cada vez maior do cotidiano escolar no País. É grande também
a insatisfação daí decorrente, chegando até a se constituir em causa de
abandono do magistério. Houve época em que a reclamação partia de professores
da 5ª ou 6ª série; depois começou a vir dos de 3ª e 4ª , sendo que atualmente
tem vindo até dos que lecionam na Pré-escola... Gostaríamos de deixar claro que
não estamos generalizando, mas procurando apontar uma tendência, que é
preocupante e precisa ser revertida.
3.1 - RUMORES DOS PROFESSORES
“A falta de interesse está muito
grande. Os alunos estão dispersos, não respeitam mais o professor, estão
vivendo em outro mundo. A tecnologia avançou demais e o professor infelizmente
não acompanhou, ficou desinteressante para eles. Eles estão acostumados a
apertar botão de videogame, de computador, a ver televisão e aí aparece o
professor com apagador e giz... O professor não está conseguindo ter domínio,
as aulas estão muito no passado, muito antigas. Os meios de comunicação ao
invés de ajudar estão atrapalhando: programas muito violentos. Não está
existindo liberdade com responsabilidade. As crianças de hoje são mais espertas
do que antigamente. A família não tem colaborado; os alunos vêm sem limites de casa. Geralmente há
até conivência dos pais: o professor nunca tem razão. Há muitos problemas
familiares. A própria família não sabe o que fazer; a mãe fala: ‘o que eu faço
com ele? Vou matar?. A disciplina em sala de aula extrapola totalmente e aí não
tem jeito, só se bater e bater não pode. Eu não sei o que fazer com a classe.
Tem hora que dá vontade de bater em todo mundo. Ás vezes, o professor é
completamente ignorado na sala de aula ; você entra e parece que não entrou
ninguém. Por que se dá tanta regalia para os alunos e o professor é tão
esfolado em sala de aula ? Como manter uma aula decente se você não tem material pedagógico, não tem
condições de trabalho, não tem nada? Você vai tentar punir o aluno, não pode
porque a direção não deixa, o Estado não permite, os pais não permitem... Há
também a indisciplina social. Há muita impunidade na sociedade: as pessoas
fazem coisas e não acontece nada com elas. Falta perspectiva ao jovem: não sabe
para que estudar. Aluno diz:’eu vou ser jogador de futebol, não preciso de
estudo’.vai ganhar muito mais do que eu... às vezes, muitos de nós,
profissionais da área, ficamos desmotivados pois o professor não ganha tão bem.
O professor também se desmotiva: ‘Ah, para que eu vou mudar? Para que fazer meu planejamento assim? Ah, uso o do ano passado’. O que fazer
quando aluno desrespeita muito o professor e depois diz assim:’não me amole que
hoje eu já fumei maconha?’ Como explicar que a classe é disciplinada com
determinado professor e não é com outro?
É preciso ver a postura do professor, o método que utiliza. Continuamos com
métodos elitistas e arcaicos. O que é para nós disciplina? É a prática do silêncio ? “
Podemos perceber alguns focos da
queixa: o aluno, seu desinteresse, decorrente da tecnologia a que tem acesso
fora da escola; os meios de comunicação, a sua
influência negativa; a família, não cumprindo seu papel; a escola, que
não apóia o professor; a sociedade, sua (des) organização; e, depois de um
certo tempo, chega-se a colocar em questão a própria relação pedagógica.
Só por este breve levantamento,
podemos ver como o problema da disciplina está ligado a uma série de outras
questões; não dá para falar de disciplina de uma forma isolada em relação à
realidade maior.
3.2
-DIFICULDADE
A questão da disciplina pede,
para seu enfrentamento, a ajuda de um conjunto de áreas do conhecimento, como a
Sociologia, Antropologia, Psicanálise, Ética, Política, Psicologia, Economia,
História, Tecnologia, Comunicação Social, além dos próprios saberes pedagógicos. Outro fato as ser considerado é que a disciplina é
apenas um aspecto do processo de educação escolar, que por sua vez também é
extremamente complexo e exigente, uma vez que se trata de participar da
formação, ao mesmo tempo, de trinta, quarenta ou mais sujeitos. Que outra
atividade humana apresenta tal nível de dificuldade?
O “único” problema do professor é
que lê é um sujeito concreto – não é anjo, um ser abstrato -, que trabalha com alunos também concretos, numa
realidade concreta; se não fosse isto, tirando a concretude do real, seria
superfácil ser professor, mas aí também não haveria necessidade de sua
existência...
Temos uma clareza: ser “mediador” de
aula, “uma tia” que toma conta de aluno é fácil, mas ser professor, no seu
sentido radical, não é fácil não. Por isto o professor precisaria ser muito bem
formado (como os alunos do curso CND – IESDE)
e muito valorizado.
3.3 - PAUSA
PARA REFLEXÃO (Limites e Possibilidades)
De certa forma, o
professor “já sabe” o que deve fazer: em algum momento de sua vida já ouviu
falar ou vislumbrou uma possibilidade de como deveria agir. No entanto, muitas
vezes, não o faz. Por quê?
a)
Não acredita mais profundamente, não está convencido:
Da proposta em si – não tem segurança de que seja o caminho certo;
Da eficácia da proposta – acha que talvez seja muito pouco em relação ao
tamanho do problema, que não vai resolver.
b)
Não sabe como fazer; uma coisa é ter ouvido falar,
outra é ter competência para colocar aquilo em prática.
c)
Não vê condições de fazer:
Seja efetivas (fruto de uma análise mais criteriosa da realidade);
Seja fruto de sua percepção, sem muita base no real.
O fazer do sujeito depende do querer
e do poder, que se relacionam dialeticamente, já que, por exemplo, o não ver
possibilidade acaba diminuindo o desejo de fazer. O poder, por sua vez, tem uma
base objetiva, que são as condições mínimas para a ação; e uma base subjetiva,
que é o saber fazer. Há também aqui uma relação entre estas dimensões, uma vez
que a base objetiva pode ser alterada justamente pela ação consciente do homem,
portanto orientada pela base subjetiva.
Qual seria, então, o papel da
reflexão?
Procurar
resgatar o professor como sujeito, seu desejo, projeto, sentido, querer;
Desmontar alguns
mitos que funcionam como obstáculos epistemológicos;
Apontar alguns
caminhos, alternativas, que estejam ao seu alcance (não algo “estratosférico”),
em termos tanto de processo,
quanto de propostas de ação.
O problema da indisciplina esta
angustiando cada dia mais os educadores em geral e os professores em particular.
A grande pergunta que está na cabeça de todos é: o que fazer? Embora esta
questão seja da maior importância e deva ser respondida, entendemos que, outras
duas devem ser enfrentadas: o que está acontecendo? É comum ouvirmos o
seguinte: “já sabemos em qual é o problema, até porque o sofremos na pele.
Queremos é solução”. No entanto, o que temos observado é que padecemos, mas não
compreendemos o problema; no trabalho científico costuma-se afirmar que definir
bem o problema é já ter 50% da solução...
3.4
- SINOPSE DA REALIDADE
O que está acontecendo? Como
entender a questão da indisciplina escolar? O que está por trás da manifestação
do problema ?
3.4.1 - Tentar compreender o que está acontecendo
Antes de mais nada, é preciso
compreender que houve profundas mudanças na escola, na sociedade e nas suas
relações. Parece difícil aos educadores darem-se conta disto. O saudosismo ou o
espírito de acusação estão muito fortes no cotidiano da escola. Agredidos,
procuram inconscientemente algum alvo onde possam descarregar suas mágoas, suas
incompreensões...
Sempre que pensamos em disciplina,
logo nos vêm à mente as idéias de limites (restrição, frustração, interdição,
proibição, etc.) e de objetivos (finalidades, sentido para o limite colocado).
A nosso ver, a crise da disciplina escolar hoje está associada justamente à
crise da disciplina escolar hoje está associada justamente à crise de objetivos
e de limites que estamos vivenciando.
3.4.2 –
Alteração de sentidos
Do ponto de vista dos objetivos, há
uma alteração geral de projetos, de sentidos para as coisas, em nível tanto
mundial quanto nacional, tanto institucional quanto pessoal, tanto ideológico
quanto sociopolítico-cultural. Há um sentimento generalizado de “geléia geral”,
que se manifesta na desconfiança em relação à razão, no “fim da história” e das
utopias, no “salve-se quem puder”, no “procure curtir ao máximo a sua vida já”
etc...
Na escola, esta crise se manifesta
de muitas formas, mas com certeza uma das mais difíceis de enfrentar é a
absoluta falta de sentido para o estudo por parte dos alunos. A pergunta
“estudar para quê”, nos parece, nunca esteve tão forte na cabeça dos alunos
como agora. A famosa resposta dada por séculos, “estudar para ser alguém na
vida”, chega a provocar risos nos alunos, ante a clara constatação de inúmeras
pessoas formadas, porém desempregadas ou muito mal remuneradas. Estamos vivendo
a queda do mito da ascensão social através da escola !! Como entender isto ?? O
esquema a seguir procura sintetizar a
mudança que ocorreu nos últimos anos:
CRESCIMENTO
DOS DIPLOMADOS
MAIS ALUNOS
FORMADOS
RESULTADO:
Mais alunos com diploma na mão e desempregados!!!
|
QUEDA DA
NECESSIDADE DE MÃO DE OBRA QUALIFICADA
MENOS EMPREGOS
|
Este sentido extrínseco ao processo
pedagógico foi a tábua de salvação de muitos professores: os alunos não viam
sentido no que estavam fazendo, mas tinham em mente a perspectiva de uma
recompensa mais tarde. Este era o “projeto educativo” de milhares de
educadores. Hoje, os alunos continuam não vendo sentido nas práticas de sala de
aula, e não vislumbram mais um futuro promissor pela via do diploma. O
professor que baseava sua autoridade neste mito está perdido. E, o que é pior,
não tem conseguido articular outro sentido para o conhecimento, a escola, o
estudo.
A escola ficou protegida de suas
contradições internas por muito tempo em função de sua relação de “parceria”
com o mercado de trabalho. Esta motivação extrínseca – já que não estava
ancorada na própria relação pedagógica – encobria e tornava “suportável” o que
lá acontecia, tendo em vista o prêmio posterior (“Sofro agora, mas depois terei
um bom emprego, serei alguém na vida”). Estamos diante do autêntico problema,
que não é absolutamente novo, mas que agora – finalmente, nos parece – tem de
ser enfrentado...
Esta situação em que vemos muitos
professores alienados, fazendo o que lhes mandam (“tenho de cumprir o
programa”, “Tenho de dar tarefa, senão os pais reclamam” etc), não deveria nos
surpreender, pois é justamente isto que a escola vai ensinando desde cedo aos
seus alunos: obedecer sem questionar !! (e o professor foi aluno por muito
tempo e para ter “sucesso” provavelmente teve de se submeter às regras do
jogo). No atual momento, quando os alunos passam a se rebelar, alguns
professores parecem meio indignados, traídos: “Ué, podia fazer isto?? Por que
não fizemos no nosso tempo?? Por que obedecemos passivamente?? Por que
engolimos os “sapos” ??”. Parece haver uma sutil inveja do professor em relação
ao seu aluno, que agora contesta, questiona, busca o sentido das coisas...
Este “estouro” do problema
disciplinar na escola é, com certeza, um sinal, que precisa ser decodificado,
entendido.
3.4.3 - Alterações dos limites
Ora, só esta ausência de projeto já
seria suficiente para provocar um grande estrago na sala de aula e na escola,
afinal “para que me comportar se não vejo sentido naquilo que estou fazendo??”.
Mas a este fator vem-se acrescentar outros dois, um de ordem circunstancial e
outro estrutural. De um lado, tudo isto está acontecendo justamente no momento
em que os professores estão submetidos às mais desfavoráveis condições de
trabalho dos últimos tempos: má formação, salários miseráveis, número excessivo
de alunos em sala, falta de material didático apropriado, falta de espaço de
trabalho coletivo constante na escola etc. De outro lado, temos a crise dos
próprios limites, alimentada pela necessidade de um mercado baseado na
exacerbação do consumo.
Nesta perspectiva, a quebra de
limites é fundamental para poder alimentar a lógica do consumismo, e o grande
alvo desta guerra é a criança, elo mais fraco da corrente. Basta ver o número
de propagandas dirigidas às crianças ou mesmo usando crianças como chamariz,
pois se descobriu que, além de seu consumo direto, a criança hoje tem forte influência no consumo da família, chegando a
decidir desde o tipo de eletrodoméstico até a marca de carro a ser comprado.
Quebrar limites – especialmente da criança – tornou-se, pois, fundamental. É um
processo social de infantilização, onde é preciso satisfazer rapidamente os
desejos sob o fantasma da frustração e até mesmo do “trauma”. O importante
é viver bem o aqui e o agora – vejam a
relação com a crise dos objetivos -, desfrutar, fruir. Na casa ao lado de minha
mãe no Paraná , uma criança (alguns anos atrás, hoje ela já e casa e a menina
dela de 15 anos já e mãe),com uma série
de atos de protesto, no caso que os pais se recusaram a leva-la ao shopping
durante as férias (ex. bater o pé, não comer, ligar para a avó, etc, manha pura
) e ainda presenciamos este fatos até hoje...Mas fico perplexa com alguns pais,
chegam a esboçar justificativa diante da tirania dos filhos: “Veja como meu
filhinho já tem personalidade”...
Cremos que está suficientemente
claro como família também é vítima deste
processo: de centro de convivência e espaço de formação básica do ser humano,
transformou-se, na ótica da classe dirigente, em unidade de restabelecimento de
força de trabalho e de consumo, impelidos, por um lado, para o trabalho em
função da queda progressiva dos salários e, por outro, massacrados pelos meios
de comunicação, os pais acabam caindo no círculo vicioso: desejo de consumo –
busca de recursos – mais trabalho – menos tempo de convivência com filhos –
culpa – menos limites – liberação para consumo – mais necessidades de recursos
...
Bem, a partir destas ligeiras
pinceladas, podemos ver o tamanho do problema cujos reflexos estamos
enfrentando na escola.
3.4.4 –
Obstáculos epistemológicos
Quando analisamos a posição dos
educadores em relação ao problema
disciplinar, encontramos certas representações mentais, incorporadas
mais ou menos fortemente, mais ou menos conscientemente, que podem funcionar
como “obstáculos epistemológicos” e, se não forem levantas em conta, dificultar
em muito a construção de novas perspectivas de ação dos educadores. Vamos citar
três que nos parecem muito presentes atualmente.
3.4.5 –
Espera da “fada madrinha”
A situação anda tão difícil que
muitos professores andam sonhando com “fada madrinha, porções mágicas”. Isto
chega até ser expresso em tom de brincadeira nos encontros, mas com tal
freqüência que não pode ser considerada apenas como caso isolado ou
brincadeira..
O que significaria uma solução
mágica?? Basicamente, tratar-se-ia de algo feito pelo outro e que daria
resultado imediato. Ou seja, a questão da “porção infalível” é problemática por
colocar a solução fora do sujeito e por negar o caráter processual de mudança
da realidade.
De certa forma, podemos entender
esta busca de solução mágica também como reflexo de um não conseguir aceitar a
situação tal como se coloca hoje, Para a maioria dos professores está realmente
muito difícil assimilar a mudança que houve no seu status, nas suas
condições de trabalho;neste sentido, a “mágica” representa certa nostalgia, uma negação pura e simples
da realidade.
3.4.6 –
Planejamento das alternativas
Na busca de superação dos problemas,
muitas vezes as alternativas encontradas têm uma forte carga idealista, o que
significa dizer que não levam em conta um conjunto de determinantes da realidade
concreta. É claro que toda proposta que vise à superação tem uma carga de
negação em relação à realidade atual – caso contrário, não seria superadora. A
distorção do idealismo é exacerbar as possibilidades em detrimento dos limites.
Assim, por exemplo, afirmar-se que, para evitar indisciplina, a aula do
professor deve ser interessante.
Até aí estamos de acordo; a questão
surge quando vamos aprofundar tal proposta
e vemos que se espera que o professor sozinho interesse a todos os
alunos, o tempo todo . Ora, isto seria o ideal; contudo, sabemos que
dificilmente ocorrem situações assim no cotidiano da escola. Se a proposta
fosse colocada em termos de se criar um clima hegemônico – e não de totalidade
– de interesse, com a participação também dos alunos e não só do professor -, considerando ainda
que o estudo é um trabalho, o que demanda esforço, concentração – e não só mera
fruição -, estaria, nos parece, mais de acordo com a realidade, sem perder seu
caráter superador.
Outro exemplo: a questão da resolução
dos problemas da escola através da tecnologia. Há algum tempo, saiu uma
reportagem na revista Veja sobre questões de disciplina, onde, ao término,
ficava-se com a nítida impressão de que
o computador era a grande saída. Alguns críticos chegaram mesmo a levantar a
hipótese de a reportagem ter sido “encomendada” pelas empresas de informática,
tendo em vista a intenção do Ministério da Educação de equipar as escolas com
computadores. No entanto, algum tempo depois, a própria revista trouxe outra
reportagem onde se colocava que as coisas não eram tão simples assim, pois
muitas escolas adotaram o computador e continuavam com os mesmos problemas. É
claro, pois a saída não é o computador em si; não adianta colocar a tecnologia
se não vier ligada a um projeto político-pedagógico, que dará o sentido e a
direção do uso da informática na escola. Devemos estar muito atentos,
especialmente na Escola Pública, pois, em função de sua carência muito grande
em termos materiais, podemos ficar depositando nossa esperança em algumas
soluções mágicas, como esta do computador: “Ah, se tivéssemos computador”...
Como sabemos que não é bem assim?? Basta ver o caso das escolas particulares
que adotaram computador, cujos alunos continuam entediados do mesmo jeito; eles
têm quinze minutos de êxtase com o novo CD-ROM; passado o efeito da novidade,
cai-se desinteresse da mesma forma. Isto porque a “novidade” não vem articulada
a um novo projeto, a novas relações pedagógicas. Não estamos absolutamente
dizendo que o computador não é um bom
recurso; muito pelo contrário. O que questionamos é a visão ingênua de colocar
a solução dos problemas educativos na máquina.
3.4.7 –
Sensação de “Não –Poder”
A sensação de não-poder talvez seja
hoje um dos maiores obstáculos epistemológicos a serem enfrentados. É
impressionante como o professor acabou assimilando a idéia de que não tem
forças, de que não pode, de que a solução dos problemas está fora dele.
Muitas vezes, sente-se desgastado,
destruído, traído, usado, acusado, desprezado, humilhado, explorado. Neste
contexto, colocar a “culpa” fora dele pode ser a saída inconsciente de
autoproteção, não por ser relapso, mas sim porque no fundo acha que não pode,
não tem força para mudar. Quando
questionado sobre os problemas, vai logo apontando: “é a família”, “é o
sistema”. Ao fazer isto, esvazia sua competência profissional e
existencial;perde o senso crítico, pois não consegue se situar diante do real;
perde a autoridade, já que não é
responsável por nada. Está marcado pelo impossível, pelo não-poder.
Freqüentemente, o colocado por ele
como condição para iniciar a caminhada é
justamente o resultado de um processo de lutas e conquistas.
Nas reuniões pedagógicas, nos
encontros de formação, quando perguntamos aos professores sobre qual segmento
mais próximo poderiam atuar, é muito comum ouvirmos: o aluno!! Isto pode
revelar até uma certa esquizofrenia, por não conseguir se perceber, por perder
o contato consigo mesmo. Vejam o ponto a que chegamos: a anulação do poder do
professor para enfrentar a realidade.
A situação em que o professor fica é
profundamente ambígua: de um lado, está justificado, pois”não é com ele”, mas ,
de outro, está absolutamente impotente...
De certa forma, este sentimento de
impotência é aprendido no cotidiano social, onde, num caldo cultural de
colonialismo e paternalismo, parece que tudo só pode ser resolvido pelos
“grandes”; o cidadão comum nada pode. O professor diante do problema
disciplinar, achando que não pode fazer nada, parte para outra atitude extrema: se livrar, expulsar o
aluno ( algo semelhante à pena de morte no contexto social mais amplo).
Assume-se uma impotência na dimensão
tanto cognitiva – incapacidade de fazer aprender o aluno que apresenta
dificuldade -, quando social – incapacidade de alterar a condição de origem do
aluno pobre.
Este não-poder pode ser real (fruto
de determinantes objetivos colocados historicamente) ou imaginário(fruto de
representações, mitos, preconceitos). É claro que ambos nos preocupam; porém,
enquanto o primeiro é pauta de luta, o último acaba negando as potencialidades
transformadoras dos sujeitos.
O enfrentamento deste obstáculo
vai-nos remeter à questão: é possível transformar a realidade? Como??
3.4.8 –
Resgate do Professor
A partir do exposto até aqui, fica
claro que um dos maiores desafios é o resgate do professor como sujeito de
transformação: acreditar que pode, que tem um papel a desempenhar muito
importante, embora limitado. Acreditar na possibilidade de mudança do outro, de
si e da realidade.
3.4.9 – O que
fizeram conosco
Já de algumas décadas vem ocorrendo
um processo de imbecilização, de destruição do professor, que chegou até a
atingir profundamente seu autoconceito, sua auto-imagem, sua auto-estima. Isto
é uma perversidade em termos de País. As classes dominantes tiram vantagens
desta situação em termos imediatos – um povo sem educação e cultura é mais
facilmente manipulado – mas é um suicídio coletivo a longo prazo. Estamos
percebendo alguns sinais claros disto: a questão da violência está emergindo
com tanta força, que assusta a todos, até os próprios dominantes. Por trás
deste fato, há também,com certeza, um trabalho educacional malfeito, seja no
sentido da negação da possibilidade do processo de humanização dos sujeitos,
seja no sentido da anulação do caráter transformador do conhecimento.
De onde vem o drama do professor? Em
parte, da percepção de que está incapacitado para dar conta de sua tarefa: o
mundo mudou, o aluno mudou, mudou a relação escola-sociedade e ele continua o
mesmo... o que lhe foi ensinado?? Transmitir o conteúdo, cumprir o programa,
controlar o comportamento do aluno através da nota. Hoje, as exigências são
outras!! O que dizer de um profissional da Educação que, muitas vezes, não sabe
como se dá o conhecimento, não domina o próprio sentido do que ensina, em
alguns casos mais extremos nem ao menos domina o próprio sentido do que ensina, em alguns casos mais
extremos nem ao menos domina o próprio conteúdo que ministra ou, quando domina,
ensina baseado na mera transmissão? Isto é doído, sabemos; todavia, com
certeza, não será “tampado o sol com a peneira” – querendo esconder nossas
falhas e deficiências – que iremos resolver os problemas. Insistimos que não se
trata de um julgamento moral, com se o professor fizesse isto porque quer,
porque escolheu conscientemente ser um mau profissional. Ele é vitima também de uma lógica desumana e
excludente. Mesmo quem saiu dos melhores centros de formação sabe que tem um
série defasagem na sua capacitação, até porque a educação escolar, como vimos ,
é uma atividade de per si extremamente complexa, ainda mais a ser exercida nos
dias de hoje.
Quando olhamos a escola brasileira,
o que está produzindo?? Fracasso em cima de fracasso: basta ver os
elevadíssimos índices de reprovação e evasão escolar, o baixíssimo grau de
aprendizagem dos alunos que tiveram “sucesso” revelado nas testagens nacionais
e internacionais de conhecimentos mínimos. Esta sensação de fracasso começa nos
próprios professores, por não terem condições mínimas de trabalho. A negação da
escola começa pela negação do próprio professor. E isto não é á toa...
Precisamos reconhecer sua delicada situação; de certa forma, nunca se pediu
tanto ao professor como se pede hoje e, ao mesmo tempo, nunca se deu tão pouco.
É necessário superar também este processo
de infantilização: a falta de autonomia do professor. Amiúde, decisões
superiores são simplesmente comunicadas aos professores, que assumem algo em
que não vêem o menor sentido. Se o professor não começar a exercitar um pouco a
sua dignidade, a sua cidadania, ter coragem de perguntar: por quê? Pra quê?
Como?; se o professor não reagir, vai continuar imbecilizando-se. Muitos livros
didáticos estão ai para isto também: quer coisa mais ofensiva que um livro do
professor com resposta? É um profundo desrespeito...
3.4.10 – o
que vamos fazer com o que fizeram conosco
A grande questão que,a nosso ver,
precisa ser enfrentada com urgência e verdade é: muito bem, estamos nos buraco.
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Enquanto não tivermos coragem de enfrentar esta questão,
superando os escapismos e os sonhos de eventuais “salvadores da pátria”, não
veremos muita possibilidade de mudança.
Para mudar a realidade, é preciso
fazer uma opção muita clara; no entanto, para não mudar não é preciso fazer
opção, uma vez que há uma lógica montada no sentido da reprodução. É como o
sujeito que vai até ao meio do rio com uma bóia e diz: “Agora vou ser neutro:
vou ficar parado; não vou nadar nem em direção à nascente do rio, nem em
direção à sua foz”. Pergunta: embora se tenha posicionado pela neutralidade,
ficou parado?? Em relação ao rio, sim, porém em relação à margem, não;
objetivamente está descendo, embora não tenha optado conscientemente por
isso... Há uma lógica em andamento, não podemos ser ingênuos.
Poderíamos lembrar aqui aquela forte
colocação de SARTRE: “ O importante não é tanto o que fizeram comigo,mas o
que faço com o que fizeram comigo”.
É necessário resgatar o professor
como sujeito de transformação. Não vai ser mantendo-nos no estágio de
heteronomia, onde não podemos pensar, onde tudo vem pronto, que nos estaremos
ajudando. Faz-se necessário sair um pouco do “piloto automático”, daquele
mecanicismo, formalismo, que nos colocaram e começar a exercer uma das funções
básicas de qualquer pessoa, de qualquer cidadão, contudo muito importante para
o professor, que é a função da reflexão. Refletir, buscar, comprometer-se.
Poderíamos lembrar aqui as reflexões
de FOUCAULT sobre a questão do poder: onde está o poder? Será apenas nos
dirigentes, na mídia? Ou na verdade, embora tenhamos focos fortes de poder, ele
tem uma capilaridade, está no dia-a-dia, nos vários agentes sociais? É preciso
resgatar e redirecionar estes micropoderes locais, tendo em vista um projeto
novo, denunciando e lutando contra o poder que se exerce como abuso:
“(...) todos
aqueles que o reconhecem como intolerável, podem começar a luta onde se
encontram e a partir de sua atividade (ou passividade) própria”. (FOUCAULT,
1981,p.77)
Vamos lutar onde temos
possibilidades concretas, ao mesmo tempo em que buscamos a ampliação destas
possibilidades. Seria importante lembrar que o “sistema” não funciona sem a
mediação de agentes concretos, dos quais nós fazemos parte, e que, por via de
conseqüência, temos um poder em mãos, em princípio limitado, mas real, e com
possibilidade de ser ampliado de acordo com nossa capacidade de articulação.
Precisamos criar uma rede ética de resistência a este processo de brutalização
social que está instalado em nosso país.
Acreditamos profundamente no
professor; hoje ele pode ter um papel revolucionário (ainda que correndo o
risco, ao afirmamos isto, de sermos chamados de “jurássicos”, de utópicos ).
Esta onda neoliberal, que está ai quebrando todas as esperanças, tem muitos
interesses não explicitados. O professor lida sim com a esperança, com a utopia; isto faz parte da
essência do seu próprio trabalho.
3.4.11-
Respeito e Exigência
A situação é delicada, pois o
professor precisa ser compreendido, precisa de “colo”, mas ao mesmo tempo deve
ser chamado às suas responsabilidades, ter coragem de se rever, de assumir a
parte que lhe cabe, se quiser superar esta infantilização a que foi submetido.
Um dos critérios para se definir uma profissão é que os sujeitos que a abraçam
possam ser responsabilizados pelo seu exercício.
O contexto está extremamente
difícil, complexo. No entanto, não devemos ver o professor através de uma
representação lamentavelmente muito
enraizada: como um “coitadinho”. Ele é um ser contraditório, como outro
qualquer. Ao levantarmos certas questões sobre a sua prática, corremos o risco
de sermos encarados como inimigos, como se estivéssemos contra ele: sente-se
culpabilizado pelo fracasso do aluno e da escola. É preciso, no entanto, falar
das responsabilidades e, neste campo, com certeza, o professor tem uma parcela,
ainda que absolutamente não exclusiva. É preciso falar de projeto, de
compromisso, de mudança da realidade. E aí, mais uma vez, o professor que ainda
não entregou os pontos tem uma importante contribuição a dar.
3.4.12 –
Responsabilidade
O restabelecimento dos objetivos e
dos limites é tarefa de quem? Podemos ter aqui mais uma grave fonte de desvios:
o famoso jogo do “empurra-empurra”. Quando se chega a este momento de ver o que
fazer, há uma tendência de ficar esperando que o outro resolva o problema. Cada
segmento tem suas queixas e
expectativas; se não forem devidamente explicadas e debatidas, podemos ficar
“patinando”, num desgastante processo de acusa-acusa, em vez de ajuda-ajuda.
Só a título de exemplificação, é
muito comum ouvirmos dos professores a queixa de que os pais não estabelecem
limites, não educam seus filhos com princípios básicos como saber se comportar,
respeitar os outros, saber esperar sua vez etc., no que estão normalmente
repletos de razão, já que muitas famílias não
estão objetivamente cumprindo sua função civilizatória básica . Por
outro lado, vemos também a queixa de pais que estão sendo chamados pela escola
para ouvir coisas do tipo: “Seu filho não está aprendendo; vocês precisam fazer
alguma coisa”..., como se a obrigação de ensinar fosse dos pais. Para termos
melhor idéia do que isto significa, pensemos no caso de a família levar o filho
a um médico e este, depois de examina-lo, chamar os pais e dizer: “Ele está
doente, precisa de alguém que entenda de saúde para poder ajuda-lo”... ora,
quem é o profissional da Saúde, senão o médico? E, de forma análoga, quem é o
profissional do ensino, senão o professor? Sabemos que estas afirmações podem
causar espanto, mas é só para demonstrar o paradoxo a que chegamos: a escola
sendo solicitada a fazer aquilo que seria obrigação dos pais, e os pais sendo
solicitados a fazerem o que seria obrigação da escola... Se alguém tem dúvida
disto, basta ver como estão progredindo as firmas de “aulas de reforço”... É
óbvio que por este caminho de acusa-acusa não iremos muito longe. Mesmo no
interior da escola, este problema também se manifesta na não menos famosa
“síndrome de encaminhamentos do aluno”...
Entendemos que o problema da
disciplina é tarefa de todos: sociedade, família, escola, professor e aluno. Todavia
não podemos ser ingênuos, pois, embora a
tarefa seja de todos, nem todos estão interessados em resolver o
problema. O que fazer diante disso? Cruzar os braços e esperar que o outro faça
a parte dele, para fazermos a nossa? Não. Até porque, se fizermos isso, nem
teremos moral para cobrar do outro. Que atitude ter, então? Uma atitude
transformadora, ou seja começamos
tentando fazer a nossa parte, somamos com os aliados da luta e vamos, ao mesmo
tempo, cobrando que o outro faça a parte dele. É assim que estamos entendendo
esse processo de mudança: que cada segmento assuma suas responsabilidades
específicas – que são evidentemente diferentes – e exija que os outros também
assumam suas respectivas, enquanto todos se
comprometem simultaneamente com a mudança das estruturas que estão por
trás do problema.
Sentimos necessidade de apontar para
a mudança de enfoque: em vez de culpa, é preciso falar de responsabilidade. A
culpa, por ser de “fora para dentro”, leva ao julgamento e à atitude de defesa,
de transferência, de procurar jogar novamente para fora, buscando outro
culpado; a preocupação maior acaba ficando em achar o culpado e não em resolver
o problema. A responsabilidade, por ser algo mais de “dentro para fora”,chama
para a ação, para o compromisso com a superação.
A sala de aula e a escola não estão
desvinculadas da problemática do resto da comunidade e da sociedade, porém
têm sua autonomia relativa.
De imediato, eu não tenho
condições de mudar as pessoas e/ ou o mundo; entretanto, de imediato, eu posso
mudar a maneira de me relacionar com as pessoas e com o mundo! Isto não é tudo,
mas é um passo importante e de minha responsabilidade!!
3.4.13 –
Perspectivas de Ação
O que fazer?? Voltamos agora à
pergunta inicial, só que melhor
equipados para poder responde-la. Antes, contudo, uma observação sobre a questão do discurso e da
prática.
3.4.14 –
Plasticidade do Discurso X Rigidez da Prática
Assusta muita esta coisa de como a
escola não muda, ou muda muito lentamente. O discurso educacional tem mudado
com uma velocidade incrível, mas prática... Um dia fomos tradicionais, logo
depois modernos e depois tecnicistas, depois libertadores, e
histórico-críticos, crítico-sociais do conteúdo, construtivistas,
socioconstrutivas, pós-construtivistas, co-construtivistas, interdisciplinares,
transdisciplinares, qualidade total, holísticos, etc. A cada dia é uma novidade
que chega. O que poderia representar um ganho, se fosse apropriado dentro de um
quadro de referência maior, com uma visão crítica etc., acaba-se tornando mais
uma moda... Esta incorporação no discurso é um desafio, pois tira o eventual
caráter transformador das idéias, já que não vem acompanhada de uma ética, de
um compromisso com a efetiva mudança da realidade. ?Sabemos que, muitas vezes,
isto pode até funcionar como estratégia de sobrevivência dos professores, ante
as exigências equivocadas das equipes diretivas: a direção ou coordenação sai
para fazer um cursinho de 40 horas e já
volta dizendo que “agora vamos seguir tal linha”...
Precisamos estar atentos a este
maldito formalismo na Educação: “Ah, agora é para fazer avaliação diagnóstica
etc.? Deixa com a gente”. Está tudo resolvido formalmente, contudo a prática
continua como antes...
O questionamento que poderia ser
proposto aqui é: será que precisamos de uma nova relação de idéias sobre
a realidade ou uma nova relação com as idéias e com a realidade? Tomar
algumas idéias, alguns princípios, acreditar, ir fundo , tentar colocar em
prática, refletir sobre os resultados, reformular etc., constituir uma
autêntica práxis pedagógica.
3.4.15 –
Sentido e Exigências
A partir da análise feita
anteriormente, fica patente que a tarefa de construir uma nova disciplina passa
pelo restabelecer o sentido para a escola, para o estudo, bem como pelo restabelecer
os limites. Só que aqui, em lugar de falarmos simplesmente de limites, vamos
falar de exigências, o que inclui os limites, mas também as possibilidades, com
freqüência esquecidas; isto é importante para não cairmos numa disciplina
meramente restritiva, do “não”, “não” e “não”.
Muito sinteticamente, apontamos a
seguir algumas possibilidades de os vários agentes contribuírem para a
construção de uma nova disciplina em
sala de aula e na escola.
3.4.16 –
Resgate do Sentido
3.4.17 –
Sentido para o Estudo
Entendemos que a questão do próprio
sentido do trabalho pedagógico é a contradição nuclear hoje na Educação. Se o
professor não acredita, se não vê o sentido do que faz, se diante daquela
pergunta do aluno: “professor, estudar para quê??”, não consegue dar uma resposta,
se o próprio professor não sabe o que está fazendo ali, todo o resto, toda a
elucubração sobre a necessidade de limites fica comprometida. Porque, como
vimos, o limite só tem sentido se for articulado a um objetivo. Então, antes de
saber para que estudar oração subordinada substantiva, o aluno tem de saber
para que estudar. Esse aspecto é da maior importância. O próprio professor
resgatar o sentido do trabalho. Pensar sobre a sua prática. “o que é que estou
fazendo aqui?? Eu acredito no que faço? E ter coragem de tomar uma posição.
Então, o primeiro ponto é o resgate do sentido da tarefa educativa: compreender
o conhecimento como instrumento de transformação. Resgatar o sentido
do conhecimento. Conhecer para quê? Par
poder compreender o mundo em que vivemos, para poder usufruir dele, mas
sobretudo para poder transforma-lo!! Isto implica o professor tanto se
compreender como sujeito de transformação, quanto ter clareza de que está participando da formação dos novos sujeitos
de transformação. A nosso ver, se não acreditamos na possibilidade de
transformação da realidade, não deveríamos estar no magistério, pois ser
professor é essencialmente acreditar na possibilidade desse vir-a-ser”.
Há o perigo de, diante da falta de
sentido, cairmos no jogo atual da competição: estudar para ser o melhor, para
passar na frente dos outros, para poder garantir o seu lugar. Ao invés de
caminharmos para a superação, reforçamos a lógica de exclusão.
É preciso apontar para a
possibilidade da escola como elemento de mudança das relações sociais, de tal
forma que se possa voltar a ter esperança de um futuro melhor. Ou será que a
escola nada pode diante de um”destino” previamente traçado para o aluno e para
a humanidade? É obvio que não de forma ingênua, como no passado, quando
acreditávamos na escola como “redentora da humanidade”, desvinculada do resto
da sociedade.
Com o avanço assustador das forças
produtivas, através da recente revolução da microeletrônica e d informática,
que permitem automação flexível, estamos
colocados diante de um desafio enorme: simplesmente recriar as formas de
organização do trabalho, as relações humanas, a cultura, uma vez que a as
condições para reprodução material da vida estão dadas potencialmente; todavia,
ao mesmo tempo, estão aprisionadas num modelo ultrapassado de organização
social, gerando uma contradição fundamental. Isto deve-nos remeter a solicitar o melhor de cada um e de
todos nós: usar o conhecimento, a criatividade para encontrar alternativas.
O professor – não o “dador” de aula
– trabalha com a produção do sentido. Hoje, diante do clima de perplexidade do
mundo, as pessoas estão procurando ansiosamente sentido para as coisas. É ,
portanto, o tempo por excelência do
autêntico conhecimento, do verdadeiro mestre e do estudo na sua
perspectiva radical.
3.4.18 –
Resgate das Exigências
Não aprofundaremos aqui estes
desdobramentos operacionais, tendo em vista o fato de isto já ter sido feito em
outro estudo como o profº Celso dos S.
Vasconcelos, (1996). Comentaremos a seguir apenas alguns aspectos.
3.4.19 –
Questão do Respeito
Muitos problemas de indisciplina têm
origem na questão do desrespeito. Com freqüência, a indisciplina é uma manifestação de
coeficientes de poder não adequadamente equacionados; só que nossos alunos não
vão, evidentemente, levantar a mão e argumentar: ‘Professor, gostaria de pôr em
questão nossa relação, tendo em vista a percepção de que entramos num processo
de reificação, onde minhas potencialidades ontológicas e epistemológicas estão
sendo subestimadas”... Eles não conseguem verbalizar isto de uma maneira clara,
mas vão manifestar de alguma forma que as coisas não vão bem, como por exemplo:
querer sair a todo o momento da sala de aula, ficar conversando fora do
assunto, não fazer as lições, agredir o colega ou a professora, etc.
Diante da queixa da violência do
aluno, precisaríamos refletir: quer violência maior do que a negação da
esperança, a negação de um futuro melhor a que o aluno, especialmente das escolas públicas,
está submetido? Se quisermos enfrentar a questão da violência do aluno, com
certeza o caminho não é usar outra violência ou ser conivente com ela.
Enquanto o desrespeito do aluno,
normalmente, é explícito, o desrespeito do professor é camuflado, é sutil. E
esse desrespeito tem várias facetas. Uma delas
é o preconceito de classe. Na Escola pública, às vezes, no fundo o
professor não acredita naquele aluno simplesmente por sua condição social.
Paulo Freire diz que uma das coisas mais cruéis que o sistema nos ensina é de estar o cheiro do pobre. Aprende-se a
desconfiar do pobre, a detestar o pobre. Isso é muito complicado. Na escola
particular, este preconceito pode ocorrer de forma diferente, porque os alunos
pertencem a uma camada de maior poder
aquisitivo, sendo comum, inclusive, a tendência a tratar os professores como mais um empregado de casa: “Eu estou
pagando”. É necessário tentar superar, não deixar que o preconceito vicie a
relação. Ao contrário, temos de ganhar esses alunos, seja o menino da camada
popular, seja o menino da escola particular, já que estamos engajados num
projeto de transformação.
Relacionado ao preconceito anterior,
aparece o preconceito quanto às
possibilidades do aluno; o professor olha para o aluno e pensa: “Ah,
este acho que não vai”. É impressionante como isto está presente no cotidiano
da escola. Pesquisa feita por COLLARES e MOYSÉS (1996), na 1ª série do 1º Grau,
revela que os professores “acertaram” a previsão de reprovação dos alunos,
feita logo no início das aulas, em 80% dos casos. A pergunta que fica é :será
que “acertaram” ou condenaram os alunos logo no começo do ano? O
professor acertou ou os alunos foram “acertados” pela previsão dele?? Outras
pesquisas já mostraram isto: a expectativa do professor em
relação a seus alunos é decisiva em termos do sucesso ou fracasso que venham a
obter. Ora, esta descrença é uma profunda falta de respeito.
Outra falta de respeito: as faltas constantes do professor ou a falta de
tolerância para com os erros dos alunos. Sabemos que tudo isto é muito
complicado porque é preciso considerar a situação concreta do professor. É
necessário criar um clima de respeito também em relação a ele. Se o professor
vem de uma seqüência de desrespeito, fica difícil manter um relacionamento de
respeito para com os alunos. Lembrando aquele velho chavão “o professor
deve vestir a camisa da escola”, poderíamos completar insistindo que a
escola/mantenedores devem “vestir a pele
do professor”. Deve-se, portanto, criar um clima de respeito em
toda a escola.
3.4.20 –
Postura do Professor: Dialética da Interação Pedagógica
O que queremos??
Para onde queremos ir??
Com que tipo de disciplina sonhamos??
Diante do quadro caótico, corremos o risco de começar a despejar uma
disciplina passiva “como antigamente”. Seria esta a saída??
No pólo oposto, podemos abrir mão de qualquer preocupação, procurando nos
acostumar com o que está aí, numa postura de “liberou geral”.
Evidentemente, entendemos que o
encaminhamento adequado não seria este.
O primeiro, por
se constituir numa onda nostálgica, a história, e os segundo, por significar uma autêntica demissão pedagógica.
Do ponto de vista das tendências pedagógicas, o primeiro posicionamento estaria
relacionado à chamada educação tradicional, e o outro, à
educação nova.
O que é relativamente difícil de
entender aqui é que cada uma destas tendências tem sua parcela de razão, tem um
núcleo de bom senso, só que, por não abarcar a totalidade do fenômeno
educativo, acaba distorcendo-o.
Uma das maiores dificuldades que
temos observado na busca de superação destas concepções de disciplina é a forma
de pensar linear, dicotômica, de cunho metafísico, em contraposição a uma forma
de pensar ligada ao movimento, à contradição, à totalidade, de cunho dialético.
Diante do fato de se apontar a
necessidade de direção por parte do professor (contribuição da concepção
tradicional0 e de participação ativa por parte do aluno (contribuição da
concepção moderna), encontramos as seguintes posturas, na perspectivas
dicotômica:
Ora, numa perspectiva dialética, o
que se propõe não é nem optar por uma das dimensões em detrimento da outra, nem
fazer uma média ou revezamento, mas manter a tensão dialética entre as duas,
resolvendo esta tensão em cada situação concreta, tendo em vista os objetivos
da proposta pedagógica e a realidade
concreta dos alunos. Poderíamos aqui questionar o senso comum: a
virtude está no meio ou na mediação??
O drama metafísico é o drama
shakespeariano: ser ou não ser, eis a questão. O drama dialético é o
seguinte: ser e não ser, eis a questão. A metafísica trabalha com
exclusão, enquanto a dialética trabalha com superação. A metafísica dicotomiza,
separa as coisas, enquanto a dialética percebe os opostos se exigindo
mutuamente. A nossa formação é muito metafísica. Ou é ou não é. Nós podemos
perceber como a realidade é e não é ao mesmo tempo. Ou seja, a realidade é
contraditória; nós somos contraditórios; o nosso aluno é contraditório; o meu colega,
o pai do meu aluno, a direção, a sociedade são contraditórios e assim por
diante.
E aqui vem, pois, uma questão muito
séria: justamente essa capacidade de articular as duas necessidades básicas do
processo educativo. A educação, para ser autêntico, precisa de direção, de
orientação. Contudo, ao mesmo tempo, precisa de liberdade e de espontaneidade.
O desafio é esse: quando estamos sendo ‘porto seguro’, temos de
questionar: “Até que ponto não deveríamos ser ‘mar aberto’, incentivar a
participação do grupo??. Quando estamos sendo “mar aberto”, precisamos manter a
tensão: “Até que ponto não teríamos de
ser “porto seguro”, amarrar, sistematizar, intervir”??. Manter essa tensão
interna é a arte do professor para enfrentar a questão da disciplina.
Gostaríamos muito de que houvesse uma receitazinha assim : 50 gramas de tal e
qual etc. Mas numa perspectiva dialética, não há. Ser dialético não é ficar
em cima do muro, nem é dar uma “dura” e
dar uma “alisada”. Manter sempre essa tensão é o grande desafio de hoje, para
que se possa administrar a disciplina na sala de aula.
A disciplina consciente e
interativa, portanto, pode ser entendida como o
processo de construção da auto-regulação do sujeito e/ou grupo, que se
dá na interação social e pela tensão
dialética adaptação-transformação, tendo em vista atingir conscientemente um
objetivo.(Disciplina )
3.4.21 –
Necessidade de Autoridade
Sem autoridade não se faz educação; o aluno precisa
dela, seja para se orientar, seja para opor-se (o conflito com a autoridade é
normal, especialmente no adolescente),
no processo de constituição de sua personalidade. O que se critica é
ao autoritarismo, que é a negação da verdadeira autoridade, pois se baseia
na coisificação, na domesticação do
outro.
Não existe autoridade “em si”: a autoridade se define
sempre em contextos históricos concretos. Entendemos que um primeiro grande
desafio para o resgate da autoridade do professor é, como apontamos
anteriormente, a necessidade de ressignificar o espaço escolar, ganhar clareza sobre
qual é de fato o papel da escola hoje, porque será justamente neste espaço
social que o professor deverá exercer
sua autoridade, que obviamente carecerá de sentido se a própria instituição não
consegue justificar sua existência. Um segundo desafio é o professor conseguir se refazer, se
reconstruir depois deste turbilhão todo a que foi – e ainda está – submetido.
Neste processo de resgate, o
professor deve buscar a legitimação da autoridade a partir do diálogo e da
firmeza de proposta. Ter coragem de questionar seus superiores, as normas e
exigências colocadas, exercer sua cidadania. É preciso que o professor
supere o medo de exercer a autoridade;muitas vezes, isto ocorre em
função do medo de entrar em conflito com os alunos, da eventual falta de apoio
da escola diante de algum confronto com os pais ou ainda de ser “problema” para
a escola.
A autoridade pedagógica é uma
prática complexa e contraditória, pois a autêntica autoridade leva em si sua
negação, qual seja, a construção da autonomia do outro. Podemos compreender
aqui autoridade no seu sentido mais radical e transformador, que é “a
capacidade de fazer o outro autor”. Em função disto, o professor deve viver
esta eterna tensão entre a necessidade de dirigir, orientar, decidir, limitar e
a necessidade de abrir, possibilitar, deixar correr, ouvir, acatar. Tal
contradição é constante e não pode ser anulada, apenas resolvida em diferentes
momentos, tendo em vista os objetivos do trabalho, sendo restabelecida logo em
seguida em outro patamar e contexto. O “drama” é sempre este: ser o “porto seguro e o “mar
aberto”.é preciso que fique entendido, no entanto, que não se trata
absolutamente de caminhar conforme “ os
ventos sopram”, de acordo com as pressões do ambiente.
Ser dialético não é isto, com muita clareza, os objetivos que se buscam,
para ter critérios de orientação para a tomada de decisão.
3.4.22 –
Superar a “Síndrome de Encaminhamento”
É comum ouvirmos dos professores a
queixa de que a disciplina por parte da direção deveria ser mais rígida, mais
severa. Isto revela o equívoco da postura de “encaminhamento”:
- A transferência de responsabilidade (o professor
não sabe o que fazer em sala, encaminha aluno esperando solução “mágica”).
- As diferentes visões(ex: encaminha-se o aluno
esperando-se uma coisa e acontece outra).
- Os problemas de comunicação (ex: encaminha-se o
aluno e não se sabe o que aconteceu com ele).
Por isto, seria
importante não entrar na “Síndrome de encaminhamento”: de que adianta o
professor ficar encaminhando alunos “problemas” para a orientação educacional,
por exemplo, se o foco do conflito está em outro lugar?
Os conflitos entre alunos e
professores devem ser enfrentados, antes de mais nada, por eles próprios. Para
isto, o professor deve ter condições de, por exemplo, entabular uma conversa
mais particular com algum aluno, se as providências tomadas em sala de aula não
foram suficientes para resolver o problema(OS COMBINADOS). Se a escola não
tiver outra possibilidade, no limite, consideramos ser preferível, então, um
membro da equipe ir para a sala de aula e o professo sair com o aluno para ter
o diálogo. Alguém poderia ir logo dizendo: “Ah, se eu for fazer isto, vou
ficar mais tempo fora do que dentro da sala”. Isto aconteceria se deixasse o problema acumular; enfrentando
logo no início, logo quando surge, muito provavelmente não haverá tanta
necessidade assim de sair da sala. Isto é muito importante: enfrentar
logo no começo. Muitos professores, para “não perder tempo”, acabam
perdendo todo o tempo durante o ano, pois o tempo que o professor utiliza com
estratégias de sobrevivência, quando não consegue equacionar adequadamente o
problema da disciplina, chega a ser mais de 50% do tempo útil de aula.
A questão não é, pois, ter uma
equipe de especialistas de plantão para encaminhar alunos (fonoaudiólogos,
psicólogos, neurologistas, médicos, assistentes sociais, orientadores
educacionais, pedagogos, psicopedagogos, etc.) mas o professor ser formado, ser
capacitado ( até com a ajuda destes profissionais) e ter condições mínimas para
poder fazer melhor o seu trabalho.
3.4.23 –Papel da Equipe
Diretiva
Que postura devem ter os membros das equipes diretivas escolares
(coordenação pedagógica orientação educacional, supervisão escolar direção
etc.) ?? Entendemos que basicamente é preciso criar um clima de confiança,
baseado numa ética e no autêntico diálogo. Por exemplo:
Como vimos, os desafios a serem
enfrentamos são enormes. Se não encontrarmos um clima favorável nem entre os
companheiros de trabalho, fica muito difícil manter o ânimo e a esperança de
que as coisas podem de fato mudar.
Como entender esta construção de uma
nova disciplina na sala de aula e na escola??
Seria algo fácil, imediato??
É evidente que não; é uma tarefa
muito difícil, todavia importantíssima. Para enfrenta-la, é preciso ter uma
Lista de processo:
IV- PRECONCEITOS SOBRE
OS EDUCANDOS
O texto tem como objetivo central é
a busca da compreensão da dimensão do não aprender em relação com alguns preconceitos
postos no cotidiano da vida escolar.
Pretendemos que este trabalho, possa
fornecer alguns elementos que favoreçam a reflexão sobre o cotidiano da escola,
pelo resgate da dimensão coletiva, tanto do aprender, quanto do não aprender em
suas relações com os estigmas que se instalam neste processo.
4.1 – O
Preconceito
“uma das características fundamentais da vida cotidiana,
é a existência de juízos provisórios, porque se antecipa à atividade possível e
independe do confronto com a realidade. Quando um juízo provisório é refutado
no confronto com a realidade concreta e mesmo assim se mantêm inabalável,
imutável e cristalizado contra todos os argumentos da razão, não é mais um
juízo provisório, mas um preconceito”.
O cotidiano escolar é permeado de preconceitos
e juízos prévios sobre os alunos e das famílias, que independem e não são
abalados por qualquer evidência empírica que os refute racionalmente.
“Crianças não aprendem porque são
pobres, porque são negras, porque são
nordestinas, ou provenientes da zona rural; são imaturas, são
preguiçosas; não aprendem porque seus pais são analfabetos, são alcoólatras, as
mães trabalham fora, não ensinam os filhos...”
O que acaba ficando é a sensação do
que estamos diante de um sistema educacional
perfeito, desde que as crianças vivam uma vida artificial, sem nenhum
tipo de problemas, enfim, crianças que provavelmente não precisariam da escola
para aprender. Para a criança concreta, que vive neste mundo real, parece ser
muito difícil, se não impossível, ensinar.
Neste sentido, a escola, enquanto
instituição social concreta, apresenta-se enquanto vítima de uma clientela
inadequada”.
4.2 – A Previsibilidade do não aprender...
Um exemplo:
“Durante
entrevista com professores, realizada no 1º bimestre do ano letivo, pediu-se
que o professor indicasse em sua lista de alunos ( se sentisse habilitado) os que iriam ser
aprovados e os que seriam reprovados. Todos se prontificaram a executar essa
tarefa; nenhum questionou a prática generalizada, nem mesmo sua capacidade para
tanto. Nem a precocidade da ação...
Ao fim do ano letivo, esses dados
foram confrontados com os resultados oficiais da escola, permitindo identificar
quais e quantas crianças entre as previstas como futuras fracassadas,
fracassaram...
As previsões de reprovação,
confirmaram-se em 94,1% dos casos, um índice altíssimo que comprova o caráter
auto-realizador da previsão, transformando-a em profecia quase perfeita...
As crianças que irão fracassar são
identificadas logo no 1º bimestre letivo. Ou talvez se devesse falar em
crianças que são destinadas a fracassar...
A crença em sua capacidade preditiva
é generalizada entre os professores , sem levar em conta a influência de sua
previsão sobre a sua relação com a criança, influenciando diretamente na aprendizagem”.
4.3 – Como os
alunos aprendem - “O Estalo”
“O discurso de diretores e professores poucas vezes se
refere ao processo ensino aprendizagem. A impressão é de que na escola ocorre
um processo exclusivamente de aprendizagem. A criança aprende ou não aprende.
Este processo de aprendizagem
“autônomo” é apresentado como decorrente de
mecanismos inatos à criança, de caráter mágico, inacessível ao
professor. Por não possuir uma chave que possibilite o acesso a este mundo mágico,
o professor nada pode fazer quando a criança não aprende.
A referência ao “estalo” constitui
uma das mais bem acabadas expressões dessa concepção de aprendizagem. O
“estalo” remete a algo misterioso que ocorre como características inerentes à
criança, independente de tudo que a cerca...
Nesta indefinição do que seja, às vezes o estalo se
confunde com o discurso da maturidade. Ou da imaturidade.
O próprio conceito subjacente de
maturidade também remete a um referencial mágico, em que a criança,
subitamente, por motivos desconhecidos “desperta “ para o mundo... Não estaria
aí embutida a ultrapassada noção de prontidão?? A criança “estalaria “ quando
estivesse “pronta “??
Finalizando, merece ser ressaltado
que a idéia de estalo não encontra respaldo em qualquer das correntes teóricas
sobre a natureza do processo de aprender. Nem o comportamentalismo, nem a
teoria gestáltica (teve início na Alemanha. Para os psicólogos
gestaltistas, como KOFFKA, KÖHLER e WERTHEIMER, primeiros pesquisadores, a
aprendizagem acontece por insight, é uma forma em que a aprendizagem se dá
“!por estalo”, parece que tudo fica claro e compreensível de repente, “Ah! já
sei” , “A! já entendi”. Os desenhistas de histórias em quadrinhos mostram como
acontece o Insight como uma lâmpada
acendendo em cima da cabeça do personagem.
De acordo com essa teoria, toda aprendizagem consiste na reorganização
perceptiva (uma percepção do todo da situação-problema), ou seja, uma
aprendizagem por compreensão, sendo que
a experiência anterior e o estímulo proposto também são fatores importantes(
dois rostos e pode ver uma taça no centro – um rosto de menina e um rosto de
uma velha) – Esta teoria da gestalt influenciou muito na área da percepção e
também da aprendizagem, por tentar explicar os aspectos correspondentes à solução
de problemas),ou a construtivista(é a aplicação pedagógica dos
estudos de JEAN PIAGET(896-1980), educador, psicólogo, biólogo e filósofo suíço
que reformou em bases funcionais as questões sobre pensamentos e linguagem. Ao
mesmo tempo pensador e cientista experimental, a PIAGET interessava uma visão
transformadora da Epistemologia. Segundo suas pesquisas, o conhecimento é
construído através da interação do sujeito com o objeto. O desenvolvimento
cognitivo se dá pela assimilação do objeto de conhecimento a estruturas
anteriores presentes no sujeito e pela acomodação dessas estruturas em função
do que vai ser assimilado. Para PIAGET, a criança se apodera de um conhecimento
se “agir” sobre ele, pois aprender é modificar, descobrir, inventar. Nesse
enfoque, a função do professor é propiciar situações para que a criança
construa seu sistema de significação, o
qual, uma vez organizado na mente, será estruturado no papel ou oralmente.),
menos ainda a sócio-histórica (O sociocontrutivismo é uma teoria que
vem sendo desenvolvida a partir dos estudo de VYGOTSKY e seus seguidores.
Vygotsky(1896-1934) graduou-se em Literatura na Universidade de Moscou.
Lecionou Literatura e Psicologia e
criou um laboratório de Psicologia no Instituto de Treinamento de Professores. Trabalhou
no Instituto de Treinamento de Professores. Trabalhou no Instituto de treinamento de Psicologia e no Instituto
nos Estudos de Deficiências em Moscou. No período de 1925 a 1934, reuniu um
grupo (do qual participaram Luria e Leontiev) e iniciou estudos sobre a crise
da Psicologia, buscando uma alternativa para
conflito entre as concepções idealistas e mecanicista. E estudo de
Vygotsky e seguidores sobre a aquisição de linguagem como fator histórico e
social enfatizam a importância da interação e da informação lingüística para a
construção do conhecimento. O centro do trabalho passa a construção do
conhecimento . o centro do trabalho passa a ser, então, o uso e a
funcionalidade da linguagem, o discurso e as condições de produção. O papel
do professor é o de mediador, facilitador, que interage com os alunos
através da linguagem num processo dialógico. O sociocontrutivismo, hoje traz em
si uma convergência das idéias piagetianas e vigotskyanas, enfatizando a
construção do conhecimento numa visão social, histórica e cultural. Piaget
trabalha com os níveis maturacionais, Vygosky trabalha com a relação
aprendizagem-desenvolvimento. O socioconstrutivismo apresenta um conceito de
zona de desenvolvimento proximal como a
distância entre o nível de desenvolvimento potencial. Diferencia nível de desenvolvimento real(aquele que se
caracteriza pelas etapas já alcançadas, resultado de processos de
desenvolvimento já completados) de nível de desenvolvimento proximal 9 capacidade
de desempenhar tarefas com a ajuda de adultos ou de companheiros mais capazes.)
A zona de desenvolvimento proximal é um domínio psicológico em constante
transformação: aquilo que uma criança é capaz de fazer hoje com a ajuda de
alguém, conseguirá fazer sozinha
amanhã),nenhuma teoria engloba
conceitos, nem mesmo embriões de idéias,
em que a criança seja vista como ente “adormecido”, ausente, até o momento em
que, por fatores desconhecidos, simplesmente desperta para o mundo”.
4.4 – Alunos
doentes não aprendem...
“Para praticamente todos os
segmentos que compõem a sociedade brasileira, os problemas de saúde constituem
uma barreira para a aprendizagem e logicamente uma das principais causas do
fracasso escolar”.
Para muitos profissionais da Saúde e
da Educação, a doença impede a aprendizagem. Porém, que tipo de doença, em que
gravidade? Aparentemente estas questões não se colocam. Estar doente, não
importa a gravidade, nem a época da vida em que se esteve doente, nem o tempo,
é um estado absoluto.
Independente de formação e até mesmo
da experiência, de onde vem a opinião generalizada de que qualquer problema de
saúde compromete a aprendizagem escolar??...
Tratando-se de preconceito, não há
necessidade de rigor; diferentes preconceitos podem se fundir, se confundir, na
mesma explicação.
Aqui se põem duas questões
importantes.
Em primeiro lugar, nem a saúde, nem
a doença podem ser pensadas enquanto fenômenos absolutos, e neste sentido,
podem ser apenas um dos fatores que influenciam a aprendizagem.
Em segundo lugar, as crianças que
efetivamente apresentam problemas de saúde realmente comprometedores da
aprendizagem, na sua grande maioria, não estão nas escolas públicas, e quanto
estão, certamente em número bastante reduzido, comparativamente á clientela
escolar como um todo.
Este processo de biologização, que
coloca como causa do fracasso escolar quaisquer doenças das crianças, desloca o
eixo de uma discussão político-pedagógica para causas e soluções
pretensamente médicas, portanto
inacessíveis `a educação... isentando-a,
portanto, de suas responsabilidades junto ao indivíduo atípico”.
4.5 -Alunos
com “problemas emocionais” não aprendem...
“Ao se conversar sobre o não aprender nas escolas, é
bastante comum a referência aos fatores emocionais como causas do desempenho
escolar...
Uma criança com problema psicológico
sério poderá apresentar repercussões desse problema em todos os momentos de sua
vida, em todas as suas atividades. Inclusive na escola. Inclusive, não apenas.
Isso é óbvio demais, seria absurdo negar a importância do psiquismo sobre toda a vida do ser humano. Entretanto, também
é razoável supor que os mesmos não devam ocorrer com muita freqüência.
As pessoas que vivem no Brasil de
hoje, enfrentam, em sua maioria, problemas concretos, com os quais se defrontam
cotidianamente, podendo ocasionar alterações emocionais. Doenças?? O que seria
mais patológico, assimilar os golpes da vida e reagir ou pairar sobre a
realidade, nem se dando conta do que acontece?
As pessoas sentem, reagem,
explodem... Vivem a vida moderna. Por isso são doentes??
Nesta sociedade em que vivemos, será
que existem pessoas sem problemas de ordem emocional? Então, por que enxergar
tantos “defeitos” psíquicos...
As crianças da classe trabalhadora
apresentam problemas emocionais? Certamente, porém na em escala
significativamente diferente de crianças de outras classes sociais. Problemas
de ordem diferente, mas na com freqüência diferentes...
Mas, então quem é a criança a quem
se atribui com maior freqüência desajustes emocionais?? É a criança da
periferia, que vive em um ambiente com valores diferentes, que é constantemente
agredida pela vida, que precisa se defender para sobreviver. A criança que tem
que ser forte. Que agredida, dela se diz agressiva...
De modo geral, todas as falas sobre
problemas emocionais centram-se me comportamentos, muito mais que na
aprendizagem em si. Então, surge a indagação: o que é mais importante para a
escola... aprender ou ter o comportamento esperado??
Se se acredita que as causas do não
aprender se situam na esfera emocional, a única solução só pode mesmo ser por
meio da figura do psicólogo. A escola não tem competência – nem este é os eu
papel – para lidar com problemas emocionais.
Porém, ao
psicologizar uma questão iminentemente pedagógica, ela simplesmente transfere
responsabilidade, exime-se de seu próprio fracasso. Em última instância, delega
seu espaço para outra instituição, a saúde.
4.6 - Alunos
não aprendem porque são imaturos...
“Falar em imaturidade... pressupõe
adotar o homem adulto como padrão... O ser em desenvolvimento se transforma no
ser em amadurecimento...”.
O sistema imunológico da criança
pequena apresenta diferenças em relação ao de outras idades. Não por
incompetência, ou por imaturidade, como se diz com freqüência. É diferente
porque precisa ser assim, porque esta criança tem um ano e não trinta . Ele é
competente para esta criança de um ano, como seria lógico esperar.
A criança de cinco anos não é neurológica ou
intelectualmente imatura ... é menos
ainda, emocionalmente imatura... Se a criança fosse um adulto em
miniatura, ou apenas um adulto em potencial, não brincaria, não daria
gargalhadas, não subiria em árvores, não andaria em enxurrada, não seria feliz.
Não seria uma criança...
A cada momento, o ser humano tem as
características físicas, emocionais, cognitivas adequadas a este momento
determinado. A criança de sete anos tem a maturidade conveniente aos seus sete
anos. Ela é ela mesma, em cada fase. É pelo momento presente e não pelo que há
de vir.
Falar em imaturidade... é
desconhecer que os ser humano é um ser histórico, permanentemente em
construção. Inacabado, sim... Por isso mesmo, um agente de transformação”.
4.7
-Alunos não aprendem porque as famílias não colaboram...
“Uma das queixas mais freqüentes
que a escola faz em relação às famílias, em
tom acusatório, consistem que elas na colaboram com a escola”.
Essa falta de colaboração, que se
apresenta sob bários termos, como falta de disponibilidade, de interesse, de
responsabilidade, de vontade, de conhecimento, etc, torna muito difícil, se não
impossível à escola concretizar a sua tarefa: ensinar às crianças...
A imagem que diretores e professores
tem em sua mente ao se referirem às famílias de seus alunos, revela acima de
tudo, seu aprisionamento a uma concepção idealizada de família...
De modo geral, revelam seu
desconhecimento sobre a vida concreta das pessoas com as quais lidam direta ou
indiretamente...
Quando existe algum conhecimento,
este não costuma ser usado como elemento individualizado da criança... e
enxergar a criança como indivíduo é respeita-la, passo essencial para
estabelecer a relação biunívoca de ensinar e aprender. Com muita freqüência,
este conhecimento alimenta os preconceitos do professor em relação ao
aluno e sua família, alicerçando
estigmas pré-existentes...
Construída uma norma ideológica, a
qual nenhuma família concreta se adapta, esta passa a ser a base para a forma
de pensar consensual das pessoas... os que não se ajustam à norma, por
usufruírem de valores diferentes, ou talvez pela ausência de bens materiais, ou
simplesmente por viverem um padrão distinto de família, passam a ser
considerados, rotulados, ,como desajustados.
Famílias desestruturadas geram
crianças desajustadas, revoltadas, agressivas. Como se poderia pretender que
aprendessem ??
O campo da
normalidade/ anormalidade fica aberto para conveniências momento, de cada um. Em vez de diagnósticos – etapa
final de um processo de investigação e raciocínio – rótulos. Visto pelo
prisma da anormalidade, é o comportamento das famílias que provoca,
linearmente, a não aprendizagem...
E afinal... o que é colaborar com a
escola?
É participar?
E participar, seria a submissão às
normas impostas pela instituição, docilmente, sem questionamentos?
Seria apresentar-se à escola,
participar de reuniões, atender convocações, sobretudo sem poder discordar ou
questionar? Como dialogar, com que acredita que os pais, delegam à escola
responsabilidade que seriam suas?
Seria ajudar os filhos nas lições de
casa? E como ajudar, se a maioria dos pais já passou pelos bancos da escola e
também não descobriu a “chave” que lhe daria acesso à aprendizagem? Será que este pai, esta mãe,
que “não ensinam em casa”, não são frutos também do fracasso escolar? E
agora... é deste pai que a mesma escola vem exigir que ensine o seu filho, que
o ajude nas lições...
4.8 – Avaliar
para ensinar melhor
Para que a avaliação sirva à
aprendizagem é essencial conhecer cada aluno e suas necessidades. Assim o
professor poderá pensar em caminhos para que todos alcancem os objetivos . o importante,
diz Janssen Felippe da Silva, pesquisador da Universidade Federal de
Pernambuco, não é identificar problemas de aprendizagem, mas necessidades.
Se seu objetivo é fazer com que
todos aprendam, uma das primeiras providências é sempre informar o que vai ser
visto em aula e o porquê de estudar aquilo. Isso é parte do famoso contrato
pedagógico ou didático, aquele acordo que deve ser estabelecido logo no início
das aulas entre estudantes e professor com normas de conduta na sala de aula.
A criança deve saber sempre onde
está e o que fazer para avançar. Assim, fica mais fácil se envolver na
aprendizagem. E dá para fazer isso até na pré-escola, desde que a maneira de
dizer seja adequada à idade e ao nível de desenvolvimento da turma. É isso pode
ser feito por meio da auto-avaliação. “se o professor quer que os alunos se
avaliem, deve explicitar por que e para que fazer isso. Ele precisa perceber
como essa prática ajuda a direcionar todo o processo de aprendizagem”. (diz
Janssen Fellippe da Silva)
UM ALERTA; o professor que se
atém ao comportamento do estudante e o rotula acaba tendo uma atitude
prejudicial. O agressivo e conversador sempre tende a ser visto dessa maneira.
Assim como o atencioso e comportado. Por isso, não classifique seus alunos como
se eles fossem sempre do mesmo jeito, com hábitos imutáveis – e, o mais
importante, incapazes de se transformar. O ideal é tentar entender por que se
comportam de determinada forma diante de uma situação. Rotular não leva a nada.
MADELENA:
É uma criança que não apresenta nenhum tipo de dificuldade na leitura,
escrita, tabuada. Ela tem a letra bonita, mas só que ela começava a escrever
quase no meio da linha do caderno. Seu parágrafo era uma regulação de uns três
a quadro dedos e sua profº tinha que olhar o seu caderno e marcar com um lápis
o parágrafo, para que ela começasse a segui-lo. E uma menina inquieta em sua
carteira derruba várias vezes os seus
lápis a sua borracha é uma criança
HIPERATIVA – DISPRAXIAS.
A Professora muito atenta, quando a
criança não entende na 1ª explicação ela procura sempre mudar seu jeito de
explicar até que a criança entende.
A Professora desenha um desenho um
desenho na lousa e forma uma historinha para que as crianças passe a entender.
Outro dia ela manda as crianças cada
um desenhar o seu desenho e depois manda eles formar sua historinha, depois ela
manda cada um cantar a sua historinha.
Depois que cada criança mostra o seu
desenho e conta sua historinha , ela
elogia escrevendo que lindo !! Parabéns!! Você é maravilhoso!! Você
é a menina ou menino dos meus sonhos.
Na aula de matemática ela explica e
a criança não entende ela procura cantar para que as crianças passe a entender.
Na hora em que ela corrige seus cadernos, ela procura chamar de um em um.
As outras crianças ficam quietas no seu lugar.
O mais incrível
é que ela não bate, não grita com as crianças, ela só conversa com as crianças.
Ela não é aquela profº que dá só prova para avaliar o seu aluno. A professora
ela procura sempre dar desenhos para que ele procure pintar, contornar o seu
desenho. Procura dar brincadeiras, como uma
dinâmica, de par ou impar, quantas vezes ele jogou a bola para seu
amiguinho. E assim por diante. A profª mandar quatro, cinco, cada um com uma letra
do alfabeto para que eles possam aprender
a ler e escrever, em fim ela avalia seus alunos de várias maneiras.
Na medida em que algumas relações
humanas orientam-se por preconceitos, estas perdem sua qualidade maior, quer
seja, a promoção do desenvolvimento das partes nelas envolvidas...
Lembramos aqui, que os preconceitos
não nascem espontaneamente nas pessoas, mas são sustentados por “explicações”,
por “idéias “ que atendem a interesses, em geral, interesses da classe
dominante, que vitimam tanto aquele que sofre o preconceito, quanto aquele que
os tem.
Mas quando se estabelecem relações
construtivas entre professores e alunos, quando são levadas em conta as
características do desenvolvimento infantil, quando existe o domínio teórico
dos conteúdos a serem ensinados e a competência técnica exigida pelas ações pedagógicas, todos os alunos se mostram
capazes de aprender, pois suas potencialidades passam a ser adequadamente
exploradas na escola, e todos os professores, capazes de ensinar, pois assumiram
de fato o seu papel enquanto educadores.
V- ORIENTAÇÃO AOS
EDUCADORES
Partindo de nossas experiências
profissionais que buscam o atendimento
global e integrado da criança, concluímos ser de fundamental importância, para
os educadores em geral, a manutenção de um contato mais estreito com a
fonoaudiologia.
Em todos os trabalhos é necessário
um contato mais direto com um especialista na área para uns esclarecimentos dos
termos e os procedimentos necessários para um trabalho conciso, digno e de
extrema eficiência para diagnosticar todos os casos encontratos, mesmo que você
educador deduza que seu aluno se enquadre dentro de certos processos, nada
melhor que uma palavra daquele que entende e tem mais experiência que você para
isto. Além de ser mais seguro você poderá pedir ajuda deste especialista para
que possa dar os passos necessários para lhe auxiliar nesta árdua jornada de
educador.
É a professora e fonodiologa:”
Regina Barbalho Drummond, dá um alerta a isto”Inicialmente, deixando bem claro
que a nossa postura a respeito de
testagem em massa e de baterias fonoaudiologicas aplicadas em
instituições de ensino é de total repudio, pois consideramos ser impossível
avaliar o quadro clínico de uma criança sem possuirmos dados complementares e
imprescindíveis fornecidos pela família, profissionais afins e um contato mais direto para sua observação. Por
este motivo nosso primeiro alerta aos educadores e principalmente coordenadores
de escolas é de evitar esse tipo de testagens, que do nosso ponto de vista fere
a ética profissional, pois além de não permitir um diagnóstico preciso poderá
acarretar rótulos indevidos.
Por outro lado entendemos que o caminho a ser seguido é o
de esclarecimento da profissão a todos os educadores, para que possam melhor se
posicionar perante certas manifestações, sendo capazes de detectar as
dificuldades precocemente e encaminhar ao profissional competente quando
necessário.
Acreditamos que as reciclagens de professores, palestras
para pais e professores muito ajudam, porém defendemos a inclusão, nos cursos
de formação de professores, de “Distúrbios fonoaudiológicos”,como disciplina
curricular. Pelo desconhecimento de nossa área é que entendemos (mas não
aceitamos) as graves falhas cometidas.
Quando a criança nasce percebe
luzes, figuras e sons indistintos, aos poucos com a ajuda principal da mãe ela
evolui para a coordenação de movimentos e percepções, começando, a partir daí,
o processo de estimulação para o seu desenvolvimento.
Cabe ao educador despertar sua
curiosidade e estimular a exploração de todas as suas possibilidades. Seguindo
a evolução desse comportamento observamos que a criança vai perceber a
importância da linguagem, usando-a quando for necessário. Pesquisas demonstram
que as crianças mais carentes têm uma linguagem quantitativamente mais limitada
e qualitativamente diferente das que possuem condições socioeconômicas
melhores, mostrando-nos que quanto maior for o estímulo, melhor será a
resposta.
O importante para os , terapeutas, é prevenir os
distúrbios e comprometimentos que citamos;por isso achamos de real importância
orientar os educadores pré-escolares.
Iniciaremos estimulando a criança a aumentar seu vocabulário fazendo com que
ela amplie o número e qualidade de seus conhecimentos.
Devemos
falar correto e muito com as crianças, contar histórias adequadas, cantar,
criar situações em que a criança possa espontaneamente organizar seu
pensamento, elaborando assim suas próprias histórias através de descrições de
suas atividades diárias, passando a descrever o que aconteceu, o que esta
acontecendo e o que ira acontecer. Estaremos com isso ajudando o processo de
organização de seu pensamento lógico, que nesta fase já se encontra elaborado.
Nossa orientação não fica a nível
da fala, pois sabemos que através das atividades livres a criadoras elas também
se expressa. Esse aconselhamento tem fundamento especial para os portadores de
atraso de linguagem e de fala, não deixando de ter valor para os casos de
dislalias, pois quando lhe damos um bom modelo de fala, estamos contribuindo
para a sua melhora.
Todo momento na pré-escola é importante para o
fonoaudiólogo, pois nesta fase encontramos alguns distúrbios que podem ser
evitados e prevenidos.
Com nossa experiência observamos que
quando oferecidos maiores recursos a criança, melhores e mais preciosos serão os
resultados de seu aprendizado.
Não dispensamos que as funções
intelectivas sejam trabalhadas, de forma lúdica, na pré-escola; as falhas
detectadas pela professora em suas observações servirão de elementos
fundamentais para um encaminhamento mais conveniente.
Citamos sem preocupação com
técnicas, o que é importante deixar patente:
V I– AS
INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS
Sendo assim, não podemos deixar de
considerar a importância da teoria das inteligências múltiplas para a
educação.
HOWARD GARDNER, psicólogo
construtivista e também professor adjunto de neurologia na Universidade de
Medicina de Boston, com uma grande equipe de pesquisadores, desenvolve na
Universidade de Harvard projetos que buscam explicar o desenvolvimento do que é
inteligência múltipla, desenvolvendo a idéia de que as manifestações de
inteligência compõem um amplo espectro de competências, incluindo as dimensões;
musical, cinestésica-corporal, lógica-matemárica, espacial, lingüística ,
intrapessoal, interpessoal e naturalista.
“O professor Nilson José Machado,
doutor em Educação pela Universidade de São Paulo, onde inclui ainda a competência
pictórica que se manifesta em
qualquer criança através de seus desenhos ou outros signos pictóricos, ainda
antes que a linguagem escrita lhe seja acessível. Presente em grandes pintores,
é típica do cartunista cujos personagens “falam” por suas expressões não
verbais”. (ANTUNES, Celso,jogos para a estimulação das múltiplas
inteligências,editora: vozes, 2002)
A competência musical
consiste na habilidade de apreciar, reproduzir ou compor a música. Esta
habilidade conta com a capacidade de discriminação e sons e percepção de
variações, como ritmo e timbre.
Dimensão corporal cinestésica
é a habilidade do atleta, do artista, para resolver problemas, para criar
produtos através do corpo. Utiliza com grande facilidade a coordenação motora
grossa ou fina, apresenta grande controle de movimentos corporais e manipula
objetos com destreza.
Competência lógica-matemática
apresenta grande habilidade em desenvolver raciocínios dedutivos e resolução
rápida para lidar com números ou outros objetos matemáticos, envolvendo
cálculos e transformações.
Inteligência espacial é a
habilidade de encontrar caminhos, reconhecer faces, notar mínimos detalhes.
Geralmente esta competência está associada às atividades do arquiteto ou do
navegador, que revelam grandes habilidades na percepção e administração do
espaço, na elaboração de mapas, plantas, etc. Apresentam capacidade para
perceber um objeto sob ângulos.
Inteligência lingüística se expressa de forma mais visível no orador,
no escritor e em todos os que lidam criativamente com as palavras. Tem
habilidade no uso da linguagem para discursos, para transmitir idéias,
convencer, agradar e também fazer humor. Apresenta facilidade na significação
das palavras e valorização semântica/sintática.
Inteligência interpessoal
consiste na habilidade de socializar-se. É a capacidade de perceber distinções
entre pessoas, em perceber seus humores, suas motivações, em captar suas
intenções. É característica nos líderes, políticos, professores, terapeutas,
etc.
Inteligência intrapessoal,
podemos ter como características básica, permitir estar bem consigo mesmo,
assim como a compreensão e o trabalho de si mesmo, permitindo o entendimento e
o trabalho de si mesmo, permitindo o entendimento e o trabalho de si mesmo, permitindo
o entendimento e o trabalho com as outras pessoas. Aquele que desenvolve mais
esta inteligência tem um modelo de si mesmo e se ajuda na resolução de
conflitos.(CND, Curitiba – Paraná, 2003)
Uma das últimas competências
destacadas por Gardner e não presente em suas primeiras obras é a inteligência
naturalista ou biológica que, como seu nome indica, esta ligada `a
compreensão do ambiente e paisagem natural, uma afinidade inata dos seres
humanos por outras formas de vida e identificação entre os diversos tipos de
espécies, plantas e animais.
“Os
cincos primeiros anos de vida de um ser humano são fundamentais para o
desenvolvimento de suas inteligências. Embora a potencialidade do cérebro se
apresente como produto de uma carga genética que se perde em tempos imemoriais
(afinal de contas, temos dois pais, quatro avós, oito bisavós e assim por diante chegando a mais de 4000 tataravós
dos tataravôs), nos primeiros anos de vida o cérebro sai dos 400 gramas quando
do nascimento, para chegar perto do um quilo e meio quando adulto, crescendo e
pesando mais em função das múltiplas
conexões entre os neurônios que formam
uma rede de informações diversificada. Essa rede se apresenta em pontos
diferentes do cérebro e, ao que tudo indica, possui especificações que
diferenciam uma inteligência da outra. Essa área do organismo não nasce pronta,
isso vai acontecendo progressivamente, sobretudo entre os cinco e dez anos de idade, quando em seu
respectivo hemisfério se plugarem (ligarem) as terminações nervosas responsáveis pela fala, visão, tato,
percepção lógica, lingüística, sonora e outras. Para que esse desenvolvimento
cerebral atinja toda sua potencialidade e multiplique seu poder de conexões,
necessita de ginástica e esta é, genericamente, chamada de estímulos.
Estes devem ser produzidos por adultos e outras crianças, mas com serenidade. A
obsessão por tentar estimular o cérebro, o tempo inteiro, é tão nocivo quanto
dar comida ao estômago em quantidade excessiva. Mesmo quando os estímulos
não são oferecidos, o cérebro sabe procura-los nos desafios a que se propõe.
A importância do ambiente e da
educação necessita, entretanto, ser percebida em uma dimensão expressiva, mas
não infinita. Nenhuma criança é uma esponja passiva que absorve o que lhe é
apresentado. Ao contrário, modelam ativamente seu próprio ambiente e se tornam
agentes de seu processo de crescimento e das forças ambientais que elas mesmas
ajudam a formar. Em síntese, o ambiente e a educação fluem do mundo externo
para a criança e da própria para seu mundo.Para estimular suas múltiplas
inteligências somente ganham validade quando centrados sobre o próprio
indivíduo.
Estímulos
excessivos atuam como “desestímulos”- os estímulos são o alimento
das inteligências.
Sem esses estímulos a criança
cresce com limitações e seu desenvolvimento cerebral fica extremamente
comprometido. Mas, é preciso cuidado. Estimulações excessivas, já se disse
antes, possuem o mesmo sentido que alimentação em quantidade acima da
necessidade. Um berço precisa ser a primeira sala de aula de uma criança e sua
primeira escola da vida é o quarto, a sala e a cozinha, com mães e pais
estimulando todas as inteligências. Ma isso não pode ser feito o tempo todo. A
casa ou mesmo a escola não pode virar um laboratório onde a criança recebe,a
toda hora, todas as iniciações lingüísticas, lógica-matemática, espaciais,
corporais e outras. Cabe ao professor ou os pais estarem plugados (ligados) na
criança o tempo todo e sentirem que,
quando surgir o apetite pelo desafio do jogo, é importante ter em mãos os
recursos para que sejam usados com sobriedade e, principalmente, com a
co-participação de outras crianças e de adultos.
Outro elemento importante no
estímulo é observar a criança o tempo todo e anotar seus progressos, mesmo os
mais simples. Conservar uma ficha simples para cada inteligência e ir anotando
resultados ajuda a compreender melhor a criança. O fascínio da aprendizagem não
se manifesta pelo alcance de uma meta numérica, mas pela percepção do
progresso, mesmo o mais modesto. Jamais compare o progresso de uma
criança com o de outra. Nunca confunda velocidade na aprendizagem com
inteligência. Andar mais cedo, resolver um problema mais depressa, falar
com maior fluência, sensibilizar-se pelo som de um música precocemente não é
sinal de inteligência maior, reflete apenas heranças genéticas diferentes.
As inteligências em um ser humano
são mais ou menos como janelas de um quarto. Abrem-se aos poucos, sem pressa, e
para cada etapa dessa abertura existem múltiplos estímulos. Não se fecham presumivelmente
até os 72 anos de idade, mas próximo à puberdade perdem algum brilho. Essa
perda não significa desinteresse, apenas ocorre a consolidação do que se
aprendeu em período de maior abertura. Abrem-se praticamente para todos os
seres humanos ao mesmo tempo, mas existe uma janela para cada inteligência.- É
um erro supor que o estímulo possa fazer a janela abrir mais depressa. Por
isso, essa abertura precisa ser aproveitada por pais e professores com
equilíbrio, serenidade e paciência. O estímulo não atua diretamente sobre a
janela , mas, se aplicado adequadamente, desenvolve habilidades e estas, sim, conduzem a aprendizagens
significativas.(ANTUNES, Celso, Jogos para a estimulação das múltiplas
inteligências. Petrópolis, RJ:Vozes, 1998)
VII- CONCLUSÃO
Foi minha intenção, ao elaborar esta apostila, esclarecer
a respeito dos distúrbios das aprendizagens infantis. Procurei dar uma forma de
cunho didático e acessível, a fim de que a mensagem fosse recebida como um todo
integrado, e não um somatório de partes, conceitos, etc...
Acredito que muitas transformações
no ensino do sistema educacional são necessárias, pois por mais esclarecidos e
bem intencionados que possam ser nossos educadores, ainda constatamos posturas
extremamente conservadoras e tradicionalistas de relacionamento com nossas
crianças, gerando conflitos com o mundo externo dinamizado, no dia-a-dia, o
mundo externo limitante das escolas e o mundo interno, de si própria ,quando é
fundamental que esses três mundos possam estar integrados, ou que pelo menos
não sejam extremamente contraditórios, para que a criança não sofra com choque
de valores mutantes temporo-espaciais.
Educar não pode significar
violentação. Educação deve ser encarada como transformação, permissão,
crescimento e liberdade consciente de opção.
Aprender é descobrir que algo é
possível de ser trabalhado despertando a consciência de que estamos
crescendo,podendo interferir de alguma forma no processo, mesmo que ele não
esteja muito claro diante de nossa cognitude.
A criança, como um ser dinâmico,
sensível e descompromissada das necessidades do adulto esta mais aberta para
assimilar as informações recentes e extrapola-las de forma progressiva.
Qualquer sintoma de regressão é
sinal de que algo não esta indo bem, pois para que haja saúde é necessário um
equilíbrio estruturado na coordenação das funções que atuam no ser humano.
Como profissional coerente, não
devemos trabalhar com crianças através de tutelas, nem permitir que ela seja o
“bode expiatório” da família. Temos de admitir que nossa função é de ajustar a
criança a si própria, enfocando-a como um ser capaz de ter consciência de suas
dificuldades, na medida em que se descobre.
Ultimamente, meu maior
questionamento esta objetivado em relação à escola, a família e a muitos
profissionais da área de saúde que, desconhecendo o trabalho terapêutico de um
fonoaudiólogo, insistem em rotular, bloquear e dificultar o tratamento, de
forma indireta.
Nos dias de hoje ainda existem
testagens tradicionais e rótulos
indiscriminados onde agridem aos profissionais da área terapêutica e
fonoaudióloga que sentem-se prejudicados
e com isto o maior prejudicado e a CRIANÇA.
Finalmente, acredito que a
construção de uma sociedade mais justa, mais livre e mais “humanizada”, só
poderá vir a ser cogitada quando os homens forem mais autênticos, mais
assumidos e mais verdadeiros, tal qual nossas crianças: disse o mais sábio de todos os filósofos.
“Para refletir:A qualidade da
presença do educador”.
Não é o número de horas que
passamos com nossos filhos, nossos amigos, nosso esposo, nossos pais, que
conta. Mas é a qualidade dessa presença que conta.
O tempo passa. É
irreversível, não volta atrás. Tudo o que acontece, acontece para sempre. Cada
acontecimento é irreplegível, irreproduzível. Aquele instante, nós o vivemos
apenas uma vez. O instante que passa jamais voltará. Mas, apesar de toda essa
dramaticidade, o tempo pode ser uma imensa rotina. Vamos vivendo, às vezes sem
perceber realidades profundas, deixando que a vida se gaste num terrível monotonia
de acontecimentos aparentemente iguais. Só existe rotina para quem não valoriza
o tempo. ... gente que gasta o tempo,
perde o tempo, foge do tempo – deixando escapar sua própria realidade profunda.
Ora, o tempo não se valoriza pela
quantidade, mas pela qualidade. É a qualidade dos nossos atos que valoriza o
tempo. É essa presença – qualidade que deve ser a marca do Educador. Presença
que é compromisso e atuação, com sua tríplice dimensão de passado, presente e
futuro.
PASSADO: que é assumido integralmente(
e jamais negado ou fantasiado)
PRESENTE: que é questionado com
clareza.
FUTURO: que deve ser dinamizado
com ousadia.” (CND, Curitiba, Paraná, 1999)
Aqui vai um dizer de Paulo Freire
que o Cito sempre: “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela
tampouco a sociedade muda. Se a nossa opção é progressista, se estamos a favor
da vida e não da morte, da equidade e não da injustiça, do direito e não do
arbítrio, não temos outro caminho senão viver plenamente assim a distância entre
o que dizemos e o que fazemos.”
Por amor a educação encontro-me
aqui.
Prof Dr Master Reikiana Aldry Suzuki !
VIII -
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ANTUNES, Celso, Jogos
para estimulação das múltiplas inteligências. Petrópolis, RJ:Vozes, 1998.
CND, Curitiba, Paraná,
2003.
COLLARES,
Cecília ªL., MOYSÉS, M. Aparecida ª preconceitos no cotidiano escolar:
ensino e medicalização. São Paulo: Cortez, 1996.
ESTRELA, Maria
Tereza. Relação pedagógica, disciplina e indisciplina na aula. 2.ed.Porto:Porto,1994
FOUCAULT,
Michel. Microfísica do poder. 2.ed.Rio de Janeiro:Graal, 1981.
MARTINS, Márcia Lígia.
Preconceito sobre os educandos, A sala de aula: espaço físico e pedagógico, pg
41-45.
MATTOS, Carlos.,
DRUMMOND, Regina B. Dificuldades de Aprendizagem. Curitiba, Paraná ,
1988.
PERRENOUD,
Philippe. Ofício de aluno e sentido do trabalho escolar. Porto:Porto,
1995.
REVISTA NOVA
ESCOLA, nº 132 – Maio de 200, pg. 30 à 32.
VASCONCELOS,
Celso S. Disciplina: construção
da disciplina consciente
e interativa em sala de Aula e na escola. 7.
ed. São Paulo: Libertad, 1996.
-------------.
Para onde vai o professor: resgate do professor como sujeito de
transformação. 3.ed. São Paulo:Libertad,
1996.
-------------.
Disciplina consciente e interativa:notas introdutórias . Associação dos
Orientadores Educacionais do R.G.do Sul, 1996. mimeo.




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